Eleições / Presidência
Zema chama beneficiários de programas sociais de ‘geração de imprestáveis’ e propõe mudanças nas regras
Candidato à Presidência defende vincular benefícios a emprego e capacitação, além de criticar programas de renegociação de dívidas e defender privatizações
19/08/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) fez duras críticas aos programas sociais mantidos pelo governo federal e defendeu mudanças nas regras de acesso e permanência dos beneficiários. Durante evento realizado em São Paulo, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que o atual modelo estaria criando uma “geração de imprestáveis” e sustentou que pessoas aptas ao trabalho deveriam ser direcionadas a oportunidades de emprego.
A declaração foi feita na segunda-feira, 17 de agosto, durante a 27ª Conferência Anual Santander. O tema também integra as propostas apresentadas por Zema para a disputa presidencial de 2026.
“Nós estamos criando uma geração de imprestáveis que se recusam a trabalhar e optam por ficar fazendo bico, e isso está passando de pai para filho”, declarou o candidato.
A afirmação coloca a política de transferência de renda entre os temas econômicos e sociais que devem ocupar espaço no debate eleitoral até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Além de questionar os efeitos dos programas sobre a entrada dos beneficiários no mercado formal, Zema afirmou considerar necessária uma revisão das políticas atualmente existentes.
Segundo o candidato, haveria “muita fraude e muito mau uso” dos benefícios.
A proposta apresentada por Zema não prevê simplesmente a extinção dos programas sociais. O plano de governo do candidato defende a criação de mecanismos para conectar beneficiários a qualificação profissional e oportunidades de trabalho.
O documento define a estratégia como uma “porta de saída estruturada”, destinada a permitir que famílias atendidas pelas políticas de transferência de renda conquistem autonomia financeira.
Entre as ideias defendidas está a adoção de regras para que beneficiários considerados aptos ao trabalho aceitem oportunidades de emprego compatíveis com os critérios que venham a ser estabelecidos.
A proposta coloca no centro da discussão uma questão recorrente nas políticas de transferência de renda: como manter proteção às famílias em situação de vulnerabilidade e, simultaneamente, criar mecanismos que favoreçam a entrada ou o retorno ao mercado formal.
A implementação de uma eventual mudança dependeria das regras específicas de cada programa e, conforme o alcance da proposta, poderia exigir alterações legais e regulamentares.
O candidato aproveitou a participação no evento para reafirmar sua posição favorável à privatização de empresas estatais.
Zema também criticou políticas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e classificou a atual administração como “pró-bilionário”.
Entre os programas questionados pelo candidato está o Desenrola, criado para facilitar a renegociação de dívidas de consumidores. Para Zema, iniciativas desse tipo funcionam como medidas paliativas e não solucionam os problemas estruturais relacionados ao endividamento.
As declarações mostram que o desenho das políticas sociais deverá integrar a disputa entre os candidatos à Presidência nas Eleições 2026.
De um lado, Zema propõe maior vinculação entre transferência de renda, capacitação e ingresso no mercado de trabalho. Do outro, a manutenção e o formato das políticas existentes deverão ser defendidos ou contestados pelos demais candidatos ao longo da campanha.
A expressão utilizada pelo presidenciável para se referir aos beneficiários também tende a ampliar a repercussão política de sua proposta, separando dois aspectos do debate: a discussão sobre eventuais mudanças nas regras dos programas e a forma escolhida pelo candidato para caracterizar parte da população atendida por essas políticas.
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