Política / Investigação
Lula orienta Lulinha a prestar esclarecimentos à Justiça sobre investigações
Presidente teria afirmado que o filho deve ficar à disposição das autoridades; empresário é investigado em três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência
20/08/2026
13:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a se colocar à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos sobre as investigações das quais é alvo. A posição foi transmitida na noite desta quarta-feira (19) durante reunião no Palácio da Alvorada, segundo o advogado do empresário.
Participaram do encontro o advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, e Fernando Haddad, candidato do PT ao Governo de São Paulo. Conforme Carvalho, a reunião tinha como pauta principal compromissos eleitorais de Lula no Estado paulista, mas a situação do empresário também foi mencionada.
“A orientação do presidente é para colocar o filho dele à disposição da Justiça”, afirmou o advogado.
Segundo Marco Aurélio de Carvalho, Lula também teria ressaltado que não deseja que o filho seja tratado como alguém acima da legislação em razão da relação familiar com o presidente da República.
O advogado relatou ainda que Lula defendeu independência institucional da Polícia Federal (PF) e rejeitou a possibilidade de utilização política do órgão para proteger aliados ou perseguir adversários.
“Não ganhei as eleições para aparelhar nenhuma instituição”, teria afirmado o presidente durante a conversa, conforme relato do defensor.
A manifestação ocorre enquanto as investigações envolvendo Lulinha ganham espaço no cenário político nacional em plena campanha eleitoral.
Fábio Luís Lula da Silva é alvo de três inquéritos relacionados a suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo possíveis negócios em áreas do Governo Federal.
As apurações tiveram origem em informações identificadas pela Polícia Federal durante desdobramentos da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas a descontos em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Lulinha, no entanto, não é acusado de participar diretamente do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. As suspeitas investigadas contra ele dizem respeito a outros fatos identificados a partir do material obtido pela PF.
Dois dos inquéritos estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Um terceiro procedimento é relatado pelo ministro Flávio Dino.
Uma das linhas investigativas procura esclarecer uma possível atuação de Lulinha, ao lado da empresária Roberta Luchsinger, em negociações relacionadas ao fornecimento de medicamentos à base de canabidiol para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Luchsinger mantinha relação profissional com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, personagem investigado pela Polícia Federal no caso envolvendo recursos de aposentados e pensionistas.
Diálogos obtidos pelos investigadores indicariam interesse da empresária em obter participação nos resultados de uma operação comercial envolvendo cannabis medicinal.
A PF também apura se houve tentativa de facilitar o acesso dos interessados a integrantes do Governo Federal para viabilizar o negócio.
O contrato investigado não chegou a ser firmado.
Entre os elementos analisados pelos investigadores está uma minuta de contrato encaminhada ao cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que exercia a função de chefe de gabinete de Lula.
Segundo o relato apresentado, Marcola afirma que não encaminhou o documento a outras pessoas.
Ele deixou a campanha presidencial em 5 de agosto, depois que investigações identificaram pagamentos realizados por Roberta Luchsinger.
Marcola declarou que os valores estavam relacionados a um empréstimo, posteriormente quitado por meio de uma transferência de R$ 249 mil.
As circunstâncias desses pagamentos integram o conjunto de informações analisadas pelas autoridades.
Relatório da Polícia Federal também menciona conversas nas quais Roberta Luchsinger teria demonstrado possuir autorização para atuar em nome do filho do presidente.
Em um dos diálogos mencionados na investigação, a empresária teria afirmado a um interlocutor envolvido na prospecção de negócios junto ao governo:
“Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio.”
A declaração integra o material investigativo e, isoladamente, não comprova eventual participação de Lulinha em irregularidades. Caberá à investigação determinar o contexto das mensagens e verificar se existiu alguma atuação ilícita.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva contesta a forma como informações dos inquéritos têm chegado ao conhecimento público e sustenta a existência de “vazamentos seletivos e criminosos” com finalidade eleitoral.
“Nós queremos que o devido processo legal seja respeitado”, afirmou Marco Aurélio de Carvalho.
O advogado acrescentou que a defesa não pretende impedir a atuação das autoridades, mas cobra igualdade de tratamento.
“Ninguém está acima da lei, mas também não pode ser tratado como se estivesse abaixo da lei”, declarou.
As suspeitas permanecem em fase de investigação e Lulinha não foi condenado pelos fatos apurados nesses inquéritos. A orientação atribuída ao presidente ocorre justamente enquanto a defesa busca demonstrar que o empresário pretende prestar os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e exercer o direito ao contraditório durante o andamento dos procedimentos.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
TSE define tempo de TV e rádio e Lula terá maior espaço na propaganda presidencial
Leia Mais
PL pede à Justiça substituição de Michelle nos cuidados de Bolsonaro durante campanha
Leia Mais
Caminhão da JBS supera 500 mil km com biodiesel B100 sem adaptação no motor
Leia Mais
Americano com órgão genital abaixo de 1 cm faz procedimento após campanha de doações
Municípios