Política / Eleições
Flávio Bolsonaro teria usado na campanha imóvel ligado a alvos de investigações da PF
Apartamento em São Paulo pertence à empresa de Willer Tomaz e já foi de Fabiano Zettel; senador nega ter ficado no local e diz que se hospedou em hotéis
16/09/2026
20:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, teria utilizado durante a campanha eleitoral um apartamento em São Paulo pertencente à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do advogado Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos em benefícios do INSS. A informação sobre o uso do imóvel foi publicada pela revista piauí e repercutida nesta quinta-feira (17). Flávio contesta a versão e afirmou à revista que se hospedou apenas em hotéis da região.
Segundo a reportagem, o candidato teria permanecido no apartamento durante alguns dias da primeira quinzena de agosto, período em que teria recebido integrantes de sua equipe, discutido estratégias eleitorais e gravado vídeos destinados ao horário eleitoral. A assessoria do senador não havia apresentado novos esclarecimentos até o fechamento da reportagem original, na noite de quarta-feira (16).
O imóvel fica na Vila Nova Conceição, área valorizada da capital paulista, tem aproximadamente 158 metros quadrados e três vagas de garagem. Antes de passar para a empresa de Tomaz, o apartamento pertenceu a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e apontado em investigações como operador financeiro ligado ao banqueiro.
Documentos da transação, divulgados anteriormente pela Folha de S.Paulo, mostram que Zettel adquiriu o apartamento em 17 de abril de 2025 por R$ 5,5 milhões. Em 10 de fevereiro de 2026, menos de um ano depois, vendeu o imóvel à empresa de Willer Tomaz por R$ 3,5 milhões, diferença de R$ 2 milhões em relação ao preço pago anteriormente.
Segundo a reportagem da Folha, o pagamento foi estruturado em R$ 2 milhões à vista e três parcelas de R$ 500 mil, pagas entre março e maio deste ano. Tomaz afirmou que a aquisição ocorreu por intermédio de corretores, em negociação de mercado, e que os valores e a forma de pagamento constam integralmente da escritura pública.
A relação temporal chama atenção porque, em 4 de agosto, período próximo ao apontado para a suposta utilização do apartamento pela campanha, Willer Tomaz foi alvo de mandado de busca e apreensão em nova fase da Operação Sem Desconto. A ação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Documentos citados pela imprensa mostram que a PF descreveu Tomaz como uma estrutura de suporte financeiro, patrimonial e logístico associada ao senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Tomaz nega participação no esquema. Em manifestação divulgada após a operação de agosto, sua defesa sustentou que ele não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e afirmou que a busca estaria relacionada ao fato de uma aeronave de sua propriedade ter sido utilizada, em caráter particular, por Weverton Rocha.
Sobre a compra do apartamento, Willer Tomaz afirmou não conhecer pessoalmente Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro e negou ter mantido relações pessoais, comerciais ou societárias com os dois. Também declarou que seu escritório atua em processos com interesses contrários aos do Banco Master.
Tomaz ainda afirmou que considera as referências às suas atividades uma tentativa de adversários políticos de interferir no debate eleitoral. A relação pessoal entre ele e Flávio Bolsonaro, contudo, já havia sido registrada publicamente: em 2021, o próprio senador se referiu a Tomaz como “meu amigo” durante sessões da CPI da Covid, segundo registros jornalísticos.
Até o momento, as reportagens consultadas atribuem à revista piauí a informação de que Flávio Bolsonaro utilizou o apartamento durante a campanha. O candidato nega ter se hospedado no imóvel. As investigações da Operação Sem Desconto e as transações envolvendo antigos e atuais proprietários do apartamento são fatos distintos dessa alegação e, por si sós, não demonstram participação de Flávio nas irregularidades investigadas pela PF.
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