Política / Diplomacia
Pesquisa aponta que 70,5% dos argentinos desaprovam ataques de Milei contra Lula
Levantamento da consultoria Zuban Córdoba repercute entre petistas no Brasil e indica ampla rejeição às declarações do presidente argentino
12/08/2026
13:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Uma pesquisa realizada na Argentina ganhou repercussão entre integrantes e apoiadores do PT no Brasil ao apontar que 70,5% dos entrevistados desaprovam as declarações ofensivas do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento passou a circular em grupos e aplicativos de mensagens entre petistas.
Os dados são da Zuban Córdoba y Asociados, consultoria argentina especializada em pesquisas de opinião pública. O levantamento foi realizado entre 8 e 10 de agosto, por meio de questionário on-line aplicado a 1.200 argentinos com mais de 16 anos.
Segundo a pesquisa, enquanto 70,5% desaprovaram os ataques de Milei contra Lula, 20% disseram aprová-los e outros 9,5% não souberam responder.
O levantamento informa nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Um dos dados que chamou atenção envolve o comportamento dos próprios eleitores do presidente argentino.
Segundo o levantamento, entre os entrevistados que desaprovam as declarações contra Lula, 38,3% afirmaram ter votado em Milei no segundo turno da eleição presidencial argentina de 2023.
Entre aqueles que não souberam avaliar as declarações, 19,2% também declararam voto no atual presidente argentino naquele segundo turno.
Os números passaram a ser compartilhados por petistas como indicativo de que as declarações de Milei contra o presidente brasileiro enfrentam resistência também dentro do eleitorado argentino.
A pesquisa foi divulgada após uma sequência de declarações do presidente argentino contra autoridades brasileiras.
Durante passagem por São Paulo, em julho, Milei participou da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
No evento, o argentino chamou Lula de “ladrão” e “presidiário”. Milei também fez uma declaração ofensiva contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de “lixo careca”.
As manifestações contra Lula continuaram posteriormente em declarações à imprensa argentina.
Nesta terça-feira (11), Milei também compartilhou uma publicação atribuída a um aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que utilizava uma comparação depreciativa contra o presidente brasileiro.
A sequência de episódios ampliou a tensão diplomática entre os governos brasileiro e argentino.
Diante do agravamento das divergências, o Itamaraty chamou o embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, de volta ao Brasil, em meio ao rebaixamento da relação diplomática entre os dois países.
Brasil e Argentina mantêm uma relação econômica relevante, além da participação conjunta no Mercosul, o que aumenta a repercussão de conflitos envolvendo diretamente os presidentes dos dois países.
Segundo Gustavo Córdoba, diretor da Zuban Córdoba y Asociados, a pesquisa não foi encomendada nem financiada por brasileiros.
Ele afirmou que o levantamento foi custeado integralmente com recursos da própria consultoria e integra o boletim mensal “El Domingo de Datos” (DDD).
A empresa já havia incluído o Brasil em levantamentos anteriores e, segundo Córdoba, pretende voltar a medir a percepção dos argentinos sobre Brasil, Lula e as eleições brasileiras.
A pesquisa também perguntou aos participantes sobre a importância econômica do Brasil para a Argentina.
De acordo com os resultados apresentados, 88,9% dos entrevistados consideram o Brasil importante para a economia argentina.
A avaliação varia conforme sexo, idade e preferência eleitoral. Entre as mulheres, 14% consideraram que o Brasil não é importante economicamente para a Argentina, percentual que ficou em 7,5% entre os homens.
A maior percepção de importância econômica apareceu entre os entrevistados com mais de 60 anos, alcançando 90,9%.
Entre os participantes de 16 a 30 anos, o percentual ficou em 66,7%, o menor entre as faixas etárias mencionadas no levantamento.
A divisão política também aparece nos resultados. Entre os entrevistados que declararam ter votado em Javier Milei, 18,5% consideraram que o Brasil não é um parceiro econômico importante. Entre os eleitores de Sergio Massa, esse percentual foi de 2,5%.
Os números acrescentam um componente de opinião pública à deterioração da relação política entre os governos de Brasil e Argentina, mostrando que, apesar das divergências entre Lula e Milei, a maioria dos argentinos consultados reconhece a importância econômica brasileira e desaprova os ataques feitos pelo presidente argentino ao chefe do Executivo brasileiro.
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