Trabalho / Direitos
Congresso promulga fim da escala 6x1 com presença de Lula; jornada será reduzida a partir de dezembro
Mudança prevê redução inicial de 44 para 42 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso; limite cairá para 40 horas após um ano.
16/10/2026
08:30
MARCO EUSÉBIO
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Congresso Nacional promulgou, nesta sexta-feira (16 de outubro), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6x1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um. A cerimônia, realizada em Brasília, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de autoridades dos poderes Executivo e Legislativo. As primeiras mudanças estão previstas para entrar em vigor em dezembro de 2026.
A nova regra estabelece uma redução gradual da jornada semanal, atualmente limitada a 44 horas, sem alteração para os trabalhadores que já cumprem cargas horárias inferiores aos novos limites.
Na primeira etapa, prevista para começar dois meses após a promulgação, a jornada máxima será reduzida para 42 horas semanais, com organização do trabalho em cinco dias de atividade e dois dias de descanso. Um ano depois, o limite passará para 40 horas semanais.
A mudança terá impacto sobre empresas e trabalhadores de todo o país, incluindo Mato Grosso do Sul, onde atividades como comércio, indústria e prestação de serviços precisarão observar as novas regras de organização das jornadas.
A sessão solene foi aberta às 10h pelo presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Participaram da cerimônia o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o presidente Lula, que se reuniu com Alcolumbre antes do início da solenidade.
Durante a abertura, Alcolumbre convidou o senador Paulo Paim (PT-RS) para acompanhar os trabalhos na Mesa Diretora, em reconhecimento à trajetória do parlamentar na defesa dos direitos trabalhistas.
“Precisamos fazer uma homenagem a um grande ser humano, grande brasileiro, que teve nas últimas quatro décadas lutando por essa conquista”, afirmou Alcolumbre.
O presidente do Congresso destacou que a aprovação da proposta representa o resultado de uma discussão histórica sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil.
A PEC foi aprovada pelo Senado Federal na quarta-feira (14), após votação em dois turnos.
Em ambas as votações, a proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário, superando o mínimo constitucional de 49 votos exigido para aprovação de emendas à Constituição naquela Casa.
Após a votação, Lula comemorou o resultado nas redes sociais e relacionou a aprovação à mobilização dos trabalhadores.
“Foi um momento extraordinário para o povo brasileiro. Eu tenho certeza que uma conquista como essa jamais será revogada porque não foi uma conquista burocrática. Foi uma conquista que saiu da rua e do desejo histórico do trabalhador”, declarou o presidente.
A mudança constitucional prevê duas etapas para a redução da carga horária:
Regra anterior: jornada máxima de 44 horas semanais, com possibilidade de escala de seis dias de trabalho e um de descanso.
A partir de dezembro de 2026: limite de 42 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Após um ano da promulgação: redução do limite para 40 horas semanais, mantendo a organização prevista de cinco dias de trabalho e dois de folga.
A aplicação das novas regras exigirá ajustes na distribuição das horas de trabalho, especialmente em atividades que funcionam diariamente ou durante os fins de semana.
Antes da emenda sobre a jornada de trabalho, o Congresso promulgou a proposta que estabelece aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde.
O texto prevê idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, desde que cumpridos 25 anos de contribuição e de exercício na atividade.
A proposta havia sido aprovada pelo Senado em julho e também foi destacada durante a sessão solene.
O deputado federal Carlos Veras (PT-SE) ressaltou o significado das duas medidas para os trabalhadores.
“Hoje é um dia de muita emoção para todos nós. Nenhum direito é conquistado sem a força, sem a luta da classe trabalhadora”, afirmou.
Alcolumbre também relacionou as duas promulgações à ampliação de direitos.
“São duas conquistas enormes, com o mesmo significado: dignidade para o trabalhador brasileiro. Assumi o compromisso de colocar as propostas em votação. Cumpri a minha palavra”, declarou.
A transição gradual permitirá que empregadores e trabalhadores ajustem a distribuição dos horários conforme os novos limites constitucionais.
Com a promulgação, a mudança deixa de ser apenas uma proposta em discussão no Congresso e passa a integrar a Constituição Federal, com aplicação prevista em etapas.
O primeiro efeito está programado para dezembro deste ano, quando a jornada máxima semanal deverá cair para 42 horas, seguido da redução para 40 horas semanais em outubro de 2027.
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