Saúde / Saúde Ocular
Uso incorreto de lentes de contato aumenta risco de infecções e lesões nos olhos
Setembro Safira alerta para hábitos como dormir com lentes, contato com água e falhas na higienização, que podem provocar complicações graves
11/09/2026
08:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O uso de lentes de contato exige cuidados que vão além do conforto ou da qualidade da visão. Dormir com as lentes, tomar banho ou nadar sem retirá-las, prolongar o período de utilização e fazer a higienização de maneira inadequada estão entre os hábitos que podem aumentar o risco de infecções, irritações e lesões na córnea.
O alerta ganha destaque durante o Setembro Safira, campanha nacional voltada à conscientização sobre o uso correto das lentes de contato. A orientação dos especialistas é tratar a lente como um dispositivo médico, que deve ser indicado, adaptado e acompanhado por profissional habilitado.
Segundo a médica oftalmologista Cristiane Amaral, do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, cuidados básicos começam antes mesmo de colocar as lentes.
“É fundamental lavar e secar muito bem as mãos antes de tocar nas lentes, respeitar o tempo de uso e o prazo de troca e utilizar corretamente a solução indicada. Enxergar bem com a lente não significa necessariamente que o olho esteja saudável”, explica.
Entre os erros frequentes estão usar as lentes além do período recomendado, reutilizar a solução que permaneceu no estojo e manipulá-las sem a correta higienização das mãos.
A especialista chama atenção principalmente para a repetição desses hábitos. “Existe um hábito perigoso que é pensar: ‘só vou usar mais um pouquinho’. Esse pequeno excesso repetido pode aumentar muito o risco de complicações”, afirma.
A sensação de conforto também não deve ser usada como único parâmetro para decidir por quanto tempo permanecer com as lentes. O período adequado depende do material, tipo de lente, regime de troca, adaptação e condições individuais dos olhos.
Um dos principais cuidados envolve o contato com água. A recomendação é retirar as lentes antes do banho, piscina, mar, lago ou hidromassagem.
A água pode conter microrganismos capazes de provocar infecções oculares. Entre eles está a Acanthamoeba, associada a casos de ceratite, uma inflamação grave da córnea.
“A água pode carregar microrganismos, incluindo a Acanthamoeba, que pode causar uma ceratite grave. Lente de contato e água não combinam”, alerta Cristiane Amaral.
Dormir usando lentes que não foram especificamente indicadas para essa finalidade também aumenta o risco de infecção e deve ser evitado.
Nas lentes reutilizáveis, a limpeza deve ser feita com solução própria para lentes de contato. Água, saliva ou soro fisiológico não devem ser utilizados como substitutos dos produtos destinados à desinfecção.
“O soro fisiológico não desinfeta a lente. Também não se deve completar a solução do estojo. A solução usada precisa ser descartada e substituída por uma nova a cada ciclo de armazenamento”, orienta a oftalmologista.
O estojo das lentes também precisa ser higienizado regularmente e substituído, em geral, pelo menos a cada três meses.
Quem utiliza maquiagem deve colocar as lentes antes de se maquiar e retirá-las antes de remover os cosméticos. A medida reduz a possibilidade de partículas entrarem em contato com as lentes ou com a superfície dos olhos.
Máscara de cílios e delineador não devem ser aplicados diretamente na margem interna das pálpebras. Cosméticos precisam estar dentro do prazo de validade, enquanto sprays de cabelo, perfumes e outros aerossóis devem ser usados antes da colocação das lentes.
Alguns sinais precisam ser tratados como alerta, especialmente entre usuários de lentes. Dor, vermelhidão, sensibilidade à luz, secreção, visão embaçada, redução da capacidade visual ou desconforto persistente são motivos para interromper imediatamente o uso.
“A pessoa deve retirar a lente e procurar avaliação oftalmológica. Não é recomendado simplesmente pingar um colírio qualquer e voltar a colocar a lente. Olho vermelho em usuário de lente de contato não deve ser banalizado”, ressalta Cristiane Amaral.
A escolha da lente também não deve considerar apenas o grau. Uma adaptação adequada envolve avaliação da córnea, superfície ocular, filme lacrimal, formato do olho e necessidades individuais do paciente.
Por isso, mesmo lentes utilizadas exclusivamente por razões estéticas precisam de avaliação profissional. O acompanhamento oftalmológico ajuda a identificar alterações antes que apareçam sintomas mais intensos e reduz os riscos associados ao uso inadequado das lentes.
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