Justiça / Investigação
Defesa de investigado em caso de emendas de Mario Frias admite possibilidade de delação
Advogado de Wemerson Marinho afirma que colaboração é uma das alternativas jurídicas, mas considera prematuro discutir acordo em investigação sobre recursos públicos.
22/10/2026
18:00
NAOM
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A possibilidade de um acordo de colaboração premiada entrou nas discussões sobre a investigação que apura o destino de recursos públicos ligados ao deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a entidades relacionadas à produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A defesa de Wemerson Marinho da Gama, ex-marido da produtora Karina Gama, reconheceu que a delação é uma alternativa jurídica, mas ressaltou que ainda é cedo para tratar de uma eventual negociação.
A manifestação ocorreu após o jornal Valor Econômico divulgar que Wemerson teria procurado a Procuradoria-Geral da República (PGR) para negociar uma colaboração envolvendo sua ex-companheira. A informação não foi confirmada pela defesa como uma negociação efetivamente iniciada.
O advogado André Hespanhol, responsável pela defesa de Wemerson, afirmou que a colaboração premiada pode ser considerada em uma estratégia de defesa criminal, sem indicar que exista uma proposta formal.
“A hipótese de delação é uma, dentre diversas, no âmbito de qualquer defesa criminal, e é precipitado falar neste assunto em um inquérito que mal começou”, declarou.
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino, e envolve suspeitas sobre a destinação de emendas parlamentares apresentadas por Mario Frias.
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se recursos destinados originalmente a projetos sociais foram desviados e se parte do dinheiro teria chegado à produção de Dark Horse.
O inquérito examina a aplicação de aproximadamente R$ 2 milhões em emendas parlamentares repassadas a projetos sociais por intermédio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida por Karina Gama.
Segundo as suspeitas investigadas, parte desses valores poderia ter sido utilizada em finalidades diferentes daquelas previstas para os projetos beneficiados.
A apuração também envolve possíveis irregularidades relacionadas a despesas da cota parlamentar e recursos de campanha.
Em 10 de setembro, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão envolvendo Mario Frias, Karina Gama e Wemerson Marinho da Gama, mediante autorização do ministro Flávio Dino.
A investigação examina indícios de possíveis crimes de peculato, fraude e lavagem de dinheiro, relacionados à movimentação de recursos públicos e às entidades investigadas.
Wemerson passou a integrar a apuração por ter recebido uma procuração que lhe permitia movimentar uma conta da Academia Nacional da Cultura (ANC), instituição vinculada a Karina Gama.
Ele também manteve vínculo com a GTrend, empresa que anteriormente prestou serviços ao gabinete parlamentar de Mario Frias.
Em documentos da investigação, a Polícia Federal relaciona essas conexões à administração e ao funcionamento de organizações que receberam recursos públicos sob análise.
A existência desses vínculos, por si só, não comprova participação em eventuais desvios.
Entre os valores examinados pelos investigadores estão aproximadamente R$ 750 mil em emendas parlamentares que, segundo as suspeitas apuradas, podem ter beneficiado a produtora relacionada ao filme.
Outro ponto da investigação envolve transferências financeiras atribuídas a Mario Frias para a empresa Go Up.
De acordo com a Polícia Federal, o parlamentar teria transferido R$ 645 mil à produtora entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
A corporação considera que o montante merece esclarecimentos por sua incompatibilidade aparente com a remuneração mensal do deputado, informada em R$ 46,4 mil.
Os investigadores buscam identificar a origem, a finalidade e a destinação dos valores movimentados, além de verificar possíveis conexões com as entidades beneficiadas por emendas.
Em uma frente distinta, a Polícia Federal também investiga informações sobre possíveis repasses financeiros à produção de Dark Horse feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
Essa apuração procura esclarecer a natureza das transferências e sua eventual relação com o financiamento do projeto cinematográfico.
A existência da investigação não significa que os envolvidos tenham cometido irregularidades. As responsabilidades individuais dependem da análise dos elementos reunidos pelas autoridades.
O deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama negam a existência de irregularidades relacionadas ao filme e aos recursos examinados pelos investigadores.
Até o momento, a manifestação divulgada pela defesa de Wemerson não confirma a apresentação de uma proposta de colaboração premiada à PGR.
Um eventual acordo dependeria de negociação com as autoridades competentes, apresentação de informações relevantes para a investigação e cumprimento dos requisitos legais.
O inquérito segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, com a Polícia Federal buscando esclarecer a destinação das emendas, as movimentações financeiras e a possível relação entre recursos públicos e a produção cinematográfica.
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