Justiça / Investigação
Fachin homologa delação de ex-presidente da Reag em investigação sobre o Banco Master
Acordo firmado entre João Carlos Mansur e a Procuradoria-Geral da República permanece sob sigilo; investigação apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Master e o BRB.
06/11/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, homologou nesta sexta-feira (6 de novembro) o acordo de colaboração premiada firmado pelo empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação está relacionada às investigações sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
A decisão representa uma nova etapa da investigação, que apura possíveis fraudes em operações financeiras e movimentações relacionadas às instituições envolvidas.
O conteúdo do acordo permanece sob segredo de Justiça, o que impede conhecer, neste momento, as informações fornecidas por Mansur, eventuais pessoas mencionadas e as condições estabelecidas para a colaboração.
A homologação judicial significa que o acordo passou pelo controle de legalidade do STF, mas não representa confirmação da veracidade das declarações do colaborador nem comprovação de crimes atribuídos a terceiros.
Empresário foi alvo de operação em janeiro
João Carlos Mansur foi alvo de mandados de busca e apreensão em janeiro de 2026, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero.
A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e às negociações envolvendo sua possível aquisição pelo BRB, instituição financeira pública vinculada ao Governo do Distrito Federal (GDF).
As diligências buscaram reunir documentos e outros elementos que pudessem contribuir para o esclarecimento das operações investigadas.
A condição de investigado e o cumprimento de medidas de busca e apreensão não significam, por si só, que Mansur tenha cometido os crimes sob apuração.
Reag foi liquidada pelo Banco Central
A Reag Investimentos, empresa fundada por Mansur, também passou por medidas adotadas pelas autoridades responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro.
A instituição teve sua liquidação determinada pelo Banco Central, que apontou “graves violações” às normas aplicáveis às instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
A liquidação é uma medida administrativa que encerra as atividades de uma instituição financeira ou entidade supervisionada, conforme as condições previstas na legislação.
O procedimento não equivale automaticamente a uma condenação criminal de seus antigos administradores.
A apuração de eventuais responsabilidades individuais depende da análise das provas e dos procedimentos legais cabíveis.
Delação poderá contribuir para novas diligências
A colaboração premiada é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite a investigados ou acusados fornecer informações relevantes às autoridades em troca de possíveis benefícios legais, sujeitos às condições do acordo.
No caso de Mansur, a negociação foi conduzida pela Procuradoria-Geral da República, responsável pela formalização do compromisso posteriormente submetido à análise do Supremo.
Com a homologação, as informações eventualmente apresentadas poderão ser examinadas pelos investigadores e confrontadas com documentos, registros financeiros e outros elementos de prova.
Pela legislação, declarações de colaboradores precisam ser corroboradas por outras provas e não são suficientes, isoladamente, para fundamentar uma condenação.
Como o acordo está sob sigilo, não foram divulgados detalhes sobre os depoimentos, os compromissos assumidos pelo empresário ou eventuais desdobramentos previstos.
Investigação sobre o Master continua
O caso envolve suspeitas de irregularidades em operações financeiras e nas tratativas relacionadas ao Banco Master e ao BRB.
A homologação da colaboração de João Carlos Mansur poderá subsidiar novas diligências, dependendo do conteúdo das informações fornecidas e da avaliação das autoridades responsáveis.
Até a divulgação da decisão, não havia informações públicas sobre os fatos específicos relatados pelo empresário no acordo.
Também não foram apresentados novos detalhes sobre eventuais medidas judiciais decorrentes da homologação.
O procedimento segue sujeito ao sigilo judicial, e as responsabilidades individuais deverão ser examinadas conforme o avanço das investigações e as garantias legais asseguradas aos envolvidos.
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