Televisão / Luto
Morre Nilton Travesso, diretor que marcou a história da televisão brasileira, aos 92 anos
Pioneiro da TV nacional, profissional participou de programas como Fantástico, Jovem Guarda e TV Mulher e teve papel importante na dramaturgia do SBT.
06/11/2026
19:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O diretor e produtor Nilton Travesso, um dos nomes mais importantes da história da televisão brasileira, morreu nesta sexta-feira (6 de novembro), aos 92 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês e, segundo informações divulgadas pelo SBT, a morte foi provocada por uma infecção generalizada.
Com uma trajetória de mais de 70 anos, Travesso acompanhou a evolução da televisão no país, desde os primeiros anos das transmissões até a consolidação dos grandes programas de entretenimento e das produções de dramaturgia.
Ao longo da carreira, trabalhou em emissoras como Record, Globo, Manchete, Band e SBT, participando da criação e direção de atrações que marcaram diferentes gerações de telespectadores.
Entre os trabalhos mais conhecidos estão Fantástico, Jovem Guarda, TV Mulher, Balão Mágico e Éramos Seis.
Carreira começou nos primeiros anos da televisão brasileira
Nascido em 20 de maio de 1934, na capital paulista, Nilton Travesso começou a trabalhar na televisão em 1953, quando tinha apenas 19 anos.
Seu ingresso ocorreu durante a implantação da TV Record, em uma época em que a televisão ainda era uma novidade para grande parte da população brasileira.
Inicialmente, atuou como operador de câmera, função que lhe permitiu conhecer os aspectos técnicos das transmissões. Posteriormente, passou a trabalhar na direção e produção de programas.
Na Record, integrou a chamada Equipe A, grupo responsável por algumas das principais atrações da emissora durante as décadas de 1950 e 1960.
Participou dos históricos festivais de música popular brasileira, que revelaram e projetaram artistas fundamentais para a cultura nacional.
Também esteve envolvido em programas como Jovem Guarda, Família Trapo e Hebe, contribuindo para a consolidação de formatos que se tornaram referências do entretenimento televisivo.
Passagem pela Globo marcou nova fase profissional
Em 1974, Travesso foi contratado pela TV Globo, a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, conhecido como Boni.
Na emissora, participou do desenvolvimento e da consolidação do Fantástico, programa que se tornou uma das atrações mais tradicionais da televisão brasileira.
Seu trabalho contribuiu para a introdução de novas técnicas de produção audiovisual, especialmente na apresentação de números musicais e na utilização de recursos visuais que aproximavam a televisão da linguagem dos videoclipes.
Um dos exemplos foi a produção audiovisual da música América do Sul, interpretada por Ney Matogrosso, exibida em 1975.
Travesso também participou da criação e do desenvolvimento de programas como TV Mulher, Som Brasil e Balão Mágico.
As atrações abordavam diferentes públicos e ajudaram a diversificar a programação da televisão aberta.
Diretor também deixou sua marca nas novelas
Além dos programas musicais e de entretenimento, Nilton Travesso teve atuação importante na dramaturgia brasileira.
Na Globo, esteve ligado a produções como Sinhá Moça e Direito de Amar, novelas que integraram a programação da emissora durante a década de 1980.
Posteriormente, passou pela TV Manchete, onde participou da estruturação do departamento responsável pela produção de novelas.
A experiência acumulada em diferentes emissoras fez de Travesso um profissional reconhecido tanto pela direção artística quanto pela organização de equipes e projetos de televisão.
No SBT, ajudou a recuperar a produção de novelas
Durante a década de 1990, Nilton Travesso assumiu papel importante na retomada da teledramaturgia do SBT.
Sob sua direção, a emissora lançou, em 1994, uma nova versão da novela Éramos Seis, protagonizada por Irene Ravache e Othon Bastos.
A produção tornou-se um dos trabalhos mais lembrados daquele período da emissora.
Travesso também participou de projetos como As Pupilas do Senhor Reitor e Sangue do Meu Sangue, além de colaborar com mudanças na programação infantil.
Sua atuação contribuiu para ampliar a presença da dramaturgia nacional na grade do canal.
Trajetória incluiu outras emissoras e formação de profissionais
Ao longo de sua carreira, Travesso também trabalhou na Band, TV Gazeta e Jovem Pan.
Na Gazeta, esteve à frente da direção do programa Todo Seu, apresentado por Ronnie Von.
Fora das emissoras, dedicou parte de sua experiência à formação de atores e profissionais interessados em trabalhar na televisão.
Sua trajetória atravessou diferentes fases da comunicação brasileira, acompanhando mudanças tecnológicas, transformações nos hábitos do público e a chegada de novos formatos de produção audiovisual.
Velório será realizado neste sábado em São Paulo
Nilton Travesso deixa a esposa, Marilu Torres, e familiares.
O velório está previsto para sábado (7 de novembro), das 10h às 17h, na Funeral Home, localizada no bairro Bela Vista, na capital paulista.
Com sua morte, a televisão brasileira perde um dos profissionais que participaram diretamente da construção de sua identidade artística e cultural.
De programas musicais que revelaram grandes artistas a novelas que conquistaram o público, Nilton Travesso deixa um legado de mais de sete décadas dedicadas à comunicação e ao entretenimento no Brasil.
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