Justiça / Caso Master
PF suspeita que Toffoli seja beneficiário de fundo ligado a R$ 35 milhões de Vorcaro
Relatório citado pela revista piauí aponta estrutura financeira no exterior; ministro nega ter mantido recursos fora do Brasil
11/09/2026
11:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal (PF) levantou a suspeita de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), possa ter sido beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, fundo que teria recebido R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram publicadas pela revista piauí nesta quinta-feira (10), com base em relatório encaminhado pela PF ao Supremo.
Segundo o documento citado pela publicação, o Arleen adquiriu participação da Maridt, empresa ligada aos irmãos de Toffoli, José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli, no empreendimento Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná. O ministro já havia reconhecido participação societária na empresa.
A PF teria identificado que o fundo anteriormente pertencia a Vorcaro e foi adquirido, em fevereiro de 2025, pelo empresário Alberto Leite, apontado no relatório como amigo de Toffoli.
Um mês depois, o regulamento do fundo teria sido modificado para permitir aplicações fora do Brasil. Em dezembro de 2025, segundo a investigação, os ativos foram transferidos para a Égide I Holding, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.
“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, afirma trecho do relatório reproduzido pela revista.
A PF também menciona documentos e comunicações que, segundo os investigadores, sugeririam utilização de terceiros e de estruturas financeiras no exterior.
O gabinete de Dias Toffoli rejeitou as suspeitas. Em nota encaminhada à publicação, afirmou que o ministro “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior”.
A manifestação acrescenta que Toffoli “jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”.
As informações apresentadas pela Polícia Federal constituem suspeitas levantadas durante a investigação e não representam comprovação de que o ministro seja proprietário do fundo ou tenha cometido irregularidades.
Outro ponto do relatório, conforme a revista, envolve suspeitas sobre a possível influência de Daniel Vorcaro em um julgamento relacionado aos precatórios da Destilaria Alcídia, pertencente ao grupo Atvos.
A empresa cobrava da União indenização por prejuízos atribuídos a medidas adotadas durante a década de 1980. O resultado poderia ter reflexos sobre uma carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro mantida pelo Banco Master, estimada em mais de R$ 10 bilhões.
Diálogos extraídos do telefone de Vorcaro teriam chamado a atenção da PF para a atuação de André Kruschewsky, então diretor jurídico do banco, e do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria.
Segundo o relatório citado, Kruschewsky aparentava “ter acesso ao STF inclusive para ‘tirar de pauta’ o processo em questão”.
Na sessão em que o caso seria analisado, o ministro Kassio Nunes Marques pediu vista e Toffoli registrou ausência justificada. O julgamento foi retomado posteriormente e terminou em 3 votos a 2, com posição de Toffoli favorável à tese da empresa.
O gabinete do ministro, entretanto, nega que tenha ocorrido alteração de voto relacionada ao caso.
A Polícia Federal encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin, porque Toffoli era relator das investigações envolvendo o Banco Master e eventuais apurações sobre ministros da Corte dependem dos procedimentos legais aplicáveis no próprio tribunal.
Conforme a reportagem, o relatório foi enviado para análise e adoção das “providências cabíveis”. O atual relator das investigações do Caso Master, André Mendonça, afirmou à revista que o documento não havia sido encaminhado a seu gabinete.
Já o gabinete de Toffoli sustenta que o relatório foi arquivado com trânsito em julgado e afirma que os demais ministros do Supremo tiveram conhecimento de seu conteúdo em 12 de fevereiro de 2026, quando a Corte teria concluído não haver motivo para reconhecer a suspeição do magistrado.
Até eventual aprofundamento formal das apurações, as informações permanecem no campo das suspeitas registradas pela Polícia Federal e relatadas pela revista, sem conclusão judicial de responsabilidade de Toffoli.
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