Justiça / Investigação
Deputados do PT pedem investigação de Nunes Marques por supostas ligações com Vorcaro
Representação enviada a Edson Fachin cita mensagens, movimentações financeiras, contratos e decisões judiciais relacionadas ao Banco Master.
12/10/2026
15:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, uma representação solicitando a abertura de investigação sobre possíveis vínculos pessoais e patrimoniais entre o ministro Kassio Nunes Marques, integrantes de seu círculo familiar e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
O pedido, formalizado por meio de uma Notícia de Fato, utiliza informações atribuídas a relatórios da Polícia Federal (PF), produzidos no âmbito da Operação Compliance Zero, além de referências a movimentações financeiras e conversas extraídas de aparelhos apreendidos durante as investigações.
Os parlamentares sustentam que os elementos reunidos justificam uma apuração sobre a natureza das relações mencionadas e sua eventual conexão com julgamentos de interesse econômico do Banco Master.
A apresentação da representação não significa que as suspeitas estejam comprovadas nem que tenha sido instaurado inquérito contra o ministro. Caberá às autoridades competentes avaliar a documentação e decidir sobre eventuais providências.
Um dos principais episódios mencionados pelos deputados é o julgamento envolvendo a Destilaria Alcídia, relacionado a indenizações e precatórios de elevado valor financeiro.
Segundo a representação, Kassio Nunes Marques proferiu, em 1º de outubro de 2024, voto de desempate favorável à tese defendida pelos credores.
Os parlamentares argumentam que o resultado tinha interesse econômico para o Banco Master, que mantinha em seu balanço uma carteira estimada em R$ 10 bilhões em precatórios do setor.
A decisão também contou com votos dos ministros Edson Fachin e Dias Toffoli, conforme os elementos apresentados na representação.
Após o julgamento, mensagens atribuídas ao diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, teriam registrado comemoração pelo resultado, com a expressão “ganhamos Alcídia”.
Na sequência, segundo o relato dos parlamentares, o contato de um filho de Nunes Marques teria sido compartilhado na conversa, acompanhado da expressão “Dominado aqui”.
Os deputados pedem que o contexto dessas mensagens seja esclarecido, inclusive para verificar se existiu alguma relação indevida entre interesses privados e a atuação judicial. As conversas citadas, isoladamente, não demonstram que o voto tenha sido influenciado por terceiros.
A representação também menciona o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques, em referências a contratos e transferências financeiras envolvendo empresas que mantiveram relações comerciais com o Banco Master.
De acordo com os parlamentares, diálogos entre executivos da instituição fariam referência a pagamentos mensais de R$ 500 mil a pessoas associadas ao advogado.
Outro ponto citado é um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo o qual a empresa Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e transferiu R$ 281,6 mil ao escritório de Kevin Marques no período examinado.
A existência de transferências financeiras, por si só, não comprova irregularidade. O pedido busca esclarecer a origem dos recursos, os serviços contratados e a eventual relação entre essas operações e os interesses da instituição financeira.
Os deputados também solicitam a análise de um contrato de honorários advocatícios que poderia alcançar R$ 427 milhões, firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Camilla Ewerton Ramos, esposa do desembargador federal Newton Ramos.
Conforme informações atribuídas à investigação da PF e divulgadas pelo portal Metrópoles, mensagens do banqueiro utilizariam a expressão “Turma do KN” para se referir a pessoas ligadas ao casal.
A sigla é apontada nos elementos citados como possível referência às iniciais de Kassio Nunes Marques, interpretação cuja relevância e contexto dependem de apuração.
A representação menciona ainda conversas nas quais Newton Ramos teria encaminhado a Vorcaro solicitações relacionadas ao ministro, incluindo hospedagem, além de informações sobre o andamento de processos envolvendo precatórios.
Os parlamentares querem esclarecer se os contatos relatados representavam relações pessoais e profissionais regulares ou se envolveram benefícios incompatíveis com o exercício da função pública.
Outro conjunto de fatos apresentado ao STF envolve possíveis despesas de hospedagem, lazer e transporte relacionadas ao ministro.
Segundo a representação, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicariam participação do banqueiro na organização de uma estrutura de hospedagem durante o Carnaval de 2025, no Rio de Janeiro, destinada a uma pessoa identificada pelas iniciais “KN”.
Entre os elementos mencionados está uma mansão localizada no bairro do Joá, avaliada em aproximadamente R$ 1,45 milhão, que teria sido colocada à disposição do destinatário.
Os deputados também citam um suposto encontro ocorrido em São Paulo, às vésperas do Carnaval de 2025. As conversas mencionadas fariam referência a uma cobrança de R$ 10 mil associada a um encontro pessoal e ao nome Kassio.
O material apresentado não permite, por si só, estabelecer as circunstâncias do episódio nem comprovar eventual conduta irregular.
A representação inclui ainda um voo realizado em 14 de novembro de 2025, entre Brasília e Maceió, que teria transportado Nunes Marques e sua esposa.
Conforme os parlamentares, a aeronave era operada por uma empresa relacionada à administração de bens de Vorcaro, enquanto as despesas teriam sido custeadas pela advogada Camilla Ramos, que atuava em processos de interesse do Banco Master.
O pedido solicita esclarecimentos sobre quem contratou e pagou os serviços e se houve algum benefício indevido.
A representação aborda ainda o Mandado de Segurança nº 40.823, distribuído a Nunes Marques em março de 2026, relacionado à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master no Senado.
Os deputados mencionam questionamentos apresentados por senadores sobre a imparcialidade do ministro, especialmente em razão de sua relação pessoal e política com o senador Ciro Nogueira, citado nas discussões sobre o caso.
Segundo a representação, o pedido de suspeição foi rejeitado pela Presidência do STF por ter sido apresentado fora do prazo regimental, sem análise do mérito das alegações.
Os parlamentares também questionam a ausência de decisão sobre o pedido liminar no processo, conforme a situação descrita no documento encaminhado a Fachin.
A rejeição de uma arguição de suspeição por intempestividade não equivale ao reconhecimento ou à rejeição do conteúdo das acusações.
Ao reunir os episódios, Rui Falcão e Rogério Correia defendem que sejam investigadas as possíveis conexões entre relações pessoais, movimentações financeiras e decisões judiciais de interesse do Banco Master.
O objetivo declarado é verificar se os fatos relatados possuem relevância jurídica e se justificam a abertura de investigação formal.
As suspeitas apresentadas pelos parlamentares ainda dependem de apuração, e os documentos mencionados não autorizam concluir, neste momento, que o ministro tenha recebido vantagens indevidas ou cometido irregularidades.
O material fornecido não informa manifestação de Kassio Nunes Marques, Kevin Marques, Daniel Vorcaro ou dos demais citados sobre esta representação específica. Também não há confirmação, nos dados apresentados, de que Edson Fachin tenha determinado a abertura de inquérito.
A próxima etapa dependerá da análise institucional do pedido e da definição sobre eventuais diligências para esclarecer os fatos.
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