Campo Grande (MS), Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

Economia / Renda

Salário mínimo pode subir para R$ 1.741 em 2027 após revisão do governo

Nova projeção aumenta o piso em R$ 24 sobre a estimativa anterior e, se confirmada, representará reajuste de 7,4% em relação aos atuais R$ 1.621.

14/08/2026

11:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O salário mínimo nacional poderá chegar a R$ 1.741 em 2027, segundo a nova projeção preparada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O valor será incluído na proposta do Orçamento da União para o próximo ano e representa aumento de R$ 24 em relação à estimativa apresentada em abril, quando o piso havia sido calculado em R$ 1.717.

Caso seja confirmado, o novo mínimo começará a valer em 1º de janeiro de 2027. Em comparação com os atuais R$ 1.621, a elevação nominal será de R$ 120, equivalente a aproximadamente 7,4%.

O número ainda não é definitivo. O valor efetivo dependerá principalmente da inflação apurada até novembro e poderá ser alterado antes da definição do reajuste.

Nova estimativa entrará no Orçamento

A previsão de R$ 1.741 deverá constar do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que precisa ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional até 31 de agosto.

O cálculo segue a política de valorização do salário mínimo, que considera a inflação acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior e o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

Para o reajuste de 2027, portanto, entra no cálculo o crescimento econômico registrado em 2025, de 2,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda, trabalha atualmente com uma projeção de inflação de 4,93% no período de 12 meses encerrado em novembro. A estimativa foi elevada diante da possibilidade de efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos.

Reajuste afeta aposentadorias e benefícios

O impacto do aumento vai além dos trabalhadores que recebem diretamente o piso nacional. O salário mínimo funciona como referência para uma série de benefícios e despesas obrigatórias do governo federal.

Entre eles estão aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vinculadas ao piso e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Isso significa que qualquer alteração na projeção do mínimo também modifica as estimativas de gastos previstas no Orçamento.

Segundo cálculos apresentados pelo governo em abril, cada R$ 1 acrescentado ao salário mínimo provoca aproximadamente R$ 413,2 milhões em despesas adicionais.

Considerando a diferença de R$ 24 entre a projeção anterior e a atual, a revisão poderá acrescentar aproximadamente R$ 9,9 bilhões às despesas obrigatórias previstas para 2027.

Ganho real tem limite

A política de valorização do mínimo passou por uma mudança no fim de 2024, quando o governo decidiu limitar o crescimento real do piso às regras de expansão das despesas estabelecidas pelo arcabouço fiscal.

Com a alteração aprovada pelo Congresso Nacional, o ganho acima da inflação passou a respeitar uma faixa de 0,6% a 2,5% ao ano.

A medida busca impedir que aumentos mais elevados do salário mínimo provoquem crescimento excessivo das despesas obrigatórias, reduzindo recursos disponíveis para gastos discricionários do governo, entre eles investimentos e custeio da administração pública.

Para 2027, o ganho real considerado na projeção permanece dentro do teto de 2,5% acima da inflação previsto pelas regras fiscais.

Se a estimativa de R$ 1.741 for mantida até a definição final, trabalhadores que recebem o mínimo terão R$ 120 a mais por mês em relação ao piso de 2026. O mesmo valor também servirá de referência para benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao salário mínimo.


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