Política / Eleições 2026
Voto de Jair Bolsonaro contra cassação de Talvane Albuquerque volta ao debate nas redes sociais
Ex-presidente esteve entre os 29 deputados contrários à perda do mandato do parlamentar em 1999; Talvane foi condenado anos depois pelo assassinato de Ceci Cunha
22/10/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Uma votação realizada na Câmara dos Deputados em 7 de abril de 1999 voltou a repercutir nas redes sociais nesta quinta-feira (22 de outubro), após o deputado federal André Janones (Rede-MG) incentivar buscas no Google pela expressão “Bolsonaro e Talvane Albuquerque”. O episódio envolve o voto do então deputado Jair Bolsonaro contra a cassação do mandato de Talvane Albuquerque, posteriormente condenado a 103 anos de prisão por ordenar o assassinato da deputada federal Ceci Cunha e de três familiares, em Alagoas.
A mobilização digital resgatou um episódio da história política brasileira ocorrido há 27 anos. Na época, Talvane era acusado de envolvimento na chacina, mas ainda não havia sido condenado criminalmente.
Segundo informações publicadas pela revista Veja, a Câmara aprovou a cassação do parlamentar por 427 votos, enquanto 29 deputados, entre eles Jair Bolsonaro, votaram contra a perda do mandato.
A votação ocorreu meses depois do assassinato de Ceci Cunha, ocorrido em 16 de dezembro de 1998, em Maceió (AL).
A decisão da Câmara dos Deputados foi tomada em um processo político por quebra de decoro parlamentar, sem depender de uma condenação definitiva pelo assassinato.
Conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, a cassação considerou diferentes fatos relacionados à conduta de Talvane Albuquerque, incluindo sua proximidade com Maurício Guedes, conhecido como Chapéu de Couro, apontado como envolvido em atividades criminosas.
Entre os elementos examinados estavam informações sobre ameaças contra outros parlamentares e o auxílio prestado à família de Maurício Guedes, circunstâncias discutidas pelo próprio Talvane na Câmara.
O plenário decidiu pela perda do mandato por ampla maioria.
Jair Bolsonaro, que exercia mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro, integrou o grupo minoritário contrário à cassação.
O registro da votação demonstra a posição adotada pelo então parlamentar naquele processo legislativo, mas não constitui, por si só, prova de participação ou conhecimento prévio sobre os assassinatos.
A deputada federal Ceci Cunha foi assassinada em 16 de dezembro de 1998, em Maceió, juntamente com o marido e outros dois familiares.
O crime teve grande repercussão nacional pela violência empregada e pelo envolvimento de pessoas ligadas à política alagoana.
Talvane Albuquerque era o primeiro suplente da parlamentar e, segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, teria determinado os assassinatos para assumir a vaga de Ceci Cunha na Câmara dos Deputados.
A investigação apontou motivação política para a chacina.
Anos depois, Talvane foi condenado pela Justiça a 103 anos de prisão, na condição de mandante dos crimes.
A condenação criminal ocorreu posteriormente à decisão da Câmara que retirou seu mandato parlamentar.
O assunto voltou a circular após André Janones orientar apoiadores identificados como integrantes do chamado Exército do Lula a pesquisarem a expressão que associa Jair Bolsonaro a Talvane Albuquerque.
A iniciativa ocorreu em meio ao debate político nacional e à campanha para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
O episódio passou a ser compartilhado como referência à atuação parlamentar do ex-presidente em 1999.
Embora a expressão tenha recebido divulgação nas redes sociais, o material apresentado não informa números oficiais do Google que permitam quantificar o aumento das buscas.
A retomada do caso ocorre no contexto de novas movimentações políticas em Alagoas.
A vice-governadora eleita Célia Rocha, apontada como amiga próxima de Ceci Cunha, declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente.
A manifestação política foi associada nas redes sociais ao episódio da cassação de Talvane Albuquerque, embora se trate de acontecimentos distintos, separados por quase três décadas.
O apoio eleitoral de Célia Rocha não altera os fatos registrados na votação de 1999 nem a condenação judicial de Talvane.
O caso reúne dois acontecimentos que precisam ser diferenciados: a cassação parlamentar de Talvane Albuquerque, em 1999, e sua condenação criminal, proferida anos depois.
Na primeira situação, a Câmara avaliou a conduta do deputado e decidiu pela perda de seu mandato. Na segunda, a Justiça examinou a responsabilidade pelos assassinatos de Ceci Cunha e de seus familiares.
O voto de Jair Bolsonaro contra a cassação integra o registro político daquele período.
Com a divulgação promovida por Janones, o episódio voltou ao debate público em um momento de disputa eleitoral, reacendendo discussões sobre decisões tomadas por parlamentares e sua repercussão na trajetória política dos envolvidos.
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