Política / Eleições
Flávio promete manter fim da escala 6x1, descarta reeleição e responde sobre caso Master
Em entrevista à TV Globo, candidato do PL também comentou investigações contra aliados, financiamento de filme sobre Bolsonaro e propostas para economia e segurança.
16/10/2026
21:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou que manterá o fim da escala de trabalho 6x1, prometeu não disputar a reeleição caso vença o segundo turno e respondeu a questionamentos sobre o financiamento de um filme dedicado à trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram feitas na sexta-feira (16 de outubro), durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo.
O candidato também apresentou propostas para reduzir despesas federais, defendeu mudanças no Judiciário e comentou investigações envolvendo políticos aliados no Rio de Janeiro. Questionado sobre a possibilidade de oferecer um cargo ao pai em um eventual governo, disse que o assunto não foi discutido entre eles.
A entrevista foi transmitida pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1, como parte da cobertura do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, havia participado da mesma série na quinta-feira (15).
Um dos principais assuntos da entrevista foi a mudança de posição do senador sobre o fim da jornada de seis dias de trabalho para um de descanso.
Flávio, que anteriormente criticava a proposta por considerá-la eleitoreira, votou favoravelmente à mudança aprovada pelo Congresso Nacional nesta semana.
Segundo ele, a decisão foi tomada depois de ouvir trabalhadores durante viagens pelo país.
“Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas”, afirmou.
O candidato assegurou que, se eleito, respeitará a decisão do Congresso e manterá os direitos trabalhistas previstos na mudança.
Apesar disso, argumentou que a ampliação do descanso semanal não resolverá outros problemas enfrentados pela população, como a perda do poder de compra e a insegurança pública.
Flávio também foi questionado sobre propostas defendidas por aliados que preveem alterações na remuneração proporcional às horas trabalhadas. Respondeu que não pretende questionar a legislação aprovada.
“Todos os direitos trabalhistas estão garantidos”, declarou.
Flávio Bolsonaro reafirmou a proposta de acabar com a possibilidade de reeleição para presidente da República.
Segundo o senador, sua intenção é exercer apenas um mandato, mesmo que o Congresso não aprove uma eventual mudança constitucional.
Ele deixou em aberto, entretanto, a duração desse período. O candidato já havia defendido a possibilidade de ampliar o mandato presidencial de quatro para cinco anos, simultaneamente ao fim da reeleição.
Durante a entrevista, explicou que caberia ao Legislativo decidir sobre a duração do mandato.
“Eu só preciso de um mandato, eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade”, afirmou.
O candidato também disse que não apoiaria alterações nas regras eleitorais destinadas a beneficiar uma eventual candidatura de familiares à sua sucessão.
Na área econômica, Flávio apresentou medidas que, segundo ele, poderiam produzir um ajuste de aproximadamente R$ 200 bilhões nas contas públicas.
Entre as propostas estão a redução de pelo menos dez ministérios, a venda de imóveis pertencentes à União, a securitização de dívidas e medidas de combate à corrupção e à má gestão de empresas estatais.
O senador também citou a exploração de petróleo na Margem Equatorial como possível fonte de novas receitas.
Questionado sobre a preservação de políticas sociais e despesas obrigatórias, afirmou que pretende manter o aumento real do salário mínimo, acima da inflação, e a vinculação dos reajustes das aposentadorias ao piso nacional.
Também negou a intenção de retirar os limites mínimos constitucionais de investimento em saúde e educação.
Ao falar sobre a securitização de créditos da União, sustentou que a medida poderia gerar receitas superiores a R$ 200 bilhões por ano.
A entrevista não apresentou uma demonstração detalhada que permitisse verificar se o conjunto das medidas seria suficiente para alcançar o ajuste fiscal anunciado.
O candidato também respondeu a perguntas sobre o financiamento de Dark Horse, filme dedicado à trajetória de Jair Bolsonaro.
A jornalista Renata Lo Prete questionou por que Flávio procurou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para obter recursos destinados à produção.
Também perguntou sobre a previsão de R$ 134 milhões em financiamento, enquanto o custo informado pela produtora Go UP Entertainment seria de aproximadamente R$ 75 milhões.
Flávio afirmou que havia conversado com outros possíveis investidores antes de procurar Vorcaro e que o empresário concordou em participar do projeto.
“Era um contrato que não foi cumprido”, declarou.
O senador disse que a produção foi concluída com recursos de Vorcaro e de outros investidores. Também afirmou que os valores tinham natureza de patrocínio e negou ter oferecido qualquer contrapartida relacionada ao exercício de seu mandato.
Outro ponto abordado foi a transferência de quase R$ 70 milhões para um fundo nos Estados Unidos, administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato.
Flávio sustentou que a produtora brasileira prestou contas sobre o projeto e que as despesas dependiam de autorização do fundo.
Segundo as informações apresentadas na entrevista, o senador é investigado pela Polícia Federal em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas ao financiamento da produção.
A existência da investigação não representa conclusão de responsabilidade criminal.
O funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) também foi discutido.
Flávio Bolsonaro defendeu mudanças no Judiciário e voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, a quem atribuiu uma suposta atuação político-partidária.
O candidato afirmou que considera necessário recuperar a credibilidade das instituições judiciais e defendeu a possibilidade de impeachment de ministros que cometam crimes de responsabilidade.
As acusações contra Moraes foram apresentadas como avaliação do senador, sem demonstração de sua procedência durante a entrevista.
Questionado sobre suspeitas de vínculos entre o ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, e o empresário Daniel Vorcaro, Flávio respondeu que o magistrado também deve ser investigado caso existam elementos que justifiquem a apuração.
“Todo mundo tem que estar abaixo da lei”, afirmou.
Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a possibilidade de nomear o pai, Jair Bolsonaro, para alguma função caso seja eleito presidente.
O ex-presidente está preso, cumprindo pena de 27 anos em decorrência de condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.
O senador criticou o julgamento e afirmou que nunca discutiu com o pai a possibilidade de participação formal em um futuro governo.
Segundo ele, a hipótese “não está no radar”.
Flávio acrescentou que poderá consultar o ex-presidente sobre decisões políticas e administrativas, independentemente da ocupação de um cargo.
Em relação ao irmão Eduardo Bolsonaro, também descartou sua nomeação para o Ministério das Relações Exteriores.
“Não, ele não vai ser meu chanceler”, respondeu.
A entrevista abordou ainda investigações envolvendo políticos próximos ao campo político de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.
Entre os nomes mencionados estão Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito e investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos com milícias, e Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa, suspeito de ligação com o Comando Vermelho.
Os dois foram citados em razão de prisões relacionadas às respectivas investigações.
Também foi mencionado o ex-governador Cláudio Castro (PL), declarado inelegível pela Justiça Eleitoral por abuso de poder.
Flávio afirmou que recebeu com surpresa as informações sobre os aliados e defendeu o direito de defesa dos investigados.
“Acho que as pessoas têm o direito de se defenderem e provar a sua inocência”, declarou.
O candidato acrescentou que eventuais irregularidades devem ser apuradas e seus responsáveis punidos conforme a legislação.
Os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, também foram abordados durante a entrevista.
Flávio condenou a destruição de patrimônio público e as agressões contra policiais, mas questionou o enquadramento dos acontecimentos como tentativa de golpe de Estado.
O senador citou exemplos de pessoas que, segundo ele, não teriam participado diretamente de atos violentos e defendeu punições proporcionais às condutas individuais.
As declarações foram feitas apesar das decisões judiciais que reconheceram a existência de uma tentativa de ruptura institucional relacionada aos acontecimentos.
Questionado sobre o resultado do segundo turno, Flávio afirmou que aceitará a decisão das urnas, mesmo em caso de derrota.
“Eu vou disputar as eleições com as regras que estão aí, independente de qual for o resultado, eu vou respeitar”, declarou.
Na área de segurança pública, o candidato defendeu ampliar o acesso legal da população às armas de fogo e revisar dispositivos do Estatuto do Desarmamento.
Flávio criticou estudos que relacionam maior circulação de armas ao aumento da violência e sustentou que cidadãos que cumpram os requisitos legais devem poder adquirir armamentos para defesa pessoal e patrimonial.
Questionado sobre propostas que poderiam dificultar o rastreamento de munições, o senador direcionou sua resposta à necessidade de combater organizações criminosas.
Também prometeu mobilizar as Forças Armadas e as polícias estaduais contra o narcotráfico.
Segundo ele, uma das primeiras medidas de seu eventual governo seria reunir comandantes militares e representantes das forças de segurança para organizar ações conjuntas.
O candidato citou a possibilidade de empregar o Exército e a Força Aérea Brasileira na fiscalização da fronteira com a Bolívia, além de defender a participação brasileira no Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos.
A jornalista também questionou o senador sobre episódios do governo Jair Bolsonaro envolvendo mudanças no comando da Polícia Federal.
Flávio negou que o pai tenha realizado substituições para proteger familiares de investigações.
Segundo o candidato, a troca de dirigentes teria ocorrido por insatisfação com os resultados apresentados.
Ao ser lembrado da saída do então ministro da Justiça Sergio Moro, afirmou que o ex-ministro havia manifestado intenção de deixar o governo.
O senador mencionou ainda a eleição de Moro ao governo do Paraná, no primeiro turno de 2026, e destacou a atual aproximação política entre os dois.
Flávio Bolsonaro também apresentou propostas para a saúde pública e afirmou que pretende dar autonomia ao futuro ministro da área.
O nome indicado por ele para ocupar o cargo é o médico Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein.
Questionado sobre a atuação do profissional em uma eventual emergência sanitária, o senador assegurou que o ministro teria liberdade para adotar as medidas necessárias.
Entre as propostas citadas estão a ampliação da telemedicina, a adoção de práticas de gestão hospitalar e a criação de um prontuário eletrônico unificado.
A intenção, segundo o candidato, é permitir a integração de informações dos pacientes entre as redes municipal, estadual, federal e privada de saúde.
No encerramento da entrevista, Flávio voltou a criticar o governo Lula e apresentou três compromissos de campanha: cumprir as promessas feitas aos eleitores, melhorar a economia e reforçar a segurança pública.
A série de entrevistas da Globo começou na quinta-feira (15), com a participação do presidente Lula, que disputa a reeleição.
Na ocasião, o petista abordou temas como a redução da maioridade penal para crimes hediondos e a necessidade de investigar suspeitas envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Os dois candidatos foram convidados para o debate presidencial da TV Globo, previsto para 23 de outubro, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli.
O encontro deverá ser transmitido pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1, dois dias antes do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.
Informações da entrevista também confirmadas em reportagens publicadas em 16 e 17 de outubro.
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