Economia / Investigação
CEO da Quaest teria firmado contrato de R$ 1,8 milhão com Banco Master, aponta reportagem
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam negociação de consultoria por R$ 150 mil mensais; Felipe Nunes afirma que serviço era técnico e nega contato com Vorcaro
21/10/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que a instituição negociou a contratação de Felipe Nunes, CEO da Quaest, para prestar serviços de consultoria estratégica no valor de R$ 150 mil mensais. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21 de outubro) pelo portal Metrópoles.
Segundo a reportagem, as conversas ocorreram em setembro de 2024, entre Vorcaro e Ana Matos, integrante da área de marketing do banco. O contrato mencionado nas mensagens teria duração de 12 meses, totalizando R$ 1,8 milhão.
Os diálogos mostram que Ana procurou o então banqueiro para confirmar se ele tinha conhecimento dos valores negociados.
“Consultoria estratégica Felipe Nunes, empresa Quaest, 150 mil mês? 12 meses”, questionou a funcionária.
Vorcaro respondeu que a negociação teria sido conduzida por outra pessoa.
“Acho que Augusto que fechou… Alinha com ele”, escreveu.
Posteriormente, Ana confirmou que o acordo havia sido tratado com Augusto e informou que daria continuidade ao procedimento.
“Sim, foi ele. Como ele está alinhado. Vou seguir, então”, respondeu.

Pagamentos não foram confirmados
Embora as mensagens indiquem uma negociação de R$ 1,8 milhão, a reportagem não esclarece quantas parcelas teriam sido efetivamente pagas pelo Banco Master.
Também não há, nas informações divulgadas, confirmação de que o valor integral do contrato tenha sido desembolsado.
A existência de tratativas comerciais, por si só, não demonstra irregularidade na contratação.
Felipe Nunes nega relação pessoal com Vorcaro
Procurado pelo Metrópoles, Felipe Nunes afirmou que o relacionamento profissional com o Banco Master teve caráter exclusivamente técnico.
O CEO da Quaest declarou que a contratação teria começado antes de surgirem questionamentos públicos sobre a instituição financeira.
Nunes também negou ter mantido contato direto com Daniel Vorcaro, afirmando que nunca interagiu com o ex-banqueiro.
Segundo sua versão, os serviços prestados estavam relacionados à atividade de consultoria, sem envolvimento pessoal com o então controlador do banco.
Mensagens integram material obtido pela PF
As informações divulgadas têm como origem conversas recuperadas do aparelho celular de Vorcaro pela Polícia Federal.
Os diálogos apresentados pelo portal indicam a discussão sobre valores, duração do contrato e encaminhamento administrativo da contratação.
Até o momento, as informações reproduzidas na reportagem não permitem estabelecer o montante efetivamente recebido por Nunes nem apontam, por si só, a existência de conduta ilícita por parte do executivo ou da Quaest.
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