Internacional / Política
Pedro Alliana assume Presidência do Paraguai após queda de Santiago Peña e promete devolver dinheiro a correntistas
Novo presidente tomou posse nesta sexta-feira (6), após impeachment aprovado pelo Senado; crise do Ueno Bank atingiu cerca de 3 milhões de clientes.
06/11/2026
20:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Paraguai tem um novo presidente. Pedro Alliana, de 52 anos, tomou posse na noite desta sexta-feira (6 de novembro), após o Senado aprovar a destituição de Santiago Peña, em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes.
A cerimônia ocorreu no Congresso Nacional, em Assunção, poucas horas depois da conclusão do julgamento político. Alliana, que ocupava a Vice-Presidência desde agosto de 2023, assumiu o comando do Executivo e deverá permanecer no cargo até 15 de agosto de 2028, quando termina o atual mandato presidencial.
Em seu primeiro pronunciamento, o novo presidente prometeu adotar medidas para atender os correntistas prejudicados pelo fechamento do banco, que deixou milhares de famílias e empresas com dificuldades para acessar seus recursos.
A mudança de governo também é acompanhada com atenção em Mato Grosso do Sul, Estado que mantém relações comerciais e uma extensa fronteira com o Paraguai.
Novo presidente promete ressarcir clientes do Ueno Bank
Durante a posse, Pedro Alliana afirmou que uma das prioridades de sua administração será enfrentar as consequências da crise bancária.
“Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil em consequência do colapso financeiro serão integralmente indenizados. Não vamos deixá-los sozinhos”, declarou.
O novo governo anunciou a intenção de adotar providências imediatas para atender os afetados, embora a recuperação dos depósitos dependa dos mecanismos de garantia, da liquidação da instituição e das medidas adotadas pelas autoridades financeiras.
O Ueno Bank, pertencente ao Grupo Vázquez, teve suas atividades interrompidas na terça-feira (3), após intervenção do Banco Central do Paraguai.
A autoridade monetária identificou problemas de solvência relacionados, entre outros fatores, a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição.
O banco concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do sistema previdenciário paraguaio.
O bloqueio de contas e a dificuldade de movimentação financeira provocaram protestos e ampliaram a pressão sobre o governo.
Senado aprovou impeachment de Santiago Peña
A destituição de Santiago Peña foi aprovada por 44 senadores, em votação realizada nesta sexta-feira.
O processo havia avançado na Câmara dos Deputados no dia anterior, quando os parlamentares autorizaram o julgamento político.
Peña foi acusado por integrantes do Congresso de possíveis conflitos de interesses, interferência na fiscalização bancária e irregularidades envolvendo a aplicação de recursos públicos e previdenciários.
As suspeitas também incluem questionamentos sobre a atuação do Banco Central diante dos problemas financeiros do Ueno Bank.
O ex-presidente, que é economista, manteve participação societária no grupo controlador da instituição até março de 2025.
Peña nega ter cometido irregularidades. As acusações criminais permanecem sujeitas à investigação e à análise da Justiça.
Após o impeachment, ele foi colocado em prisão domiciliar, enquanto as autoridades apuram sua possível responsabilidade nos fatos relacionados à crise bancária.
A decisão do Senado encerrou seu mandato, mas não representa, por si só, uma condenação criminal.
Quem é Pedro Alliana
Pedro Alliana nasceu em Pilar, no departamento de Ñeembucú, no sudoeste do Paraguai. É casado e pai de quatro filhos.
Antes de ingressar na política, teve atuação no comércio e participou de competições de basquete. Na juventude, integrou a seleção paraguaia da modalidade.
Alliana é formado em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián.
Sua trajetória política está ligada ao Partido Colorado, oficialmente denominado Associação Nacional Republicana, a mesma legenda de Santiago Peña.
Entre 2008 e 2012, governou o departamento de Ñeembucú.
Posteriormente, foi eleito deputado e exerceu mandato na Câmara entre 2013 e 2023. Durante parte desse período, ocupou posições de liderança da bancada colorada.
Em 2023, foi eleito vice-presidente na chapa encabeçada por Santiago Peña.
Em abril de 2026, Alliana havia anunciado sua pré-candidatura à Presidência para as eleições de 2028, contando, naquele momento, com o apoio de Peña e do ex-presidente Horacio Cartes.
A destituição do presidente alterou esse cenário e colocou Alliana no comando do país antes da próxima eleição presidencial.
Partido Colorado permanece no poder
Apesar da saída de Santiago Peña, a mudança na Presidência não representa uma alternância partidária.
Pedro Alliana também pertence ao Partido Colorado, legenda que exerce forte influência na política paraguaia há décadas.
A sucessão ocorreu conforme as regras constitucionais do país, que estabelecem a posse do vice-presidente em caso de vacância definitiva da Presidência.
O novo chefe do Executivo assume em um momento de pressão popular por transparência nas investigações, responsabilização de eventuais envolvidos e recuperação dos depósitos bancários.
A crise também provocou questionamentos dentro do próprio Partido Colorado, diante das relações políticas e empresariais associadas ao Ueno Bank.
Crise pode repercutir na fronteira com Mato Grosso do Sul
O Paraguai mantém relações econômicas importantes com Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, além de outros municípios próximos à fronteira.
O comércio, o turismo, o transporte de mercadorias e a circulação de trabalhadores fazem parte da dinâmica econômica entre os dois países.
A instabilidade financeira paraguaia pode gerar preocupação entre comerciantes e empresas que mantêm negócios com o país vizinho.
Entretanto, ainda não há estimativas oficiais que permitam dimensionar eventuais prejuízos diretos para a economia sul-mato-grossense.
Com a posse de Pedro Alliana, o governo paraguaio inicia uma nova etapa, marcada pela necessidade de administrar a crise bancária, restabelecer a confiança nas instituições e acompanhar as investigações relacionadas ao ex-presidente e a dirigentes do setor financeiro.
Fontes: Câmara dos Deputados do Paraguai, Reuters, Associated Press e Agência Brasil, informações de 5 e 6 de novembro de 2026.
A posse e a destituição foram confirmadas pelo Congresso paraguaio e pela imprensa internacional.
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