Justiça / Supremo Tribunal
Moraes pede quebra de sigilo de outro processo do caso Master antes de julgamento no STF
Ministro afirma que ação sob relatoria de André Mendonça reúne elementos essenciais para sessão desta terça-feira, que discutirá eventual procedimento contra ele
14/09/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a retirada do sigilo de mais um processo relacionado ao Banco Master que estava sob a relatoria do ministro André Mendonça. O pedido ocorre às vésperas da sessão marcada para esta terça-feira (15), quando o plenário deverá analisar se autoriza a abertura de procedimento envolvendo o próprio Moraes.
Em ofício encaminhado a Fachin, Moraes sustenta que ainda permanece sob sigilo a Petição 15.645 e afirma que o processo contém informações necessárias para a análise da Petição 16.662, que será discutida pelos ministros.
“Ocorre, entretanto, que não foi levantado o sigilo da PET 15645, distribuída por prevenção ao ministro André Mendonça e que possui elementos essenciais para o julgamento da PET 16662, previsto para a próxima terça-feira, 15 de setembro”, afirma Moraes no documento.
A sessão extraordinária deverá analisar informações produzidas pela Polícia Federal a partir de mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Parte desse material tornou-se pública após decisão de André Mendonça. Entre os registros apresentados no relatório policial estão mensagens atribuídas a Vorcaro e destinadas a Moraes.
Segundo informações reveladas pelo Estadão, uma das mensagens teria sido enviada na antevéspera da prisão do banqueiro e continha uma pergunta sobre a possibilidade de deixar o Brasil.
Em outro registro, Vorcaro teria solicitado a Moraes uma intervenção junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O conteúdo das mensagens e o contexto em que ocorreram deverão integrar a análise dos ministros durante a sessão do Supremo.
Outro elemento mencionado na apuração envolve um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.
Conforme as informações apresentadas na investigação, há registros indicando que o ministro teria realizado edição no documento contratual. A existência desse material passou a integrar o conjunto de elementos relacionado à discussão sobre a eventual abertura de procedimento contra Moraes.
A análise do conteúdo, entretanto, não representa por si só conclusão sobre eventual irregularidade ou responsabilidade do ministro. Essa avaliação dependerá do procedimento a ser definido pelo próprio Supremo.
Ao solicitar a quebra do sigilo da Petição 15.645, Moraes argumenta que os integrantes do STF precisam ter acesso aos elementos que considera essenciais antes de deliberarem sobre o caso.
A iniciativa ocorre em meio a uma sequência de pedidos relacionados à publicidade e ao compartilhamento das informações reunidas nas investigações do Banco Master.
O acesso ao conteúdo integral dos processos ganhou importância diante da sessão de 15 de setembro, quando os ministros deverão decidir sobre a possibilidade de abertura de procedimento contra Moraes a partir das informações encontradas no material apreendido com Vorcaro.
Caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, conduzir os encaminhamentos relacionados ao pedido de Moraes e à sessão extraordinária, em mais um capítulo da crise aberta na Corte a partir da divulgação das mensagens atribuídas ao fundador do Banco Master.
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