Internacional / Diplomacia
Netanyahu chama Brasil de “país pequeno” e sugere nova visita se Flávio Bolsonaro vencer eleição
Primeiro-ministro de Israel relembrou a posse de Jair Bolsonaro em 2019 durante evento em Jerusalém; declaração ocorre em meio às relações desgastadas com o governo Lula
15/10/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou o Brasil de “país pequeno” ao recordar sua participação na posse do ex-presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019. Durante um discurso realizado na quarta-feira (14), em Jerusalém, o líder israelense também sugeriu que poderá voltar ao país, numa referência à possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
A declaração ocorreu durante a inauguração da embaixada da Colômbia em Jerusalém, quando Netanyahu comentou suas viagens à América Latina e a relação de Israel com os países da região.
“Fomos a um pequeno país chamado Brasil para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez façamos isso novamente”, afirmou.
O comentário foi feito a menos de duas semanas da disputa entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Premiê defende aproximação com a América Latina
Durante o pronunciamento, Netanyahu lembrou que sua primeira viagem à América Latina ocorreu em 2017, quando visitou Colômbia, Argentina e México.
Posteriormente, retornou à região para participar da posse de Jair Bolsonaro, ocasião que marcou uma aproximação política entre os governos brasileiro e israelense.
O primeiro-ministro também manifestou interesse em ampliar a presença diplomática de Israel na América Latina. Ao comentar um mapa utilizado em seu gabinete, pediu que a região fosse incluída na representação.
“Coloque um mapa que inclua a América Latina. Toda a África, toda a Ásia, porque o mundo está voltando”, declarou.
A manifestação ocorreu em um contexto de aproximação do governo israelense com lideranças conservadoras de diferentes países.
Relação com Bolsonaro marcou mudança diplomática
Durante o governo de Jair Bolsonaro, Brasil e Israel buscaram estreitar relações políticas, comerciais e diplomáticas.
Bolsonaro, que manifestava admiração por Israel, chegou a anunciar a intenção de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo a decisão adotada pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump.
A transferência, entretanto, não foi concretizada.
A localização das embaixadas em Israel envolve uma questão diplomática sensível. O governo israelense considera Jerusalém sua capital, enquanto os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino.
O status definitivo da cidade permanece entre os principais pontos de divergência no conflito entre israelenses e palestinos.
Guerra em Gaza agravou crise entre Brasil e Israel
A relação entre os dois países mudou durante o terceiro mandato do presidente Lula, especialmente após o início da ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza.
O governo brasileiro passou a criticar a atuação de Israel no território palestino, enquanto autoridades israelenses reagiram às declarações do presidente brasileiro.
A crise diplomática se intensificou em fevereiro de 2024, quando Lula comparou a ofensiva israelense ao Holocausto.
Em resposta, o governo de Netanyahu declarou o presidente brasileiro persona non grata em Israel.
O Brasil convocou seu embaixador em Tel Aviv, Frederico Meyer, para consultas. Posteriormente, o diplomata foi transferido para outra função, e a representação brasileira passou a ser comandada por um encarregado de negócios.
Nesse cenário, a possibilidade de uma nova visita de Netanyahu ao Brasil foi mencionada durante a campanha presidencial, embora o primeiro-ministro não tenha anunciado qualquer viagem oficial.
A declaração evidencia o interesse do governo israelense no resultado da eleição brasileira, em um momento em que as relações diplomáticas entre Brasília e Tel Aviv permanecem marcadas por divergências sobre a guerra em Gaza.
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