Eleições / Presidência
Globo muda regras de circulação dos candidatos para último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro
Confronto será nesta sexta-feira (23), após o Jornal Nacional, com quatro blocos, perguntas sobre temas nacionais e checagem de informações em tempo real
22/10/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A TV Globo estabeleceu novas regras para o último debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para esta sexta-feira (23 de outubro), após o Jornal Nacional. Entre as mudanças está a restrição à circulação dos candidatos pelo estúdio, medida que busca organizar os confrontos diretos e evitar interferências durante as falas. O encontro será mediado pelo jornalista César Tralli, dois dias antes do segundo turno das eleições, previsto para domingo (25).
A alteração ocorre após a repercussão do debate promovido pela Band, quando Flávio Bolsonaro recebeu críticas por circular atrás de Lula durante parte do confronto. A postura foi interpretada por adversários e comentaristas como uma tentativa de constranger o presidente.
No encontro da Globo, os candidatos poderão se movimentar pelo cenário em momentos específicos, mas deverão respeitar os espaços e as regras estabelecidas para cada bloco.
Segundo a emissora, o formato pretende ampliar a apresentação de propostas de governo, permitir questionamentos diretos e aprofundar discussões sobre temas considerados prioritários para o país.
A Globo dividiu o confronto em quatro blocos, combinando assuntos previamente definidos, sorteios de temas e um período de discussão livre.
Nos três primeiros blocos, o candidato que estiver com a palavra poderá circular pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer em seu púlpito.
A regra impede que um participante acompanhe os movimentos do outro pelo estúdio enquanto aguarda sua vez de falar.
No quarto bloco, os dois poderão se movimentar, mas cada um deverá permanecer no respectivo lado do cenário.
A emissora também estabeleceu tempos específicos para perguntas, respostas, réplicas e tréplicas, com o objetivo de garantir oportunidades equivalentes de participação.
A abertura do debate será dedicada a temas regionais e a prioridades nacionais.
Estão previstas seis rodadas de perguntas, abrangendo questões relacionadas às diferentes regiões brasileiras e a um assunto considerado prioritário para o país.
Cada candidato terá três minutos por rodada, que poderão ser utilizados para formular perguntas e apresentar réplicas ou para responder aos questionamentos e fazer tréplicas.
O formato permitirá que Lula e Flávio Bolsonaro discutam propostas e posicionamentos sobre problemas que afetam diferentes partes do território nacional.
Nos segundo e terceiro blocos, os candidatos escolherão temas apresentados no telão do estúdio para direcionar perguntas ao adversário.
Os assuntos serão definidos durante a transmissão, conforme a dinâmica estabelecida pela emissora.
O limite de três minutos por rodada será mantido, com divisão do tempo entre as intervenções dos participantes.
Assim como na primeira etapa, somente o candidato que estiver falando poderá circular pelo cenário.
O adversário deverá aguardar no púlpito até receber a palavra.
A medida busca preservar a organização das intervenções e evitar que a movimentação de um participante interfira na apresentação do outro.
O quarto bloco será dedicado ao debate de tema livre.
Nessa etapa, cada candidato contará com um banco de oito minutos, que poderá administrar ao longo da discussão.
Diferentemente dos blocos anteriores, não haverá limite para a quantidade de intervenções, desde que cada participante respeite o tempo total disponível.
Lula e Flávio Bolsonaro poderão circular simultaneamente pelo estúdio, mas deverão permanecer em seus respectivos espaços.
A proposta é permitir um confronto mais direto sobre assuntos escolhidos pelos próprios candidatos, com maior liberdade para questionamentos e respostas.
Depois das considerações finais, os dois presidenciáveis participarão de entrevistas coletivas na sala de imprensa.
Cada candidato terá dez minutos para responder às perguntas dos jornalistas.
A ordem das entrevistas foi definida por sorteio realizado na presença de representantes das campanhas.
O primeiro a falar será Luiz Inácio Lula da Silva, seguido por Flávio Bolsonaro.
As entrevistas ocorrerão após o encerramento do debate televisionado e permitirão novos esclarecimentos sobre declarações e propostas apresentadas durante o encontro.
Além das regras de participação, o debate contará com iniciativas de checagem de informações em tempo real.
A própria Globo utilizará o serviço Fato ou Fake para verificar declarações feitas pelos candidatos ao longo do confronto.
Paralelamente, jornalistas, pesquisadores e organizações ligadas à comunicação e ao combate à desinformação atuarão em uma mobilização independente para analisar afirmações apresentadas durante a transmissão.
Segundo informações da Agência Brasil, os participantes trabalharão em uma sala virtual de checagem, reunindo profissionais e instituições com experiência em jornalismo, pesquisa e verificação de conteúdos.
O objetivo é identificar declarações que possam ser confrontadas com dados públicos, documentos oficiais e outras fontes verificáveis.
A mobilização reúne organizações nacionais dedicadas à atividade jornalística, à pesquisa acadêmica e ao enfrentamento da desinformação.
Entre as instituições participantes estão:
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj);
Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD);
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom);
Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor);
AletheiaFact.org;
Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar);
Socicom;
COAR Notícias;
Coletivo Bereia.
As entidades deverão acompanhar as falas dos candidatos e realizar verificações sobre informações passíveis de comprovação documental.
A iniciativa busca oferecer ao público elementos para avaliar a precisão de dados e afirmações apresentados durante o debate.
A checagem não substitui o confronto político entre os participantes, mas acrescenta uma etapa de verificação das informações utilizadas para sustentar argumentos e propostas.
O debate da Globo será realizado na reta final da campanha presidencial, antes da votação de 25 de outubro.
O encontro representa uma das últimas oportunidades para os candidatos apresentarem propostas e responderem diretamente a questionamentos do adversário em rede nacional de televisão.
A expectativa da emissora é que as regras de circulação, a distribuição dos tempos e a organização dos blocos favoreçam a discussão de temas de interesse público.
Com o novo formato, Lula e Flávio Bolsonaro terão espaços definidos para expor seus programas de governo, questionar posições e apresentar argumentos aos eleitores.
A transmissão será realizada nesta sexta-feira (23), após o Jornal Nacional, com mediação de César Tralli.
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