Internacional / Denúncia
TV argentina acusa governo Milei de pagar auxílio a brasileiros ligados ao 8 de janeiro; não há provas dos repasses
Jornalista afirma que 336 brasileiros receberiam cerca de R$ 7,1 mil mensais, mas órgãos argentinos não confirmaram a existência dos pagamentos.
07/11/2026
06:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Uma denúncia exibida pela televisão argentina levantou suspeitas sobre a possível transferência de recursos do governo do presidente Javier Milei para brasileiros que deixaram o país após os atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Segundo o jornalista Enrique “Quique” Ortiz, do programa Telenueve Denuncia, 336 brasileiros estariam recebendo aproximadamente 2 milhões de pesos argentinos por mês, equivalentes a cerca de R$ 7,1 mil por pessoa.
A acusação ganhou repercussão nas redes sociais nesta sexta-feira (6 de novembro), após a circulação de um vídeo com as declarações do jornalista.
Entretanto, não foram apresentados documentos que comprovem a existência dos pagamentos ou demonstrem que os recursos tenham origem no governo argentino.
Segundo informações publicadas pelo portal argentino Alem News, a Comissão Nacional para os Refugiados (Conare) e o Ministério do Interior da Argentina não confirmaram os supostos repasses.
Até que sejam apresentados elementos verificáveis, as informações permanecem como alegações feitas pela reportagem televisiva.
Denúncia menciona repasses mensais em dinheiro
De acordo com Ortiz, os brasileiros estariam recebendo uma ajuda financeira mensal de 2 milhões de pesos argentinos, supostamente entregue em espécie.
Considerando o grupo de 336 pessoas mencionado pelo jornalista, o desembolso total chegaria a 672 milhões de pesos por mês, aproximadamente R$ 2,4 milhões, conforme a conversão apresentada na denúncia.
O jornalista afirmou ter conversado com brasileiros que vivem na Argentina e que teriam relatado a existência desses pagamentos.
No entanto, não foram divulgados comprovantes bancários, registros oficiais de despesas públicas ou outros documentos capazes de demonstrar a realização das transferências.
Também não há confirmação independente de que os 336 brasileiros citados sejam investigados, condenados ou considerados foragidos pela Justiça brasileira.
Puerto Iguazú concentraria parte dos brasileiros
Segundo o relato apresentado no programa argentino, 110 dos 336 brasileiros estariam vivendo em Puerto Iguazú, cidade localizada na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná.
A região mantém intensa circulação de brasileiros e argentinos, principalmente por causa do comércio e do turismo.
Ortiz afirmou que parte dos brasileiros estaria hospedada em estabelecimentos de alto padrão na cidade.
O portal Alem News também publicou, na quinta-feira (5), informações sobre supostas entregas mensais de dinheiro por intermediários.
Essas afirmações, porém, ainda não foram acompanhadas de documentação pública que permita identificar os responsáveis pelos pagamentos ou confirmar a origem dos valores.
Órgãos argentinos não confirmaram benefício
A ausência de confirmação oficial é um dos principais pontos de cautela em relação à denúncia.
Segundo o Alem News, nem a Conare argentina, responsável pela análise de pedidos de reconhecimento da condição de refugiado, nem o Ministério do Interior confirmaram a existência do auxílio financeiro mencionado pela emissora.
O eventual reconhecimento de uma pessoa como refugiada não comprova, por si só, o recebimento de recursos públicos.
Também é necessário distinguir brasileiros que solicitaram refúgio daqueles que possuem mandados de prisão ou outras pendências judiciais no Brasil.
Até o momento, não foram apresentados dados oficiais que permitam estabelecer essa relação para todas as pessoas mencionadas na reportagem.
STF já havia identificado foragidos na Argentina
A presença de brasileiros investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 na Argentina já havia sido identificada pelas autoridades brasileiras.
Em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) contabilizava 61 pessoas consideradas foragidas que estavam no país vizinho.
Esse levantamento, entretanto, não confirma o número de 336 brasileiros mencionado pela televisão argentina nem demonstra que os integrantes dos dois grupos sejam os mesmos.
Os processos relacionados aos atos de 8 de janeiro envolvem situações jurídicas distintas, incluindo investigados, réus e pessoas condenadas.
Por isso, não é correto atribuir automaticamente a condição de foragido ou a prática de crimes a todos os brasileiros que vivem na Argentina.
Acusação depende de comprovação
A denúncia poderá ter repercussões políticas e diplomáticas caso sejam apresentados documentos que demonstrem a utilização de recursos públicos argentinos para financiar pessoas procuradas pela Justiça brasileira.
Por enquanto, não há elementos públicos suficientes para concluir que o governo de Javier Milei tenha autorizado, realizado ou financiado os supostos pagamentos.
A reportagem também não apresenta confirmação oficial sobre a identidade dos beneficiários, a existência de um programa de assistência ou a origem do dinheiro mencionado.
O ponto central permanece sem esclarecimento: a televisão argentina divulgou a acusação, mas os repasses mensais a 336 brasileiros ainda não foram comprovados.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Vale-refeição e alimentação têm novas regras a partir deste sábado; veja o que muda para trabalhadores e comerciantes
Leia Mais
Parlamentares que deixarão o Congresso ainda poderão indicar R$ 11,6 bilhões em emendas para 2027
Leia Mais
Horóscopo deste sábado, 7 de novembro: veja as previsões para os 12 signos
Leia Mais
Prédio de quatro andares desaba em São Paulo e deixa 27 feridos durante descarga de mercadorias
Municípios