Eleições / Presidência
Flávio Bolsonaro enfrenta impasse no TSE após sistema apontar filiação ao Missão
Equipe do PL afirma que alteração impediu registro da candidatura presidencial; partido fala em possível fraude e pede apuração à Justiça Eleitoral
13/08/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encontrou um impasse nesta quinta-feira (13) ao tentar registrar sua candidatura à Presidência da República. No sistema da Justiça Eleitoral, o parlamentar apareceu filiado ao Missão, partido que já possui candidato próprio na disputa presidencial, situação que inviabilizou temporariamente o protocolo pelo PL.
O caso está sendo analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Partidos, federações e coligações têm até as 19h de sábado (15) para apresentar os pedidos de registro das candidaturas às eleições de 2026.
Segundo a advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, a inconsistência foi identificada quando a equipe começou a reunir os documentos necessários para formalizar a candidatura de Flávio.
Ela informou ter procurado o TSE para pedir esclarecimentos e apuração sobre a origem da mudança cadastral.
A defesa eleitoral sustenta que a alteração não corresponde à situação partidária de Flávio Bolsonaro e afirma possuir documentação recente indicando que ele ainda aparecia vinculado ao PL na noite de quarta-feira (12).
"É inequívoco que foi fraudulento. E aconteceu depois das 23h17 de ontem. Eu tenho uma certidão emitida no sistema do TSE de que o Flávio era candidato do PL ontem às 23h17", afirmou Maria Claudia Bucchianeri.
Apesar da afirmação, a própria advogada disse que ainda não há elementos suficientes para definir de que maneira a alteração ocorreu.
"Precisamos entender se foi hacker, uma venda de senha, alguém que entrou no sistema dolosamente, a gente não sabe", declarou.
A campanha defende a abertura de uma investigação específica para identificar a origem da mudança.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, classificou o episódio como uma “falsificação”, mas não apresentou detalhes sobre como a mudança teria sido realizada.
Nos bastidores partidários, integrantes do PL trabalham com a hipótese de invasão ao sistema. O TSE, entretanto, ainda realiza verificações e não confirmou publicamente que tenha ocorrido ataque hacker.
Informações preliminares citadas na apuração indicam que outras possibilidades também são analisadas pelas pessoas envolvidas na verificação do caso.
Enquanto o cadastro apontar vínculo de Flávio Bolsonaro com o Missão, a candidatura presidencial pelo PL não pode ser registrada normalmente.
Segundo a advogada da campanha, será necessário restabelecer a filiação partidária original antes da apresentação do pedido à Justiça Eleitoral.
"Ele está sem filiação regular agora. O Missão tem candidato. Tem que restabelecer a filiação original para poder fazer o registro", afirmou Bucchianeri.
A proximidade do prazo final aumenta a pressão para que a situação seja solucionada antes das 19h de sábado (15).
Ao comentar o caso, Maria Claudia Bucchianeri lembrou situação registrada durante as eleições de 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a aparecer indevidamente vinculado ao PL em sistema eleitoral.
Segundo ela, o episódio levou a aprimoramentos nos mecanismos de segurança da Justiça Eleitoral.
A comparação, contudo, não permite concluir que os dois casos tenham a mesma origem. A apuração atual deverá determinar se houve falha técnica, acesso indevido, alteração irregular de dados ou outro tipo de ocorrência.
Flávio Bolsonaro foi oficializado candidato do PL à Presidência durante convenção partidária realizada em São Paulo, no fim de julho.
Na ocasião, apresentou sua candidatura como continuidade do projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro e concentrou críticas no governo do presidente Lula.
O partido lançou a chapa presidencial ainda sem anunciar formalmente o candidato a vice.
Com a inconsistência identificada no sistema eleitoral, o PL agora aguarda a regularização da filiação para concluir o registro da candidatura dentro do prazo estabelecido pela legislação eleitoral.
Até a conclusão das verificações pelo TSE, não há definição oficial sobre a origem da alteração cadastral nem responsabilização de qualquer pessoa pelo episódio.
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