Política / Eleições
Janones recebe alta após arritmia, compara comunicação de Lula à de Messi e comenta disputa nas redes
Deputado foi internado em São Paulo após o debate presidencial e afirma que aliados devem cuidar da estratégia digital enquanto Lula mantém seu estilo de comunicação.
20/10/2026
13:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado federal André Janones (Rede-MG) recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (20), em São Paulo, após ser internado com arritmia cardíaca e falta de ar. Ao deixar o hospital, o parlamentar comentou a estratégia digital da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comparou o petista ao jogador argentino Lionel Messi e afirmou que o presidente não precisa mudar sua maneira de se comunicar para alcançar o público nas redes sociais.
Janones havia sido internado na madrugada de segunda-feira (19), depois de acompanhar o debate presidencial entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18).
Segundo o deputado, o presidente já possui experiência e capacidade de comunicação suficientes para estabelecer contato com os eleitores. Na avaliação dele, a adaptação das mensagens às plataformas digitais deve ficar sob responsabilidade dos integrantes da campanha que atuam diretamente nas redes.
“O Lula é o maior comunicador da história desse país”, afirmou Janones, ao comentar o desempenho do presidente.
Para explicar sua avaliação, Janones recorreu a uma comparação com Lionel Messi, um dos principais nomes do futebol mundial.
Na interpretação do parlamentar, assim como um jogador experiente pode contar com companheiros mais jovens para executar determinadas funções em campo, Lula deve concentrar seus esforços na comunicação direta com a população, enquanto aliados trabalham na divulgação de suas mensagens pela internet.
“O Lula simplesmente precisa de a gente fazer o trabalho nas redes sociais enquanto ele brilha”, declarou.
Janones também elogiou a participação do presidente no debate contra Flávio Bolsonaro, classificando a apresentação como uma das melhores de sua trajetória política.
O deputado destacou o uso do humor e de respostas que ganharam repercussão nas plataformas digitais.
Entre os episódios mencionados está uma resposta de Lula a um questionamento de Flávio sobre o voto de pessoas privadas de liberdade que mantêm seus direitos políticos.
Na ocasião, o presidente afirmou que gostaria de receber até mesmo o voto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de seu adversário.
A declaração circulou nas redes sociais, gerou montagens e foi reproduzida em diferentes idiomas.
Janones é responsável pela criação do canal Exército do Lula, no WhatsApp, que, segundo os números divulgados, reúne mais de 5,6 milhões de apoiadores.
O espaço é utilizado para distribuir conteúdos políticos e orientar participantes sobre formas de divulgar mensagens favoráveis à candidatura do presidente.
O parlamentar afirmou que acompanha constantemente as reações do público nas redes sociais e utiliza essas informações para decidir quais conteúdos serão compartilhados.
Segundo ele, a estratégia não segue necessariamente um planejamento rígido, pois depende dos acontecimentos e da repercussão de cada momento da campanha.
“De fato não existe nenhuma estratégia, porque eleição é momento, é sentimento”, afirmou.
O deputado considera que a capacidade de responder rapidamente aos acontecimentos pode influenciar a circulação de mensagens e o envolvimento dos usuários nas plataformas digitais.
Durante a entrevista, Janones também avaliou a disputa entre grupos políticos pela atenção dos usuários das redes sociais.
Na opinião dele, setores da esquerda ampliaram sua presença digital e passaram a disputar espaço com movimentos ligados à direita, que tiveram forte atuação nesse ambiente nos últimos anos.
“A extrema-direita nunca mais vai ter hegemonia nas redes sociais”, declarou.
A afirmação representa uma avaliação política do deputado. Não foram apresentados dados comparativos suficientes para confirmar uma mudança definitiva de predominância entre os grupos nas plataformas.
Janones atribuiu o crescimento da atuação digital de aliados de Lula à maior familiaridade com ferramentas de divulgação, funcionamento dos algoritmos e mobilização de apoiadores.
Ele também defendeu a ideia de que o engajamento nas redes pode antecipar tendências identificadas posteriormente em pesquisas eleitorais.
No entanto, indicadores de popularidade digital não permitem, isoladamente, determinar a intenção de voto ou o resultado de uma eleição.
Com a votação marcada para domingo (25), Janones afirmou que considera importante ampliar o diálogo com eleitores indecisos e pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno.
O deputado também defendeu que a campanha priorize a apresentação de argumentos, em vez de concentrar sua comunicação em ataques pessoais ao adversário.
Na avaliação dele, há diferenças entre eleitores que mantêm identificação política consolidada com o bolsonarismo e aqueles que apoiam Flávio Bolsonaro por considerá-lo uma alternativa eleitoral.
“Esse cara a gente ainda consegue convencer se a gente trouxer ele para a argumentação”, afirmou.
As declarações refletem a estratégia defendida pelo parlamentar e não indicam, por si só, mudanças efetivas nas preferências do eleitorado.
Janones também comentou as circunstâncias de sua hospitalização.
O deputado relatou que vinha enfrentando uma rotina de alimentação inadequada e poucas horas de sono, chegando a descansar, segundo ele, no máximo três horas por noite nos dias anteriores.
Ele associou esses hábitos ao problema de saúde que motivou sua internação, embora não tenha apresentado uma conclusão médica sobre a causa da arritmia.
O parlamentar descartou ter sofrido alguma emoção intensa durante o debate ou provocação específica de adversários políticos que pudesse relacionar ao episódio.
Após receber alta, anunciou que faria uma manifestação aos integrantes de seu canal no WhatsApp às 13h13, horário escolhido em referência ao número eleitoral do PT.
Com a saída do hospital, Janones voltou a comentar publicamente a campanha presidencial, mantendo sua atuação na comunicação digital na reta final do segundo turno.
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