Política / Eleições 2026
Lula aceita exigências de Flávio Bolsonaro para abrir sigilos e cobra reciprocidade
Campanha do presidente anuncia resposta ao TSE nesta quinta-feira; em Belo Horizonte, Lula usa jogo de truco para rebater condições apresentadas pelo adversário
21/10/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceitou ampliar o alcance da proposta de abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico feita ao senador Flávio Bolsonaro (PL), desde que o adversário também autorize a divulgação das informações exigidas. A posição foi anunciada nesta quarta-feira (21 de outubro) pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador político da campanha à reeleição.
A manifestação ocorre após Flávio apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma série de condições para aceitar o desafio lançado pelo presidente durante o debate realizado pela TV Band, no domingo (18).
Entre as exigências estão a divulgação de gastos com cartões corporativos da Presidência, informações sobre empresas de familiares de Lula e registros relacionados à rotina do Palácio da Alvorada.
Segundo Camilo Santana, o presidente não pretende impor restrições aos pedidos apresentados pelo adversário, mas exige que a abertura dos dados seja recíproca.
“A única resposta é que o presidente não se opõe a absolutamente nada que ele está propondo, contanto que ele também cumpra e abra tudo que está pedindo, que o presidente protocolou no TSE”, declarou o coordenador.
Camilo acrescentou que Lula não apresenta objeções às condições incluídas na manifestação de Flávio.
A equipe jurídica da campanha presidencial deverá comparecer ao TSE nesta quinta-feira (22), às 11h, para protocolar formalmente a resposta.
Flávio amplia exigências para abertura de sigilos
Na manifestação encaminhada ao ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, Flávio Bolsonaro estabeleceu condições para autorizar a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas referentes aos últimos 20 anos.
O senador solicita que o presidente também permita o acesso a dados de familiares, empresas e pessoas próximas, além de documentos administrativos do governo federal.
Entre os pedidos apresentados estão:
Cartões corporativos: divulgação dos gastos da Presidência da República desde janeiro de 2023.
Agenda da primeira-dama: acesso aos compromissos de Rosângela da Silva, a Janja, anteriores a fevereiro de 2025.
Palácio da Alvorada: divulgação dos registros de visitas dos filhos do presidente à residência oficial.
Transporte e despesas: informações sobre o uso de helicópteros e os gastos de manutenção da residência presidencial.
Empresas familiares: ampliação da abertura de dados para negócios ligados aos filhos de Lula, especialmente Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Assessores: inclusão de informações relacionadas ao ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
As exigências foram apresentadas como condições políticas para que Flávio aceite o desafio. A divulgação de informações legalmente protegidas, especialmente de terceiros, depende dos procedimentos e das autorizações cabíveis.
Campanha afirma que Marcola também aceita desafio
A campanha de Lula informou que Marco Aurélio Santana Ribeiro, citado por Flávio Bolsonaro entre as pessoas cujos dados deveriam ser divulgados, também concordou com a proposta de abertura de sigilos.
A manifestação busca responder à exigência do senador de incluir pessoas próximas ao presidente no levantamento de informações.
A concordância anunciada, entretanto, não equivale à efetiva disponibilização dos registros solicitados.
Lula responde com comparação ao jogo de truco
Durante um ato de campanha realizado em Belo Horizonte (MG), nesta quarta-feira, Lula comentou publicamente as condições impostas por Flávio Bolsonaro.
O presidente recorreu ao jogo de truco para afirmar que pretende responder às exigências do adversário com uma proposta ainda mais ampla.
“Hoje ele inventou um monte de mentira e trucou 6. Eu vou meter um 9 na cara dele amanhã”, declarou.
Na sequência, Lula afirmou que Flávio estaria utilizando argumentos falsos na disputa política.
“Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira, as cartas dele são todas falsas”, disse.
Mantendo a comparação com o jogo de cartas, o presidente acrescentou:
“Eu tô com zap, sete de espadas, sete de copas e ouro e ainda tenho um três na reserva. Ele vai saber o que é um campeão de truco, que aprendeu jogar com o povo mineiro”, afirmou.
As declarações ocorreram durante a reta final da campanha para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25 de outubro).
Desafio começou no debate da Band
A discussão sobre a abertura de sigilos teve início durante o debate presidencial promovido pela TV Band, no último domingo (18).
Na terça-feira (20), Lula apresentou manifestação ao TSE declarando disposição para autorizar o acesso a informações bancárias, fiscais e telefônicas, incluindo dados de familiares, e desafiou Flávio a fazer o mesmo.
O senador respondeu com uma petição que ampliou o alcance da proposta, incluindo documentos administrativos e informações de empresas e pessoas próximas ao presidente.
Com a aceitação anunciada pela campanha petista, a disputa passa a envolver a formalização das condições e a eventual apresentação das autorizações necessárias.
Até o momento, o anúncio de concordância entre as partes não significa que tenha ocorrido a quebra efetiva dos sigilos mencionados.
Presidente participa de caminhada em Belo Horizonte
Lula esteve na capital mineira nesta quarta-feira para participar de uma mobilização eleitoral às vésperas do segundo turno.
O presidente chegou por volta das 17h30 à Praça da Estação, onde se reuniu com apoiadores, militantes, eleitores e lideranças políticas.
O grupo seguiu em caminhada em direção ao Mercado Central. A programação inicial previa a continuidade do ato até a Praça Raul Soares, mas o percurso foi encerrado antes.
Durante a mobilização, Lula também fez referência à vitória do Atlético Mineiro sobre o Corinthians, por 4 a 1, nas quartas de final da Copa do Brasil de 2014.
O presidente utilizou o episódio como exemplo de confiança em uma virada, ao incentivar seus apoiadores na reta final da campanha.
A próxima etapa da disputa sobre os sigilos está prevista para esta quinta-feira (22), quando a defesa de Lula deverá apresentar oficialmente sua resposta ao TSE.
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