Política / Eleições 2026
Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro frustra eleitores por ataques e falta de propostas
Pesquisa qualitativa com 12 participantes aponta críticas aos dois presidenciáveis; apenas uma indecisa definiu o voto após o confronto de domingo (18).
18/10/2026
22:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O primeiro debate do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou uma avaliação predominantemente negativa entre os 12 eleitores que participaram de uma pesquisa qualitativa realizada na noite deste domingo (18 de outubro), em São Paulo. A troca de acusações, o tom agressivo e a falta de propostas concretas foram as principais críticas ao confronto, que antecede a votação presidencial marcada para 25 de outubro.
O levantamento, conduzido pelo cientista político Renato Dorgan, diretor-presidente do Instituto Travessia, a pedido do Estadão, reuniu quatro eleitores indecisos, quatro apoiadores de Lula e quatro de Flávio Bolsonaro. Os participantes acompanharam o debate promovido pelo Grupo Bandeirantes, Estadão, TV Gazeta, TV Cultura e Jovem Pan.
A pesquisa foi realizada em uma residência no bairro Vila Mariana, na zona sul da capital paulista. Durante a transmissão, os eleitores utilizaram cartões verdes, amarelos e vermelhos para indicar aprovação, neutralidade ou reprovação às falas dos candidatos.
O estudo tem caráter qualitativo e busca compreender as reações dos participantes. Por envolver apenas 12 pessoas, seus resultados não representam estatisticamente o eleitorado brasileiro nem permitem projetar o resultado da eleição.
As críticas ao desempenho dos presidenciáveis apareceram nos três grupos acompanhados. Termos como decepcionante, triste, vergonhoso, infeliz e irresponsável foram utilizados pelos participantes para descrever o confronto.
Segundo Renato Dorgan, o primeiro bloco concentrou os momentos de maior tensão e influenciou negativamente a percepção dos eleitores sobre o restante do debate.
Na avaliação do pesquisador, Lula apresentou um discurso repetitivo e excessivamente voltado à defesa do próprio governo, enquanto Flávio Bolsonaro adotou uma postura agressiva e deixou questionamentos sem respostas satisfatórias.
Um dos participantes indecisos reclamou que os candidatos desperdiçaram a oportunidade de discutir problemas importantes do país. Ele afirmou esperar propostas mais consistentes de quem pretende ocupar a Presidência da República.
Entre os quatro indecisos, apenas uma eleitora decidiu votar em Lula depois de assistir ao confronto. Ela justificou a escolha por considerar insuficientes as propostas apresentadas por Flávio e mencionou medidas sociais e trabalhistas associadas ao governo petista.
Os outros três participantes permaneceram sem decisão definitiva e admitiram a possibilidade de anular o voto. Caso escolham um candidato, dois demonstraram inclinação por Flávio Bolsonaro e um por Lula.
O desempenho do senador recebeu críticas principalmente nos momentos em que deixou de responder diretamente a perguntas formuladas pelo adversário.
Entre os questionamentos apresentados por Lula estavam a defesa feita por Flávio de um policial militar acusado de matar uma criança no Rio de Janeiro e seu posicionamento contrário à ampliação da licença-maternidade para servidoras públicas estaduais.
A ausência de respostas consideradas esclarecedoras provocou manifestações negativas entre os participantes, inclusive entre aqueles que inicialmente declaravam apoio ao candidato do PL.
Um desses eleitores terminou o debate indeciso, afirmando que esperava explicações mais objetivas do senador.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro recebeu avaliações favoráveis ao abordar o aumento do custo de vida e apresentar propostas para a segurança pública.
A defesa do fim das saídas temporárias de presos e da castração química de condenados por determinados crimes sexuais encontrou receptividade entre parte dos participantes, incluindo eleitores que ainda não haviam definido o voto.
O presidente Lula também enfrentou questionamentos, especialmente quando destacou realizações de sua administração e apresentou uma avaliação positiva da situação do país.
Alguns participantes consideraram que o presidente deveria reconhecer com maior clareza os problemas enfrentados pela população e explicar quais medidas pretende adotar em um eventual novo mandato.
A permanência do PT no comando do governo federal durante diferentes períodos também foi mencionada por eleitores críticos ao presidente.
Em contrapartida, Lula recebeu avaliações positivas ao abordar programas sociais e políticas de transferência de renda.
Segundo Dorgan, o presidente demonstrou maior segurança ao tratar dessas políticas, mas encontrou resistência ao discutir a legislação sobre saídas temporárias de presos.
O pesquisador também observou que a proposta apresentada por Flávio para aproximar a qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS) à do Hospital Albert Einstein não convenceu parte dos participantes.
Os registros feitos durante o debate apontaram maior proporção de avaliações positivas para Lula e de avaliações negativas para Flávio Bolsonaro dentro do grupo observado.
Os percentuais foram os seguintes:
| Avaliação | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| Aprovação (verde) | 44,79% | 39,06% |
| Reprovação (vermelho) | 35,42% | 46,88% |
| Neutralidade (amarelo) | 19,79% | 14,06% |
Os números correspondem à distribuição dos cartões apresentados durante a dinâmica, e não à intenção de voto dos participantes.
Mesmo entre os eleitores que já tinham preferência definida, houve críticas aos respectivos candidatos.
Os apoiadores de Flávio Bolsonaro consideraram pouco detalhadas algumas propostas econômicas e reconheceram que o senador foi vago em determinados assuntos. Já participantes favoráveis a Lula reprovaram sua participação em discussões pessoais e cobraram maior espaço para propostas de governo.
Ao final do encontro, os quatro eleitores inicialmente favoráveis a Lula mantiveram o voto, enquanto um dos quatro apoiadores de Flávio passou a se declarar indeciso.
Embora os candidatos tenham trocado acusações envolvendo o Banco Master e as suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o tema da corrupção não despertou reações tão expressivas quanto as discussões sobre economia, segurança pública e políticas sociais.
A avaliação geral dos participantes foi de que o confronto poderia ter oferecido mais esclarecimentos sobre os problemas nacionais e as propostas dos dois candidatos.
Com o segundo turno marcado para domingo (25 de outubro), a experiência mostrou que, entre os eleitores acompanhados, a apresentação de propostas e a capacidade de responder diretamente aos questionamentos foram fatores importantes na avaliação dos presidenciáveis.
O resultado também evidenciou que o debate não foi suficiente para resolver as dúvidas da maioria dos participantes que chegaram ao encontro sem candidato definido.
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