Política / Investigação
Homem que denunciou suposta armação contra vice de Flávio Bolsonaro se filiou ao PL
Luis Antonio Lopes entrou no partido uma semana após prestar depoimento à Polícia Legislativa; relato foi encaminhado ao STF e é contestado por Lindbergh Farias
10/08/2026
20:00
MTP
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O comerciante Luis Antonio Lopes, responsável por relatar à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados uma suposta armação contra Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), filiou-se ao PL uma semana depois de prestar o depoimento.
Conforme registros da Justiça Eleitoral citados na apuração, Lopes ingressou oficialmente no partido em 30 de abril de 2026, no município de Nilópolis, na Baixada Fluminense. A oitiva na Polícia Legislativa havia ocorrido em 23 de abril.
A filiação acrescenta um novo elemento ao caso, mas, isoladamente, não comprova nem invalida as acusações apresentadas pelo comerciante. O conteúdo de seu depoimento permanece como uma alegação sob apuração.
A Polícia Legislativa ouviu Luis Antonio Lopes depois de ser acionada pelo próprio Alfredo Gaspar. Segundo o parlamentar, o comerciante entrou em contato com seu gabinete para denunciar uma possível tentativa de produzir uma acusação falsa contra ele.
Lopes afirmou que a denúncia envolvendo um suposto estupro de vulnerável atribuído a Gaspar teria sido resultado de uma armação. O material produzido a partir do depoimento foi encaminhado pela Câmara dos Deputados ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 5 de maio.
O envio ao Supremo ocorreu porque o relato mencionou pessoas supostamente relacionadas ao deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), parlamentar com foro por prerrogativa de função.
Anteriormente, Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) haviam apresentado, em 27 de março, denúncia envolvendo Gaspar, na qual era atribuída ao deputado a prática de violência sexual contra uma adolescente.
No depoimento, Lopes, então com 62 anos, declarou ser proprietário de um quiosque no Shopping Jardim Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro.
Segundo sua versão, uma jovem identificada como Marcela Maria Mendes, que teria prestado serviços no estabelecimento, teria sido recrutada para participar da suposta fraude.
O comerciante afirmou aos policiais que a mulher teria sido preparada para conceder entrevistas utilizando o nome fictício de “Jailma” e apresentar-se como vítima de abuso sexual cometido por um político.
De acordo com o boletim produzido a partir da oitiva, Lopes disse ter recebido informações de que a mulher usaria uma identidade falsa e sustentaria uma narrativa segundo a qual teria sofrido violência sexual ainda adolescente.
As declarações fazem parte da versão apresentada pelo depoente e não representam, por si só, conclusão das autoridades sobre a existência da suposta armação.
Lopes também declarou que Lindbergh Farias teria participado de uma reunião virtual envolvendo a jovem e outras pessoas. Segundo sua percepção relatada aos investigadores, o deputado teria conhecimento do contexto discutido nos encontros.
O comerciante ainda mencionou um homem chamado Lucas, apontando-o como possível responsável pela concepção inicial da suposta simulação.
Não há, no material apresentado, conclusão definitiva das autoridades confirmando essas afirmações.
Lindbergh Farias, atual vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, negou as acusações e afirmou desconhecer as pessoas mencionadas no depoimento.
“Isso é uma picaretagem. Desconheço os citados e a suposta investigação da Polícia Legislativa. Não conheço os envolvidos e não participei de reuniões para tratar desse assunto”, declarou.
O parlamentar também classificou o depoimento como inventado e defendeu que as circunstâncias em que o relato foi apresentado sejam investigadas.
Com a revelação de que Luis Antonio Lopes se filiou ao PL sete dias depois da oitiva, a relação partidária do depoente passa a integrar o contexto político do episódio. A veracidade das acusações, entretanto, depende das investigações e da análise das provas pelas autoridades competentes.

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