Economia / Taxa Selic
Copom corta Selic pela quinta vez seguida e juros caem para 13,75% ao ano
Banco Central reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira; decisão unânime mantém ciclo de queda iniciado em 2026
16/09/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16) reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual e a última reunião do colegiado antes das eleições de outubro.
A decisão foi unânime entre os integrantes do Copom e confirmou a expectativa predominante no mercado financeiro. O Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (14), já apontava projeção de redução para 13,75%, patamar que os analistas consultados pelo BC também estimavam para o encerramento de 2026.
O movimento dá continuidade à flexibilização da política monetária, mas mantém os juros brasileiros em nível elevado. Antes do atual ciclo de redução, a Selic chegou a permanecer em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas.
A desaceleração recente da inflação contribuiu para a decisão. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto e acumula alta de 4,22% em 12 meses. Apesar da melhora, as projeções de inflação continuam exigindo cautela do Banco Central.
A mediana das estimativas do mercado financeiro aponta IPCA de 4,90% no encerramento de 2026, acima do centro da meta de inflação de 3%.
O cenário internacional também permanece no radar do Copom. As tensões no Oriente Médio, seus reflexos sobre o petróleo e as decisões de política monetária das principais economias adicionam incerteza às projeções de preços. Nesta quarta-feira, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou os juros americanos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
A Selic funciona como referência para as demais taxas de juros da economia. Quando ela cai, a tendência é de redução gradual do custo de empréstimos e financiamentos, embora o repasse ao consumidor não ocorra automaticamente nem na mesma proporção.
Juros menores também podem estimular o consumo e os investimentos, ao mesmo tempo em que diminuem a remuneração de aplicações diretamente relacionadas à taxa básica, como determinados investimentos de renda fixa.
O corte também tem efeito sobre as despesas do governo com a dívida pública. Mais da metade da Dívida Pública Federal está vinculada à Selic, o que faz com que mudanças na taxa influenciem o custo de financiamento do Tesouro.
Apesar do novo corte, não há garantia de que o Copom repetirá automaticamente a redução nas próximas reuniões. A condução da política monetária depende da evolução da inflação, atividade econômica, mercado de trabalho, expectativas de preços e cenário internacional.
A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 3 e 4 de novembro, seguida do último encontro do ano, marcado para 8 e 9 de dezembro. O comportamento da inflação nas próximas semanas será um dos principais indicadores para definir se haverá espaço para novos cortes na Selic.
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