Justiça / Supremo
Gilmar Mendes acusa Mendonça de atuação político-eleitoral e sai em defesa de Gonet
Decano do STF criticou divulgação de informações do Caso Master, comparou episódio a práticas da Lava Jato e chamou colega de “boneco de campanha”
17/09/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a elevar o tom contra o ministro André Mendonça nesta quinta-feira (17). Em manifestação publicada nas redes sociais, Gilmar defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e acusou o colega de conduzir episódios relacionados ao Caso Master com finalidade político-eleitoral.
A reação está relacionada ao levantamento do sigilo de relatório da Polícia Federal que revelou mensagens envolvendo Gonet e pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Gilmar sustentou que o conteúdo divulgado não demonstrava prática ilícita do procurador-geral e que a exposição provocou danos à sua reputação.
“Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, escreveu Gilmar ao argumentar que uma manifestação posterior reconhecendo a inexistência de suspeitas contra Gonet não eliminaria os efeitos da divulgação anterior.
Na publicação, o decano classificou Paulo Gonet como uma autoridade de “reputação ilibada” e afirmou que sua trajetória pública é reconhecida pela lisura.
Gilmar lembrou ainda que, durante a sessão extraordinária do STF realizada na terça-feira (15), Mendonça afirmou que não estava fazendo uma acusação contra o procurador-geral. O próprio Gonet declarou no julgamento que não mantém relação de proximidade com Vorcaro e relatou ter participado de um encontro com várias autoridades em abril de 2024, além de uma ligação que classificou como breve e banal.
Para Gilmar, isso reforça a pergunta sobre a necessidade da exposição pública das informações. A crítica, no entanto, representa a avaliação do decano sobre a conduta do colega e não uma conclusão institucional do STF sobre a imparcialidade de Mendonça.
Outro ponto levantado por Gilmar foi uma publicação de André Mendonça nas redes sociais agradecendo manifestações de apoio recebidas durante a controvérsia.
Na interpretação de Gilmar, o vídeo demonstraria uma tentativa de obter repercussão política com o episódio. Foi nesse contexto que o ministro afirmou que quem atua dessa maneira “não é magistrado imparcial” e utilizou as expressões “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” para se referir ao colega.
Mendonça tem contestado as acusações de motivação política. Durante a sessão do dia 15, reagiu às críticas de Gilmar e exigiu respeito, enquanto o decano insistia nos questionamentos sobre a condução do caso.
Gilmar também comparou o episódio a procedimentos que atribuiu à Operação Lava Jato. Segundo o ministro, Sergio Moro e Deltan Dallagnol teriam utilizado vazamentos seletivos para produzir repercussão pública antes da análise judicial dos fatos. A comparação e a caracterização do método são do próprio Gilmar.
Para o decano, a divulgação antecipada de informações pode influenciar a opinião pública, prejudicar reputações e dificultar o exercício do direito de defesa e da presunção de inocência.
O ministro também relacionou suas críticas ao calendário eleitoral. Durante a sessão de terça-feira, afirmou existir, em sua avaliação, um “viés político-eleitoral” na condução do caso e questionou a divulgação de informações em período próximo às eleições.
As declarações desta quinta-feira ampliam uma divergência que ficou explícita durante o julgamento realizado pelo STF na terça-feira (15). A sessão teve sucessivos confrontos verbais entre ministros, principalmente entre Gilmar Mendes, André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Em determinado momento, depois de Gilmar criticar a exposição de Gonet, Mendonça respondeu ao colega e pediu respeito. A discussão se intensificou e levou o ministro Flávio Dino a pedir vista e reclamar do nível alcançado pelos embates no plenário.
A manifestação publicada por Gilmar nesta quinta encerra com uma defesa do devido processo legal e uma declaração de solidariedade a Paulo Gonet. As acusações de atuação político-eleitoral e de falta de imparcialidade permanecem como avaliações feitas pelo decano e contestadas por Mendonça, dentro de uma disputa que expôs publicamente as divergências entre integrantes do Supremo.
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