Eleições / Presidência
Quaest: rejeição a Lula cai seis pontos e disputa com Flávio Bolsonaro segue empatada
Presidente reduz rejeição de 53% para 47%, enquanto Flávio registra 45% das intenções de voto contra 44% do petista; diferença está dentro da margem de erro
21/10/2026
10:45
DA REDAÇÃO
A rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caiu seis pontos percentuais em uma semana, passando de 53% para 47%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21 de outubro). A redução foi o movimento mais expressivo entre os principais indicadores do levantamento, que mantém o presidente e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%. A diferença é de apenas um ponto percentual, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
Encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, o levantamento mostra estabilidade nas intenções de voto em relação à pesquisa de 14 de outubro, mas aponta mudanças na rejeição dos candidatos e no comportamento de segmentos específicos do eleitorado.
Confira os resultados da pesquisa Quaest para o segundo turno
Flávio Bolsonaro (PL): 45%, ante 46% na pesquisa anterior.
Lula (PT): 44%, mesmo percentual da semana passada.
Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar: 9%, sem alteração.
Indecisos: 2%, ante 1% no levantamento anterior.
A oscilação de um ponto na intenção de voto de Flávio Bolsonaro não é suficiente para indicar mudança na liderança ou na tendência da disputa.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), classificou o cenário como uma disputa muito acirrada.
"O quadro quase não se alterou entre as duas rodadas. A distância de 2 pontos passou para 1 ponto, mas essa oscilação na margem de erro não nos permite tirar nenhuma conclusão sobre 'virada', 'mudança' ou 'vantagem'", afirmou.
Rejeição a Lula cai de 53% para 47%
O principal movimento registrado pela pesquisa ocorreu no indicador de rejeição ao presidente.
Em apenas uma semana, o percentual de entrevistados que afirmam que não votariam em Lula passou de 53% para 47%, uma redução de seis pontos percentuais.
No mesmo período, a rejeição a Flávio Bolsonaro oscilou de 54% para 52%, queda de dois pontos.
Veja a evolução da rejeição:
Lula: de 53% para 47%, redução de 6 pontos percentuais.
Flávio Bolsonaro: de 54% para 52%, redução de 2 pontos percentuais.
Com os novos resultados, a rejeição ao candidato do PL aparece numericamente cinco pontos acima da registrada pelo presidente.
Outro indicador favorável a Lula foi o aumento do percentual de entrevistados que afirmam que poderiam votar nele, de 47% para 49%.
Apesar da redução na rejeição, a intenção de voto do petista permaneceu em 44%. Isso significa que a melhora nesse indicador ainda não se traduziu em crescimento na pesquisa estimulada.
Lula amplia vantagem entre beneficiários do Bolsa Família
O levantamento também identificou um movimento favorável ao presidente entre os eleitores que recebem o Bolsa Família.
Nesse grupo, Lula passou de 60% para 62% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 31% para 27%.
Confira os números:
Lula: de 60% para 62%.
Flávio Bolsonaro: de 31% para 27%.
Vantagem de Lula: passou de 29 para 35 pontos percentuais.
A diferença entre os candidatos nesse segmento aumentou seis pontos, embora as variações precisem ser interpretadas considerando a margem de erro específica do grupo.
Segundo Felipe Nunes, a pesquisa mostra estabilidade na maior parte dos recortes por região, sexo, renda, raça e escolaridade. O comportamento dos beneficiários de programas sociais é apontado como uma das principais diferenças em relação à rodada anterior.
Entre os entrevistados que recebem o Bolsa Família, 68% afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 27% rejeitam Lula.
Pesquisa espontânea mostra empate de 40% e aumento dos indecisos
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado responde em quem pretende votar sem receber uma lista com os nomes dos candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 40% cada.
O levantamento também registra crescimento expressivo da parcela de eleitores que ainda não sabem em quem votar.
Resultados da pesquisa espontânea:
Lula: 40%.
Flávio Bolsonaro: 40%.
Indecisos: 14%, ante 7% na pesquisa anterior.
Brancos e nulos: 6%, ante 8%.
O percentual de indecisos dobrou em uma semana, mesmo com a proximidade da votação.
Entre as mulheres, a parcela de entrevistadas sem candidato definido passou de 8% para 17%.
Já entre os eleitores independentes, que não se identificam com os principais grupos políticos, o índice aumentou de 13% para 31%.
Para Felipe Nunes, o crescimento da indecisão espontânea é um dos dados mais relevantes do levantamento.
"O dado mais impressionante da pesquisa, no entanto, é aquele que abre o questionário: no voto espontâneo, Flávio e Lula têm o mesmo percentual de intenção de voto: 40%. O que cresceu da rodada anterior foi a indecisão. Dobrou. Saltou de 7% para 14%", analisou.
Aprovação do governo Lula apresenta pequena melhora
A avaliação do governo federal também registrou oscilações numericamente favoráveis ao presidente.
A aprovação da gestão Lula passou de 45% para 46%, enquanto a desaprovação recuou de 48% para 47%.
Veja os resultados:
Aprovação do governo: de 45% para 46%.
Desaprovação: de 48% para 47%.
As alterações são de um ponto percentual e estão dentro da margem de erro da pesquisa.
Mesmo assim, o levantamento mostra uma redução numérica da diferença entre aprovação e desaprovação, que passou de três pontos para um ponto percentual.
Medo da volta dos Bolsonaro supera receio de novo mandato de Lula
A Quaest também perguntou aos eleitores qual dos dois cenários políticos provoca maior preocupação.
O percentual dos que afirmam ter mais medo do retorno da família Bolsonaro ao poder passou de 43% para 44%.
Já o receio de um novo mandato de Lula recuou numericamente de 43% para 42%.
Confira:
Temem mais a volta da família Bolsonaro: 44%.
Temem mais a reeleição de Lula: 42%.
Na pesquisa anterior, os dois cenários registravam 43% cada.
A diferença atual é de dois pontos percentuais, dentro da margem de erro.
Transferência de votos mostra disputa por eleitores do primeiro turno
O levantamento analisou como os eleitores de candidatos que não chegaram ao segundo turno estão distribuindo suas intenções de voto.
Entre os que votaram em Augusto Cury, a preferência por Lula passou de 34% para 48%, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 30% para 33%.
Eleitores de Augusto Cury:
Lula: de 34% para 48%.
Flávio Bolsonaro: de 30% para 33%.
Brancos, nulos ou não vão votar: de 30% para 16%.
Indecisos: de 6% para 3%.
Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro aparece com a maior parcela das intenções de voto.
Eleitores de Ronaldo Caiado:
Flávio Bolsonaro: de 42% para 57%.
Lula: de 23% para 21%.
Brancos, nulos ou não vão votar: de 33% para 22%.
Indecisos: de 2% para 0%.
O mesmo ocorre entre os eleitores de Renan Santos, embora Lula também tenha apresentado crescimento numérico nesse grupo.
Eleitores de Renan Santos:
Flávio Bolsonaro: de 40% para 51%.
Lula: de 14% para 25%.
Brancos, nulos ou não vão votar: de 43% para 24%.
Indecisos: de 3% para 0%.
Esses resultados exigem cautela na interpretação porque as margens de erro são mais elevadas nos grupos menores.
No recorte dos eleitores de Augusto Cury, a margem é de 17 pontos percentuais. Entre os de Ronaldo Caiado, chega a 24 pontos, e entre os de Renan Santos, a 20 pontos.
Eleitores que não votaram ou anularam no primeiro turno
A Quaest também ouviu pessoas que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo na primeira etapa da eleição.
Nesse grupo, Lula aparece numericamente à frente, embora ambos os candidatos tenham registrado oscilações negativas em relação à pesquisa anterior.
Lula: de 43% para 40%.
Flávio Bolsonaro: de 38% para 36%.
Brancos, nulos ou não vão votar: de 17% para 21%.
Indecisos: de 2% para 3%.
A margem de erro desse segmento é de seis pontos percentuais.
Nove em cada dez eleitores dizem ter voto definitivo
Apesar do aumento da indecisão na pesquisa espontânea, a maioria dos entrevistados afirma que sua escolha para o segundo turno já está definida.
Segundo a Quaest:
90% consideram a decisão de voto definitiva.
10% admitem que ainda podem mudar de candidato.
Entre os eleitores de Lula, 90% dizem que a escolha é definitiva e 9% afirmam que podem mudar.
Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 93% consideram o voto definitivo e 7% admitem a possibilidade de alteração.
A pesquisa também indica elevada retenção dos votos recebidos pelos dois candidatos no primeiro turno.
Segundo a análise da Quaest, Lula mantém 95% dos eleitores que votaram nele, enquanto Flávio Bolsonaro conserva 94% de seus apoiadores.
Maioria acredita em vitória de Flávio Bolsonaro
Embora a disputa esteja tecnicamente empatada nas intenções de voto, a percepção dos entrevistados sobre quem vencerá a eleição é diferente.
Para 54%, Flávio Bolsonaro será o vencedor do segundo turno, ante 53% na pesquisa anterior.
Já 37% acreditam na vitória de Lula, percentual que era de 35% há uma semana.
Expectativa de vitória:
Flávio Bolsonaro: 54%, ante 53%.
Lula: 37%, ante 35%.
Esse indicador mede a expectativa dos entrevistados sobre o resultado da eleição, e não a intenção de voto.
Pesquisa ouviu 2.154 eleitores e está registrada no TSE
A pesquisa Quaest foi realizada entre os dias 17 e 20 de outubro de 2026, com 2.154 pessoas de 16 anos ou mais.
O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo e divulgado nesta quarta-feira (21).
A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.
Os resultados indicam uma disputa presidencial sem vantagem estatisticamente demonstrada para qualquer um dos candidatos.
A queda de seis pontos na rejeição de Lula e a ampliação de sua vantagem entre beneficiários do Bolsa Família aparecem entre as principais mudanças da rodada. Entretanto, a estabilidade das intenções de voto mostra que esses movimentos ainda não alteraram de forma significativa o quadro geral.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a eleição chega aos últimos dias de campanha com os dois candidatos tecnicamente empatados.
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