Política / Justiça
Aliados de Lula criticam Moraes por impedir visita dos filhos a Bolsonaro no Dia dos Pais
Integrantes do governo avaliam que decisão pode alimentar discurso de perseguição ao ex-presidente e ser explorada politicamente por Flávio Bolsonaro
10/08/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Aliados e integrantes do governo Lula criticaram, nos bastidores, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu os filhos de Jair Bolsonaro de visitarem o ex-presidente no Dia dos Pais.
A avaliação entre pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de que a restrição ao encontro familiar pode reforçar o discurso de perseguição sustentado por aliados de Bolsonaro e fornecer novo argumento político ao grupo do ex-presidente.
Os pedidos de visita haviam sido apresentados pelos filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro.
Um auxiliar direto de Lula, ouvido sob reserva, demonstrou contrariedade com a medida.
“Isso não me parece humano. Deixava visitar no Dia dos Pais. Pelo amor de Deus”, afirmou.
Nos bastidores governistas, existe a avaliação de que impedir a visita em uma data de forte simbolismo familiar pode produzir efeito político contrário ao pretendido e ampliar a narrativa de que Bolsonaro estaria sendo alvo de tratamento excessivamente rigoroso pelo Judiciário.
A preocupação também envolve Flávio Bolsonaro. Aliados de Lula consideram que episódios dessa natureza podem ser incorporados ao discurso político do senador e utilizados para mobilizar o eleitorado bolsonarista em sua campanha ao Palácio do Planalto.
A crítica, portanto, não representa necessariamente uma mudança na posição dos governistas sobre os processos envolvendo o ex-presidente. O questionamento está concentrado na conveniência da restrição específica e em seus possíveis efeitos políticos.
Alexandre de Moraes rejeitou o pedido apresentado pelos filhos de Bolsonaro por considerar a solicitação prejudicada diante de uma decisão anterior que havia estabelecido proibição de visitas ao ex-presidente pelo período de 90 dias.
Com isso, a restrição já determinada foi mantida também durante o Dia dos Pais.
Para integrantes do governo ouvidos nos bastidores, porém, uma eventual autorização excepcional para o encontro familiar poderia evitar que a situação fosse transformada em novo ponto de confronto político entre apoiadores de Bolsonaro e o STF.
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