Política / Eleições
Renan Santos vota em Lula e vê maior risco de concentração de poder com Flávio Bolsonaro
Quarto colocado no primeiro turno, presidente do Missão não pretende apoiar nenhum candidato e deixa em aberto a possibilidade de anular o voto
15/10/2026
09:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) descartou apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Apesar de rejeitar os dois candidatos, afirmou considerar maior o risco de concentração de poder em um eventual governo de Flávio, diante da possibilidade de uma ampla base de apoio no Congresso Nacional.
Quarto colocado no primeiro turno, Renan apresentou sua posição durante entrevista ao Alt Tabet, programa do Canal UOL, conduzido por Antonio Tabet. Segundo ele, declarar apoio a qualquer um dos candidatos poderia comprometer a construção de uma alternativa política independente.
“Eu não vou votar. A última vez eu pedi voto nulo. Dessa vez eu tô falando: votem em quem quiserem”, declarou.
Ao longo da entrevista, porém, Renan esclareceu que não havia definido completamente sua conduta individual na votação e admitiu a possibilidade de anular o voto. Sua posição pública é de não declarar apoio nem orientar seus eleitores a escolher um dos dois candidatos.
Renan aponta diferença na força política dos candidatos
Ao analisar o cenário eleitoral, o presidente do Missão afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia resultar em maior concentração de poder, especialmente pela perspectiva de uma base parlamentar favorável na Câmara e no Senado.
“Eu acho, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo específico, é maior com o Flávio”, afirmou.
Na avaliação de Renan, o argumento mais consistente apresentado pelo PT contra Flávio seria justamente a possibilidade de o candidato do PL reunir força suficiente no Congresso para aprovar mudanças constitucionais.
Em contrapartida, considera que Lula enfrentaria maiores dificuldades para conseguir apoio parlamentar em um eventual novo mandato.
Presidente do Missão quer manter independência
Renan explicou que sua decisão de não apoiar nenhum dos presidenciáveis está relacionada à intenção de consolidar um espaço político próprio, sem vinculação aos projetos do PT ou do PL.
“Eu não quero, em nenhuma medida, sinalizar para as pessoas que nos seguem, que foram extremamente rígidas com a construção de um projeto novo, que eu vou me acoplar a outro projeto”, declarou.
Questionado sobre a diferença entre sua posição como dirigente partidário e sua escolha pessoal como eleitor, afirmou que poderá anular o voto, dependendo das circunstâncias no dia da eleição.
Críticas atingem os dois lados da disputa
Durante a entrevista, Renan também criticou as estratégias eleitorais dos adversários. Na sua avaliação, o PT estaria apostando na mobilização de sua estrutura política, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro demonstraria excesso de confiança na vitória.
O ex-candidato afirmou enxergar tendências autoritárias nos dois projetos, mas disse não acreditar na possibilidade de um golpe militar.
Ao comentar o perfil político de Flávio, fez acusações de práticas ilícitas, associando o candidato a acordos políticos e corrupção. As declarações representam acusações e avaliações de Renan, não fatos comprovados.
Futuro político não depende do resultado do segundo turno
Renan afirmou que pretende concentrar seus esforços no fortalecimento do Partido Missão e na formação de um campo político independente das duas principais forças que disputam a Presidência.
“Ou eu crio meu campo político ou eu desisto da política”, declarou.
Para o ex-candidato, a consolidação desse projeto terá maior importância para seu futuro político do que a escolha entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
“Eu preciso abrir o meu campo, e isso é a melhor coisa que eu posso fazer pelo Brasil, mais do que o meu voto”, concluiu.
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