Política / Eleições 2026
Caiado rejeita ação dos EUA contra facções e propõe força sul-americana contra narcotráfico
Presidenciável afirma que combate ao crime organizado deve ser liderado pelo Brasil e defende cooperação policial entre países da América do Sul
17/08/2026
19:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu nesta segunda-feira (17) que o Brasil assuma o protagonismo no combate às organizações criminosas e rejeitou a ideia de que os Estados Unidos sejam responsáveis por enfrentar facções que atuam no território brasileiro.
A declaração foi dada após Caiado ser questionado sobre a atuação norte-americana em relação a organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas.
Para o candidato, o enfrentamento às facções deve ser conduzido pelas autoridades brasileiras, embora possa envolver cooperação internacional.
“Os americanos não vão resolver problema que é nosso. Eu não tenho preocupação nenhuma com os americanos. Quem vai resolver esse problema somos nós, brasileiros”, afirmou Caiado.
Ao tratar do avanço das organizações criminosas, Caiado argumentou que a expansão do narcotráfico deixou de ser uma questão restrita à segurança interna brasileira e passou a produzir consequências em outros países.
Segundo o presidenciável, a resposta deveria partir de uma articulação entre o Brasil e os demais países da América do Sul, principalmente para combater o tráfico internacional de drogas, o comércio ilegal de armas e os mecanismos financeiros utilizados para lavar recursos provenientes do crime.
Caiado afirmou que a falta de uma resposta suficientemente articulada das autoridades brasileiras favorece a expansão das organizações criminosas e aumenta os riscos para países vizinhos.
Na avaliação do candidato, o tamanho das fronteiras brasileiras e a posição geográfica do país tornam necessária uma estratégia regional de segurança pública.
Durante a manifestação, Caiado classificou a Amazônia brasileira como um “hub logístico” utilizado por organizações envolvidas no tráfico internacional de drogas.
O candidato também mencionou a expansão da cocaína para mercados europeus e afirmou que autoridades estrangeiras acompanham com preocupação o crescimento desse comércio ilegal.
Outro ponto citado foi a internacionalização do PCC. Caiado afirmou que a facção já mantém presença em 29 países, utilizando esse dado para sustentar a necessidade de uma política de segurança que ultrapasse as fronteiras nacionais.
Para ele, o Brasil deveria ocupar posição central na articulação entre as forças de segurança da região.
Entre as medidas apresentadas, Caiado defendeu a criação de uma estrutura policial de integração entre os países sul-americanos.
A proposta foi chamada pelo candidato de “Sulpol” e funcionaria, segundo sua explicação, como uma força de cooperação regional voltada ao enfrentamento do narcotráfico e de crimes associados.
“Essa polícia avançará. Será uma Sulpol, ou seja, a polícia dessa área da América do Sul”, declarou.
A ideia apresentada pelo presidenciável prevê maior integração operacional e intercâmbio de informações entre forças policiais dos países envolvidos.
Caiado também falou em ampliar a capacidade de atuação conjunta nos territórios da região, embora uma eventual estrutura desse tipo dependa de acordos internacionais, regras sobre soberania e definição das atribuições das autoridades de cada país.
O candidato relacionou sua proposta à extensa faixa de fronteira brasileira. O Brasil faz divisa terrestre com dez países da América do Sul, circunstância que amplia os desafios de fiscalização e repressão a crimes transnacionais.
A estratégia defendida por Caiado pretende integrar ações contra narcotráfico, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e organizações criminosas com atuação internacional.
Ao mesmo tempo em que rejeita a transferência da responsabilidade do combate às facções para os Estados Unidos, o candidato sustenta que o Brasil precisa fortalecer sua própria capacidade de enfrentamento e liderar uma articulação regional.
A segurança pública aparece como um dos temas centrais da campanha presidencial de Caiado, que deverá continuar explorando sua proposta de endurecimento do combate ao crime organizado durante a disputa pelo Palácio do Planalto.
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