Política / Carnaval
'Não sou o carnavalesco': Lula diz que não interferiu em desfile que o homenageou e afirma que enredo exaltou trajetória de Dona Lindu
Oposição protocola novas representações no TSE e aponta possível propaganda eleitoral antecipada
22/02/2026
10:33
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste domingo (22) que não participou da concepção do desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que levou à Marquês de Sapucaí um enredo inspirado em sua trajetória. Questionado sobre críticas ao conteúdo apresentado, Lula afirmou que não cabe a ele opinar sobre o desenvolvimento artístico da apresentação.
“Eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”, disse o presidente.
Lula afirmou que o desfile, mais do que uma exaltação pessoal, representou uma homenagem à sua mãe, Dona Lindu, cuja história de vida teria servido de base narrativa para o enredo.
“É uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. É a saga dela de trazer a gente para São Paulo”, declarou.
O presidente também manifestou gratidão à agremiação e afirmou que pretende visitar a escola para agradecer. Durante a fala, chegou a mencionar São Paulo, mas a Acadêmicos de Niterói é sediada no estado do Rio de Janeiro.
O desfile abordou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste, passando pela migração para São Paulo, atuação como torneiro mecânico, liderança sindical e ascensão à Presidência da República.
Apesar da repercussão, a escola terminou em último lugar e foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro na apuração realizada na quarta-feira (18), recebendo apenas duas notas 10.
A apresentação motivou novas representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Partido Liberal (PL) e o partido Missão protocolaram pedidos questionando possível propaganda eleitoral antecipada e eventual abuso de poder político e econômico.
Ao todo, foram quatro representações na Corte Eleitoral relacionadas ao desfile — duas antes da apresentação e duas após. Além disso, pelo menos dez ações foram protocoladas em diferentes esferas judiciais com argumentos semelhantes.
Em 12 de fevereiro, o TSE rejeitou as duas primeiras liminares, sob o entendimento de que não seria possível intervir antes da realização do desfile. No entanto, os ministros ressaltaram que eventuais condutas poderiam ser analisadas posteriormente.
Ainda não há prazo para julgamento das novas representações. As ações não têm relação direta com denúncia apresentada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
O partido Missão sustenta que o samba-enredo configuraria propaganda antecipada e pede aplicação de multa, além da proibição de uso das imagens do desfile em redes sociais ou campanhas vinculadas ao PT e ao presidente.
O PL, por sua vez, solicitou produção antecipada de provas, requerendo informações sobre recursos financeiros destinados à escola, despesas com hospedagem e deslocamento de autoridades convidadas e tempo de exibição do desfile na televisão aberta.
A legenda argumenta que a homenagem teria se convertido em peça de promoção pessoal de um possível pré-candidato, citando indícios de abuso de poder político e econômico.
O governo federal nega qualquer irregularidade, afirma que não participou da escolha do enredo e sustenta que o apoio financeiro às escolas de samba segue prática institucional recorrente.
Após o julgamento das primeiras ações, o PT orientou seus integrantes a evitar manifestações que pudessem ser interpretadas como propaganda antecipada. Mesmo assim, o caso segue sob análise jurídica e pode gerar novos desdobramentos no âmbito eleitoral.
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