Política / Eleições 2026
Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo para abrir sigilos bancários, fiscais e telefônicos
Documento apresentado ao TSE prevê acesso a informações dos candidatos, familiares e empresas ligadas a eles; medida depende de análise do ministro André Mendonça
22/10/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) chegaram a um acordo para autorizar a abertura simultânea dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos à Presidência da República. O documento foi apresentado nesta quinta-feira (22 de outubro) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e deverá ser analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso.
O entendimento encerra, ao menos na esfera das negociações entre as campanhas, uma disputa iniciada durante o debate presidencial da Band, no último domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a divulgar informações protegidas por sigilo.
O termo foi apresentado à imprensa pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, após representantes dos dois candidatos comparecerem ao TSE.
O documento estabelece a autorização recíproca para acesso às informações, com previsão de cumprimento ainda nesta quinta-feira, até as 23h59, condicionada à análise judicial.
“Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro, candidatos à Presidência da República já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos”, informa o texto.
A assinatura do acordo não significa que os dados já tenham sido disponibilizados. A efetivação da medida depende da apreciação do pedido e da definição dos procedimentos necessários.
O compromisso firmado pelas campanhas não se limita às informações pessoais de Lula e Flávio Bolsonaro.
Segundo o documento apresentado, a autorização também abrange familiares dos candidatos e pessoas jurídicas ligadas a eles, conforme os termos estabelecidos no acordo.
A ampliação do alcance foi um dos principais pontos discutidos durante as negociações.
A campanha de Lula condicionou o entendimento à inclusão da Alcazar Holdings, empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio Bolsonaro.
O senador do PL reconhece a relação de amizade com o advogado. Ambos são mencionados em investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
A existência do inquérito não representa comprovação das suspeitas nem estabelece responsabilidade criminal dos investigados.
Com a aceitação da condição pela campanha de Flávio, as partes avançaram para a assinatura do termo conjunto.
A campanha de Flávio Bolsonaro também apresentou exigências para aceitar a abertura simultânea dos sigilos.
Entre elas está a inclusão de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
O entendimento também contempla a divulgação de informações relacionadas aos gastos com cartões corporativos da Presidência da República e à agenda da primeira-dama, Janja Lula da Silva.
Segundo as informações apresentadas pelas campanhas, Lula concordou com essas condições para viabilizar o acordo.
A disponibilização dos dados deverá observar os limites e procedimentos definidos pela Justiça Eleitoral, especialmente em relação às informações de terceiros.
A formalização do entendimento levou integrantes das duas campanhas ao Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, nesta quinta-feira.
Pelo lado de Lula, participaram das articulações o senador Camilo Santana, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o secretário-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, e a deputada federal Camila Jara (PT-MS).
A presença de Camila Jara colocou uma representante de Mato Grosso do Sul entre os participantes da agenda relacionada ao acordo.
Pela campanha de Flávio Bolsonaro, compareceram a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, responsável pela representação jurídica do candidato, e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR).
Após os encontros, Camilo Santana apresentou o documento à imprensa e informou que os candidatos haviam aceitado as condições recíprocas.
O termo foi protocolado no TSE para apreciação do relator.
A discussão sobre a abertura dos sigilos começou no domingo (18), durante o debate presidencial realizado pela Band.
Na ocasião, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a autorizar a divulgação simultânea de informações bancárias e telefônicas.
A proposta passou a ser discutida publicamente pelas campanhas, que apresentaram condições para aceitar o procedimento.
Na terça-feira (20), Lula protocolou no TSE uma autorização para abertura de seus próprios sigilos e dos dados de pessoas jurídicas ligadas a ele, desde que Flávio adotasse a mesma medida.
As negociações prosseguiram até esta quinta-feira, quando os representantes dos dois candidatos apresentaram o termo conjunto.
O acordo foi firmado a três dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25 de outubro).
Com o documento protocolado, caberá ao ministro André Mendonça, relator do procedimento no TSE, examinar os termos da autorização e as condições para eventual acesso aos dados.
A análise deverá considerar o alcance das informações solicitadas, a participação de terceiros e os procedimentos necessários para assegurar o cumprimento da decisão.
A abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos envolve dados protegidos por legislação específica, razão pela qual a manifestação dos candidatos não dispensa a observância das exigências legais.
Também será necessário distinguir a autorização para acesso às informações de sua eventual divulgação pública, que poderá depender de determinações específicas.
Até que haja decisão judicial e cumprimento das providências cabíveis, não é possível afirmar que os sigilos tenham sido efetivamente abertos.
O acordo representa um compromisso político e jurídico firmado pelas duas campanhas, mas seus efeitos concretos dependerão da manifestação do Tribunal Superior Eleitoral.
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