Política / Eleições
Jovens ampliam mobilização nas ruas e redes sociais por Lula e Flávio no segundo turno
Com 14,9 milhões de eleitores de 16 a 24 anos nas urnas no primeiro turno, apoiadores dos dois candidatos intensificam ações para conquistar votos e reduzir a abstenção.
17/10/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou força entre os jovens brasileiros na reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Apoiadores dos dois candidatos intensificaram atividades em universidades, escolas, ruas e redes sociais, buscando conquistar eleitores indecisos, estimular a participação nas urnas e ampliar o alcance das campanhas.
A movimentação ocorre após o resultado apertado do primeiro turno e envolve principalmente eleitores de 16 a 24 anos, faixa etária que registrou 14,9 milhões de votantes na primeira etapa das eleições de 2026.
O número representa uma redução de aproximadamente 2 milhões de jovens em comparação com 2022, quando 16,9 milhões de brasileiros dessa idade compareceram às urnas.
A diminuição também acompanha a queda no total de eleitores aptos a votar nessa faixa etária, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os dados eleitorais mostram que a quantidade de brasileiros de 16 a 24 anos habilitados a votar passou de 21,4 milhões em 2022 para 19,2 milhões em 2026, uma redução de 2,2 milhões de eleitores.
O comparecimento também apresentou queda, passando de 16,9 milhões para 14,9 milhões no mesmo período.
Considerando os números arredondados divulgados, a participação dos jovens aptos a votar ficou próxima de 78% nas duas eleições.
No Brasil, o voto é facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos e obrigatório a partir dos 18 anos, ressalvadas as demais exceções previstas na legislação eleitoral.
Com a proximidade da votação decisiva, grupos ligados às duas candidaturas passaram a concentrar esforços na mobilização desse público.
Entre os jovens que apoiam a reeleição de Lula, uma das estratégias é ampliar a presença em espaços públicos e instituições de ensino.
A estudante Isadora de Oliveira, de 24 anos, participou da organização de uma manifestação favorável ao presidente realizada em 13 de outubro, em Brasília, que, segundo o relato divulgado, reuniu cerca de 60 mil pessoas.
Ela defende que a mobilização vá além dos atos tradicionais de campanha, alcançando locais frequentados diariamente pela população.
“A gente quer ocupar faculdades, ônibus, metrô e conversar com as pessoas”, afirmou.
Segundo Isadora, o objetivo é apresentar argumentos políticos e estimular a participação de estudantes e trabalhadores na etapa final da eleição.
Outra iniciativa adotada por apoiadores do presidente são as chamadas banquinhas vira-voto, instaladas em universidades e pontos de circulação de passageiros.
A jovem Bruna Lima, de 20 anos, participa dessas atividades, que buscam estabelecer conversas diretas com pessoas que votaram em Flávio Bolsonaro ou deixaram de comparecer às urnas.
Ela explica que a proposta é ouvir os motivos das escolhas eleitorais e apresentar informações para tentar modificar posicionamentos.
“A gente está indo sempre para olhar olho no olho do trabalhador”, declarou.
Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, a mobilização também envolve atividades presenciais, especialmente no ambiente universitário.
João Pedro Porto, de 18 anos, coordena um grupo de estudantes contrário à reeleição de Lula.
Desde o encerramento do primeiro turno, ele relata ter organizado adesivaços e manifestações nas proximidades da faculdade onde estuda.
Segundo João Pedro, a participação coletiva estimula outros estudantes a manifestarem suas posições políticas.
“Quando o estudante vê outras pessoas que pensam como ele, percebe que não está sozinho”, afirmou.
A estratégia busca ampliar a visibilidade da candidatura do PL e incentivar a participação de jovens que compartilham as propostas defendidas pelo senador.
As plataformas digitais também ganharam importância nas ações dos dois grupos.
Aos 22 anos, Alexandra Carvalho, apoiadora de Flávio Bolsonaro, criou um canal de mensagens para distribuir materiais de campanha e organizar atividades entre estudantes.
O grupo compartilha conteúdos diariamente e participa da organização de reuniões e manifestações na universidade.
Alexandra considera que a atuação digital precisa estar associada à presença em espaços públicos.
“A nossa força não pode ficar apenas nas telas”, afirmou.
Do lado da campanha de Lula, Daniella Dutra, de 21 anos, decidiu transformar seu perfil privado em uma página aberta para discutir política e divulgar conteúdos relacionados ao segundo turno.
A jovem afirma que passou a publicar com maior frequência e estabelecer contato com pessoas de outros estados.
O objetivo, segundo ela, é alcançar eleitores que não acompanham habitualmente as publicações de sua rede de contatos.
“É importante ir para a rua, mas também fazer a mobilização nas redes sociais”, declarou.
A participação eleitoral também mobiliza adolescentes que ainda não são obrigados a votar.
A estudante Maria Clara Lobão, de 16 anos, passou a discutir propostas e posicionamentos políticos com colegas da escola.
Ela relata perceber mudanças na maneira como pessoas de sua idade formam opiniões sobre os candidatos.
Segundo a estudante, alguns jovens passaram a pesquisar informações por conta própria, em vez de apenas reproduzir as preferências políticas de familiares.
“Hoje pensam diferente, estão mais velhos e pesquisam por conta própria”, afirmou.
A participação de adolescentes nas discussões eleitorais demonstra como o debate político também alcança quem está começando a exercer o direito ao voto.
Para a cientista política Marcela Machado, o segundo turno tende a provocar maior envolvimento dos jovens porque a disputa fica concentrada em apenas duas candidaturas.
Ela explica que a participação de amigos, colegas e pessoas próximas pode influenciar a decisão de quem ainda não escolheu um candidato ou demonstra pouco interesse pela campanha.
A especialista também destaca que os jovens funcionam como intermediários na circulação de informações políticas dentro de seus grupos sociais.
Ao compartilhar conteúdos e promover debates, eles podem alcançar pessoas que não acompanham o horário eleitoral ou os perfis oficiais dos candidatos.
Esse processo, segundo Marcela, ajuda a explicar por que manifestações, publicações e conversas presenciais ganham intensidade na reta final das eleições.
A poucos dias do segundo turno, as atividades organizadas por apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro mostram diferentes formas de participação da juventude no processo eleitoral.
Enquanto alguns grupos priorizam manifestações e conversas presenciais, outros investem na circulação de conteúdos digitais, encontros universitários e debates em escolas.
As ações têm objetivos semelhantes: ampliar o comparecimento às urnas, conquistar votos e mobilizar eleitores que ainda não definiram sua escolha.
O segundo turno das eleições presidenciais será realizado em domingo, 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.
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