Política / Eleições 2026
Lula anuncia abertura de sigilos bancário e telefônico e desafia Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo
Presidente afirma ter assinado documento que inclui seus cinco filhos e promete encaminhá-lo ao TSE nesta terça-feira (20), em meio à disputa do segundo turno.
19/10/2026
19:00
DA REDAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que encaminhará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (20), um ofício manifestando disposição para abrir seus sigilos bancário e telefônico, além dos de seus cinco filhos. A iniciativa foi apresentada durante um ato de campanha em Porto Alegre (RS), na segunda-feira (19), quando o candidato à reeleição desafiou o adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), a adotar a mesma medida.
O anúncio ocorre na última semana antes da votação presidencial, marcada para domingo (25), e amplia o confronto entre os dois candidatos em torno de acusações de corrupção e questionamentos sobre suas famílias.
Durante o discurso, Lula afirmou que decidiu formalizar a iniciativa após o debate promovido pela Band/Estadão, no domingo (18), quando os adversários trocaram acusações.
O presidente disse que pretende permitir a análise de suas informações financeiras e telefônicas pela Justiça e defendeu que o resultado de eventuais investigações seja divulgado à população.
“Eu quero que a Justiça investigue e depois divulgue para o povo brasileiro saber quem é ladrão ou quem não é ladrão neste País”, declarou.
Segundo Lula, a decisão de incluir seus cinco filhos está relacionada às acusações que, conforme afirmou, são dirigidas à sua família durante campanhas eleitorais.
O petista apresentou a medida como uma forma de defender sua trajetória política e a reputação dos familiares.
Durante o ato, também afirmou que a eleição de 2026 será sua última disputa eleitoral.
“Essa é a minha última disputa eleitoral, minha última disputa, e eu não posso deixar que um ladrão tente jogar a minha biografia no lixo”, disse.
A declaração ocorreu em meio a críticas ao adversário, a quem Lula atribuiu acusações de corrupção contra sua família.
Ao comentar o episódio do debate, Lula voltou a atacar Flávio Bolsonaro, chamando o senador de “miliciano” e fazendo acusações de corrupção contra ele e seus familiares.
“Eu não posso permitir que um miliciano fique atrás de mim no debate, com um escrito na mão, 'corrupto'. Porque corrupto é a família dele, é ele. Então, a única coisa que eu estou pedindo é que ele tenha coragem de provar que é honesto”, afirmou.
As declarações representam acusações feitas pelo presidente durante a campanha e não constituem, por si só, comprovação de envolvimento do adversário ou de seus familiares em atividades criminosas.
O desafio para que Flávio também apresente informações bancárias e telefônicas havia sido lançado no debate de domingo e foi reiterado por Lula nas redes sociais na segunda-feira.
Até o momento das declarações relatadas, não havia informação sobre eventual aceitação do desafio pelo candidato do PL.
Embora Lula tenha anunciado a assinatura do ofício, a entrega ao TSE foi prevista para esta terça-feira (20).
A manifestação de disposição para abrir informações protegidas por sigilo não significa, por si só, que os dados já tenham sido disponibilizados ou que exista uma investigação instaurada.
O acesso a informações bancárias e telefônicas deve observar os procedimentos legais e as competências das autoridades responsáveis. No caso dos filhos do presidente, a eventual disponibilização de dados pessoais também depende das exigências jurídicas aplicáveis.
O anúncio foi feito durante um discurso no Largo dos Açorianos, no Centro Histórico de Porto Alegre, onde apoiadores se concentraram para uma caminhada de campanha.
Após a manifestação, Lula iniciou o percurso acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva, do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e do senador eleito pela Bahia, Rui Costa (PT).
O episódio acrescenta um novo tema à reta final da campanha presidencial. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a discussão sobre a abertura de sigilos passa a integrar o confronto político entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto a efetiva apresentação do documento e seus possíveis desdobramentos dependem dos procedimentos das autoridades competentes.
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