Política / Eleições 2026
Irmã de Carla Zambelli declara voto em Lula e expõe divergências políticas com a família
Professora de Direito Paula Brasil afirma ser progressista e feminista e diz que decidiu tornar pública sua posição após o primeiro turno das eleições.
22/10/2026
18:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A professora de Direito Paula Brasil, irmã da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), anunciou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Em publicação no Instagram, ela afirmou que suas convicções políticas são diferentes das posições defendidas por integrantes de sua família e explicou por que decidiu se manifestar publicamente.
Paula se apresentou como progressista e feminista e relacionou suas posições à trajetória acadêmica e às experiências que contribuíram para sua formação pessoal e profissional.
A declaração ganhou repercussão por envolver a irmã de uma das principais representantes do bolsonarismo no Congresso Nacional, conhecida pela proximidade política com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na publicação, Paula contou que decidiu continuar utilizando o sobrenome Brasil, mesmo depois de seu divórcio, porque não se identifica com as posições políticas associadas publicamente ao nome Zambelli.
Segundo ela, o sobrenome da família passou a representar, no debate público, ideias e escolhas das quais discorda profundamente.
A professora também relatou que, durante muito tempo, evitou abordar questões familiares e políticas nas redes sociais para não provocar conflitos ou ampliar divergências entre parentes.
“Por muito tempo, fui aquela que pensava diferente, cujas escolhas, estudos e convicções causavam ‘constrangimento’”, escreveu.
De acordo com Paula, suas posições políticas e acadêmicas nem sempre foram bem recebidas no ambiente familiar.
A irmã de Carla Zambelli afirmou que preferiu aguardar o resultado do primeiro turno antes de divulgar sua escolha presidencial, em uma tentativa de evitar possíveis consequências para seus familiares.
Entretanto, segundo seu relato, a proximidade da votação decisiva a levou a reconsiderar o silêncio que havia mantido até então.
“Permanecer em silêncio deixa de significar preservar relações e passa a significar apagar a própria voz”, declarou.
Paula ressaltou que tornar públicas suas convicções não significa necessariamente romper os vínculos familiares.
Para a professora, diferenças de pensamento podem existir entre parentes sem que isso represente o fim das relações afetivas.
“Discordar não é deixar de amar”, afirmou.
A manifestação evidencia uma divergência política entre as irmãs, mas Paula não apresentou sua decisão como um rompimento familiar.
A ex-deputada Carla Zambelli ganhou projeção nacional durante a ascensão política de Jair Bolsonaro.
Ela foi eleita para a Câmara dos Deputados em 2018, pelo então Partido Social Liberal (PSL), e conquistou a reeleição em 2022, pelo Partido Liberal (PL), quando ficou entre os candidatos mais votados de São Paulo, alcançando a segunda colocação na disputa por vagas na Câmara.
Sua trajetória parlamentar foi marcada pela defesa de pautas alinhadas ao ex-presidente e por posicionamentos políticos distintos daqueles apresentados publicamente por sua irmã.
Posteriormente, Zambelli passou a enfrentar processos judiciais que resultaram em condenação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Carla Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de prisão em processo relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A decisão também determinou a perda de seu mandato parlamentar.
Após deixar o Brasil, a ex-deputada passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira e teve seu nome incluído na lista vermelha da Interpol.
Ela foi posteriormente presa na Itália, em 2025, no contexto dos desdobramentos judiciais de sua condenação.
A situação judicial da ex-parlamentar é distinta da manifestação política de Paula Brasil, que tratou de suas próprias convicções e da decisão de tornar pública sua escolha eleitoral.
O posicionamento de Paula Brasil ocorre nos últimos dias da campanha presidencial, em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
Ao declarar seu voto, a professora também abordou questões relacionadas à identidade pessoal, à autonomia de pensamento e à convivência entre familiares com opiniões políticas diferentes.
A manifestação ganhou visibilidade justamente pelo contraste entre suas posições progressistas e a trajetória conservadora da irmã.
Paula, no entanto, procurou separar a divergência política dos vínculos afetivos, afirmando que sua decisão de se posicionar publicamente não representa o abandono das relações familiares.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Datafolha aponta empate técnico na rejeição: Flávio Bolsonaro tem 46% e Lula, 45%
Leia Mais
Caixa-preta não gravou voo de helicóptero que matou cantor Rick e outras quatro pessoas
Leia Mais
Defesa de investigado em caso de emendas de Mario Frias admite possibilidade de delação
Leia Mais
Datafolha: Flávio Bolsonaro e Lula aparecem empatados com 50% dos votos válidos no segundo turno
Municípios