Política / Soberania
Lula defende domínio nuclear e diz que Brasil não pode andar de ‘cabeça baixa’ diante de potências
Em visita a centro nuclear da Marinha em São Paulo, presidente defende recursos para submarino de propulsão nuclear e enriquecimento de urânio para fins pacíficos
19/08/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar a soberania nacional no centro de seu discurso nesta quarta-feira, 19 de agosto, ao visitar o Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo. Candidato à reeleição, Lula afirmou que o Brasil precisa dominar tecnologias estratégicas e ter condições de defender seus próprios interesses nas relações internacionais.
Durante a visita, o presidente destacou o desenvolvimento do submarino brasileiro de propulsão nuclear e o domínio nacional do ciclo do combustível nuclear. Para Lula, investimentos nessas áreas devem ser tratados como projetos de longo prazo, sem depender exclusivamente das oscilações anuais do orçamento federal.
“Soberania não é só discurso. É estar preparado para eles saberem que podemos dizer não, que podemos competir. O que não pode é ser cabeça baixa a vida inteira”, afirmou.
Lula estava acompanhado, entre outras autoridades, do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Ao conhecer o Laboratório de Enriquecimento Isotópico da Marinha, Lula defendeu uma solução orçamentária capaz de assegurar continuidade ao programa do submarino de propulsão nuclear.
O presidente reconheceu que áreas como saúde e educação disputam recursos do Orçamento, mas argumentou que projetos considerados estratégicos para a soberania também precisam de previsibilidade financeira.
“Uma coisa dessa não pode ficar à mercê da volatilidade do nosso orçamento. Se a gente quer submarino de verdade, se é importante para a soberania nacional, para o Brasil ser respeitado no mundo, a gente tem que dar continuidade”, declarou.
Segundo Lula, o investimento também envolve desenvolvimento tecnológico, geração de empregos qualificados, energia e domínio do enriquecimento de urânio.
O programa brasileiro para desenvolvimento de submarinos inclui a construção de uma embarcação com propulsão nuclear, tecnologia diferente do desenvolvimento de armamento nuclear. A finalidade declarada do projeto brasileiro é militar e estratégica, principalmente para proteção das águas jurisdicionais do País.
Lula também defendeu que o Brasil continue desenvolvendo capacidade própria de enriquecimento de urânio, respeitando a determinação constitucional de utilização da tecnologia nuclear para finalidades pacíficas.
O presidente mencionou aplicações na produção de energia, saúde, ciência e tecnologia e defendeu que o conhecimento adquirido possa gerar oportunidades econômicas para o País.
“O submarino é importante para que a gente tenha tecnologia para dar e para vender, para que a gente possa enriquecer urânio para fins pacíficos, como está na nossa Constituição, e para vender para o mundo”, afirmou.
Uma eventual comercialização internacional de materiais nucleares não depende apenas de decisão econômica. O setor está sujeito a regras específicas, controles nacionais e compromissos internacionais de não proliferação e salvaguardas.
A Constituição Federal estabelece que as atividades nucleares realizadas em território brasileiro somente poderão ser admitidas para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional.
Também cabe à União exercer o monopólio sobre atividades estratégicas relacionadas aos minérios e materiais nucleares, incluindo processos ligados ao enriquecimento e reprocessamento.
O domínio dessa tecnologia permite ao País participar de diferentes etapas do ciclo do combustível utilizado em instalações nucleares, reduzindo a dependência tecnológica externa em uma área considerada estratégica.
As declarações também ocorrem em meio à campanha presidencial de 2026, na qual Lula busca a reeleição e tem utilizado a defesa da soberania como uma das linhas de seu discurso político.
O tema ganhou força diante das recentes divergências comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, sob o governo do presidente norte-americano Donald Trump.
Lula tem sustentado que o governo brasileiro deve manter canais de negociação com outros países, mas preservar autonomia para tomar decisões sobre assuntos internos e interesses estratégicos nacionais.
Em Iperó, o presidente associou esse conceito a investimentos concretos em defesa e tecnologia. A mensagem foi de que o domínio do ciclo nuclear e a conclusão do submarino de propulsão nuclear devem ser tratados como políticas de Estado, com financiamento de longo prazo e continuidade independentemente das limitações orçamentárias de cada exercício.
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