Campo Grande (MS), Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026

Justiça / Política

Richarlison acusa Flávio Bolsonaro e advogado de irregularidades em disputa por mansão de R$ 10 milhões

Jogador cobra devolução de imóvel em Angra dos Reis e apresenta documentos; Lula diz ter pedido investigação à PF, enquanto senador e advogado negam irregularidades

22/10/2026

07:30

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A disputa pelos direitos de ocupação de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), voltou ao centro do debate político após o atacante Richarlison, do Tottenham, acusar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz de envolvimento em supostas irregularidades na transferência da área. O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e sustenta que perdeu os direitos sobre a propriedade sem recuperar o dinheiro aplicado.

O caso ganhou novos desdobramentos na quarta-feira (21 de outubro), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou ter solicitado à Polícia Federal (PF) uma investigação sobre a transferência dos direitos de ocupação para uma empresa vinculada a Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro.

No mesmo dia, Richarlison divulgou documentos que, segundo ele, comprovam a negociação realizada anteriormente por seu grupo. O atleta voltou a exigir a devolução do imóvel e contestou a versão apresentada pelo advogado.

Flávio Bolsonaro nega participação irregular na disputa, enquanto Willer Tomaz afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação da área.

Negociação começou entre 2020 e 2021

A controvérsia teve início quando Richarlison e seus sócios negociaram a aquisição de direitos sobre uma mansão localizada na Ilha Comprida, nas proximidades do aeroporto de Angra dos Reis.

Segundo o jogador, o investimento foi realizado em sociedade com Renato Velasco, seu ex-empresário, e Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG.

Richarlison afirma que Flávio Bolsonaro visitou a propriedade e demonstrou interesse em adquiri-la, mas a proposta não foi aceita.

Em vídeo divulgado no sábado (17), o atacante acusou o grupo ligado ao senador de ter se beneficiado de uma transferência irregular dos direitos sobre o imóvel.

“Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, declarou.

O jogador também questionou a rapidez do procedimento administrativo que teria permitido a regularização da área em favor da empresa de Willer Tomaz.

“A gente estava resolvendo a papelada, e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha”, afirmou.

As declarações representam a versão do atleta sobre os acontecimentos e são contestadas pelos demais envolvidos.

Lula diz ter solicitado investigação à Polícia Federal

O presidente Lula entrou na discussão ao publicar um vídeo nas redes sociais, na quarta-feira, em que questionou as circunstâncias da transferência dos direitos de ocupação.

O petista afirmou ter solicitado à Polícia Federal uma apuração sobre possíveis irregularidades no procedimento.

“Em apenas uma semana, esse Willer Tomaz, possivelmente com a ajuda do Flávio, conseguiu tomar a ilha do Richarlison”, declarou.

Lula também mencionou o valor que o jogador afirma ter investido na propriedade.

“Tô pedindo pra Polícia Federal investigar pra saber aonde é que foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê uma ilha que ele tinha pagado R$ 10 milhões por ela. Nós estamos investigando”, disse.

O presidente ainda dirigiu uma mensagem ao atacante, conhecido nas redes sociais pelo apelido de Pai do Bebê.

“Pode ficar certo, meu querido, que nós vamos dizer a verdade pra você. Tenha paciência que as coisas vão ser esclarecidas”, acrescentou.

Apesar da declaração presidencial, o anúncio do pedido não confirma, por si só, a abertura formal de um inquérito policial.

Richarlison apresenta documentos e cobra devolução

Após ser desafiado por Willer Tomaz a comprovar a aquisição dos direitos sobre a propriedade, Richarlison publicou, na quarta-feira, trechos de contratos e documentos judiciais.

Segundo o atleta, os registros demonstram que seu grupo havia negociado os direitos de ocupação antes de julho de 2022.

“Tá aí a prova, Willer Tomaz. Você falou que se eu tivesse a prova que eu comprei a ilha, você ia devolver a ilha”, afirmou.

O jogador também negou que tenha retomado a discussão por motivos eleitorais.

“Eu quero a ilha de volta, com a casa reconstruída do mesmo jeito que estava antes de você demoli-la”, declarou.

À CNN Brasil, o agente do atacante, Oswaldo Botrel, afirmou que os direitos foram adquiridos de pessoas que ocupavam anteriormente a área.

A propriedade está localizada em terreno pertencente à União, circunstância que torna a disputa diferente de uma compra convencional de imóvel particular.

Nesse caso, a controvérsia envolve a titularidade e a regularidade dos direitos de ocupação, e não a propriedade definitiva do terreno.

Richarlison afirma que seu grupo tentou regularizar a situação na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), mas o procedimento permaneceu sem conclusão por aproximadamente dez meses.

Segundo sua versão, uma solicitação relacionada ao grupo de Willer Tomaz teria sido concluída em prazo consideravelmente menor, em julho de 2022.

A divulgação dos documentos, entretanto, não resolve automaticamente a divergência sobre a validade jurídica dos direitos reivindicados pelas partes.

Flávio Bolsonaro nega envolvimento na transferência

O senador Flávio Bolsonaro afirma que não participou de qualquer irregularidade relacionada à propriedade.

Embora tenha visitado o imóvel em 2021, acompanhado de Willer Tomaz, o parlamentar não figura como parte na ação judicial que discutiu os direitos de ocupação.

Flávio foi incluído como testemunha a pedido de uma das empresas vinculadas ao grupo do jogador.

Quando o caso ganhou repercussão, em novembro de 2022, o senador negou envolvimento na disputa.

“A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema”, escreveu na ocasião.

Em julho de 2026, a assessoria do parlamentar voltou a contestar qualquer ligação comercial com a propriedade.

Segundo a equipe, Flávio “não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com o imóvel em questão”.

A assessoria também classificou a tentativa de associar o senador à disputa como “factualmente infundada e eleitoralmente motivada”.

Advogado diz que comprou direitos legalmente

O advogado Willer Tomaz também rejeita as acusações apresentadas por Richarlison.

Segundo ele, a empresa responsável pela ocupação atual do imóvel adquiriu os direitos de maneira regular.

“Você comprou a ilha de invasores. Eu tenho a escritura de compra e venda”, declarou o advogado ao jogador.

Tomaz sustentou que o grupo de Richarlison teria negociado com pessoas que não possuíam direitos legítimos sobre a área.

Em manifestação encaminhada ao UOL, o advogado exigiu que o atacante apresentasse documentos anteriores a julho de 2022, como escritura pública, contrato registrado ou inscrição na SPU, acompanhados de comprovantes de pagamento.

Willer também afirmou que devolveria os direitos sobre o imóvel caso fossem apresentadas provas válidas da aquisição reivindicada pelo jogador.

O advogado sustenta ainda que as empresas ligadas a Richarlison perderam a disputa judicial e posteriormente desistiram do processo.

Empresa ligada a Willer ficou com os direitos de ocupação

Atualmente, os direitos de ocupação da área são atribuídos à WT Administração de Imóveis, empresa vinculada a Willer Tomaz.

Do lado do jogador, a disputa envolveu a Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada ao ex-empresário Renato Velasco, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, empresa de Richarlison e de seu pai, Antonio Andrade.

O processo tramitou por aproximadamente três anos na Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em 2025, foi mantida uma decisão favorável à empresa ligada ao advogado. Posteriormente, a Sport 70 e Renato Velasco desistiram da ação.

O resultado judicial é utilizado por Willer Tomaz para sustentar a regularidade dos direitos de sua empresa.

Richarlison, por sua vez, mantém as acusações e reivindica a devolução do imóvel e a reconstrução da residência que afirma ter sido demolida.

Justiça rejeitou pedido para impedir novas publicações

A controvérsia também chegou à Justiça do Distrito Federal, depois que Willer Tomaz e sua empresa apresentaram uma ação para tentar impedir novas manifestações de Richarlison sobre o caso nas redes sociais.

O pedido incluía a aplicação de multa de R$ 50 mil por publicação e indenização por danos morais.

A Justiça rejeitou a concessão de uma medida urgente para restringir as declarações do atacante.

Na avaliação do magistrado, impedir antecipadamente as publicações poderia representar censura prévia, vedada pela Constituição Federal.

A decisão, porém, não encerrou a ação, que continua em tramitação.

Disputa permanece sem solução consensual

A nova troca de acusações ampliou a repercussão de um conflito que envolve direitos de ocupação de terreno federal, decisões judiciais e questionamentos sobre procedimentos administrativos.

De um lado, Richarlison afirma ter documentos que comprovam seu investimento de aproximadamente R$ 10 milhões e exige a devolução da propriedade.

De outro, Willer Tomaz sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação, enquanto Flávio Bolsonaro nega participação na negociação ou em qualquer irregularidade.

O pedido de investigação anunciado por Lula acrescentou uma dimensão política ao caso, em meio à disputa presidencial.

Até o momento, as acusações apresentadas pelo jogador não estabelecem, por si só, responsabilidade criminal dos citados. A eventual existência de irregularidades dependerá da análise dos documentos, dos procedimentos administrativos e de possíveis novas investigações.

 


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Municípios

Rebouças Renascença Reserva Reserva do Iguaçu Ribeirão Claro Ribeirão do Pinhal Rio Azul Rio Bom Rio Bonito do Iguaçu Rio Branco do Ivaí Rio Branco do Sul Rio Negro Rolândia Roncador Rondon Rosário do Ivai Sabáudia Salgado Filho Salto do Itararé Salto do Lontra Santa Amélia Santa Cecília do Pavão Santa Cruz Monte Castelo Santa Fé Santa Helena Santa Inês Santa Isabel do Ivaí Santa Izabel do Oeste Santa Lúcia Santa Maria do Oeste Santa Mariana Santa Mônica Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santana do Itararé Santo Antônio da Platina Santo Antônio do Caiuá Santo Antônio do Paraíso Santo Antônio do Sudoeste Santo Inácio Sapopema Sarandi Saudade do Iguaçu São Carlos do Ivaí São Jerônimo da Serra São João São João do Caiuá São João do Ivaí São João do Triunfo São Jorge d'Oeste São Jorge do Ivaí São Jorge do Patrocínio São José da Boa Vista São José das Palmeiras São José dos Pinhais São Manoel do Paraná São Mateus do Sul São Miguel do Iguaçu São Pedro do Iguaçu São Pedro do Ivaí São Pedro do Paraná São Sebastião da Amoreira São Tomé Sengés Serranópolis do Iguaçu Sertanópolis Sertaneja Siqueira Campos Sulina Tamarana Tamboara Tapejara Tapira Teixeira Soares Telêmaco Borba Terra Boa Terra Rica Terra Roxa Tibagi Tijucas do Sul Toledo Tomazina Três Barras do Paraná Tunas do Paraná Tuneiras do Oeste Tupãssi Turvo Ubiratã Umuarama União da Vitória Uniflor Uraí Ventania Vera Cruz do Oeste Verê Vila Alta Virmond Vitorino Wenceslau Braz Xambrê

ParanAgora © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: