Eleições / Presidência
Lula, Flávio Bolsonaro e adversários abrem campanha presidencial com atos pelo país
Primeiros eventos oficiais serão realizados neste domingo (16); São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais concentram agendas dos presidenciáveis
13/08/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
A campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente neste domingo, 16 de agosto, e os principais candidatos à Presidência da República já definiram os primeiros atos públicos da disputa pelo Palácio do Planalto. As agendas incluem comício, carreata e encontros em locais escolhidos por sua importância política, eleitoral ou pela ligação com a trajetória dos concorrentes.
A maior parte das atividades ocorrerá na Região Sudeste, que concentra parcela expressiva do eleitorado brasileiro. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará em São Bernardo do Campo (SP), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) fará seu primeiro grande ato no Rio de Janeiro (RJ). Renan Santos (Missão) também escolheu São Paulo.
Fora do Sudeste, Ronaldo Caiado (PSD) percorrerá municípios de Goiás, enquanto Romeu Zema (Novo) iniciará a campanha em Montes Claros (MG).
A escolha dos locais não foi aleatória. Os presidenciáveis procuram associar a largada oficial da corrida eleitoral às próprias trajetórias e, ao mesmo tempo, alcançar regiões consideradas estratégicas para a disputa nacional.
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, para abrir oficialmente a campanha.
O local está diretamente relacionado ao início da trajetória política de Lula. Foi na região do ABC Paulista que ele ganhou projeção nacional como dirigente sindical durante as grandes greves dos metalúrgicos no fim da década de 1970.
O evento deverá contar com a participação de Geraldo Alckmin, candidato a vice-presidente, além de outras lideranças políticas e candidatos aliados.
A campanha pretende utilizar a abertura para reforçar realizações do atual governo e apresentar as principais bandeiras da tentativa de reeleição. A defesa da soberania brasileira também deve aparecer entre os temas explorados durante a disputa eleitoral.
A escolha de São Paulo ainda tem peso eleitoral. O estado possui aproximadamente 34,1 milhões de eleitores aptos a votar, constituindo o maior colégio eleitoral brasileiro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para o primeiro grande evento da campanha presidencial.
A programação prevê um comício com trio elétrico na Avenida Atlântica e participação de candidatos e lideranças do PL no estado.
Entre os nomes esperados estão Carlos Jordy e Carlos Portinho, candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro, além de concorrentes à Câmara dos Deputados.
A estratégia reproduz um modelo utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do candidato, que transformou Copacabana em palco recorrente de manifestações políticas nos últimos anos.
O Rio também possui ligação direta com a trajetória de Flávio. Natural de Resende, ele cresceu na capital fluminense e iniciou a carreira eletiva na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde conquistou seu primeiro mandato em 2002.
O candidato Renan Santos (Missão) fará a abertura da campanha no Largo São Francisco, na região central da cidade de São Paulo.
O espaço abriga a tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e possui relação com a trajetória pessoal e política do candidato.
Renan chegou a estudar Direito na instituição, embora não tenha concluído o curso. Foi nesse período que iniciou sua participação mais ativa na política estudantil.
O evento deverá reunir a coordenadora da campanha, Amanda Vettorazzo, o deputado federal Kim Kataguiri, responsável pela coordenação econômica, e o candidato a vice-presidente Aroldo Medina.
A escolha também possui componente político. O Largo São Francisco é historicamente utilizado para manifestações e atos de movimentos políticos e estudantis, inclusive organizações identificadas com a esquerda.
O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) optou por começar a disputa presidencial em seu principal reduto político, Goiás.
Em vez de concentrar a abertura em apenas um município, a campanha programou uma carreata por cidades da região do Entorno do Distrito Federal.
O roteiro prevê passagens por:
Águas Lindas de Goiás
Santo Antônio do Descoberto
Novo Gama
Valparaíso de Goiás
Cidade Ocidental
O encerramento da programação está previsto para Luziânia, no período da tarde.
A estratégia de Caiado deverá destacar principalmente os resultados obtidos durante sua passagem pelo governo goiano. A segurança pública tende a ocupar posição central no discurso do candidato ao longo da campanha.
A proximidade dos municípios com Brasília também amplia o simbolismo político da largada da candidatura presidencial.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) escolheu Montes Claros, no norte mineiro, para realizar seu primeiro ato oficial.
O encontro está previsto para o Mercado Central do município.
Com cerca de 414 mil habitantes, conforme o Censo de 2022 do IBGE, Montes Claros é uma das principais cidades do interior de Minas Gerais e exerce influência econômica sobre extensa área do norte do estado.
A campanha pretende associar a escolha aos investimentos realizados durante a gestão de Zema, incluindo obras de infraestrutura na região, como o Contorno Viário de Montes Claros, com aproximadamente 14 quilômetros.
Há também um componente geográfico na decisão. A cidade está relativamente próxima da divisa com a Bahia, permitindo à campanha ampliar sua exposição em direção ao Nordeste, região considerada eleitoralmente estratégica e onde o PT mantém forte desempenho nas últimas eleições presidenciais.
Dos cinco presidenciáveis, quatro escolheram o Sudeste ou estados diretamente ligados à região para os primeiros compromissos da campanha. Apenas Caiado terá uma programação inteiramente concentrada no Centro-Oeste.
São Paulo receberá dois atos, de Lula e Renan Santos. Flávio Bolsonaro permanecerá em seu reduto eleitoral no Rio, enquanto Zema começa pelo interior mineiro.
As agendas deste domingo (16) marcam a passagem da pré-campanha para a fase oficial da eleição. A partir de agora, os candidatos intensificam viagens, comícios, produção de conteúdo eleitoral e mobilização das estruturas partidárias em busca dos votos que definirão a sucessão presidencial de 2026.
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