Política / Investigação
PF encontra mensagens atribuídas a Lulinha com lobista investigada por tráfico de influência
Mensagens atribuídas a Lulinha indicariam discussões sobre negócios e reuniões com integrantes do governo; defesa nega irregularidades e questiona vazamentos
17/08/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Polícia Federal identificou mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversas com a lobista Roberta Luchsinger, investigada sob suspeita de tráfico de influência. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, os diálogos tratariam de negócios, contatos e reuniões envolvendo pessoas que ocupavam posições próximas ao governo federal.
O material faz parte de uma investigação sob sigilo e, até o momento, não representa conclusão de responsabilidade criminal. A defesa de Fábio Luís afirma que não há provas de irregularidade e questiona a divulgação parcial de informações obtidas durante a apuração.
As conversas reveladas são relevantes porque, segundo a publicação, mostram pela primeira vez diálogos diretamente atribuídos ao filho do presidente com Roberta Luchsinger. Os investigadores analisam se a relação entre os dois ultrapassava o vínculo pessoal e envolvia interesses empresariais e articulações junto a integrantes da administração federal.
Um dos diálogos destacados teria ocorrido em 22 de março de 2024. Na conversa, Roberta Luchsinger afirma que os dois trabalhariam em um “nível diferenciado” e acrescenta que “nosso futuro é Suíça”.
Na mesma troca de mensagens, Lulinha teria mencionado participação em reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que atuou como chefe de gabinete do presidente Lula, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
As mensagens são analisadas pela investigação no contexto das relações mantidas pela lobista com pessoas próximas ao governo.
Segundo o material divulgado, Marcola ocupava posição de proximidade com o presidente e mantinha contatos com integrantes do primeiro escalão. Swedenberger Barbosa, por sua vez, integrava a estrutura do Ministério da Saúde no período mencionado.
Outro personagem investigado é o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Segundo as informações divulgadas, ele teria buscado interlocução no Ministério da Saúde em torno de um projeto relacionado à aquisição de cannabis medicinal pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A investigação também identificou transferências que somariam R$ 1,5 milhão do empresário para Roberta Luchsinger.
Em uma dessas movimentações, no valor de R$ 1,1 milhão, uma mensagem atribuída ao empresário mencionaria que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. A interpretação de que a expressão poderia se referir a Lulinha é tratada como hipótese investigativa e não como fato comprovado.
Até o momento, conforme o conteúdo divulgado, não há conclusão definitiva demonstrando que o dinheiro tenha efetivamente chegado ao filho do presidente.
As mensagens analisadas pela PF também fariam referências a Fernando Bittar, ex-sócio de Fábio Luís.
Segundo os investigadores citados pela publicação, expressões como “Fernando” e “Fefe” presentes nos diálogos seriam referências a Bittar.
Em uma das conversas, Roberta Luchsinger teria dito a Lulinha que Bittar estaria utilizando o nome dele na tentativa de viabilizar um negócio de grande porte envolvendo a Telebras.
“Já desmentiu?”, teria perguntado Fábio Luís.
A lobista responde, conforme o diálogo divulgado: “Desmenti e falei que não é verdade”.
O conteúdo é considerado pelos investigadores na reconstrução das relações comerciais e dos contatos mantidos entre os envolvidos.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva contesta qualquer interpretação de que as informações revelem atuação irregular.
Os advogados afirmam que ele se mudou para a Espanha e exerce atividades privadas sem relação direta ou indireta com o governo brasileiro.
Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, as informações bancárias e fiscais analisadas não comprovariam irregularidades.
“Vive de forma digna, exclusiva e modesta com o resultado do seu próprio trabalho. A quebra do seu sigilo fiscal e bancário é reveladora da ausência absoluta de qualquer prova ou indício de irregularidade”, afirmou.
Em manifestação encaminhada ao Metrópoles, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori também criticaram a divulgação das supostas mensagens enquanto o procedimento permanece sob sigilo.
A defesa sustenta que não teve acesso integral aos dados e afirma que eventual vazamento de informações protegidas deverá ser investigado.
“A defesa reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo”, disseram os advogados.
Eles também afirmaram que pretendem solicitar apurações sobre eventual participação de agentes públicos na divulgação indevida do material.
Outra frente da investigação envolve a relação entre Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
A Polícia Federal suspeita que a lobista tenha comprado presentes, pago despesas e adquirido joias enquanto mantinha relacionamento próximo com o então integrante do gabinete presidencial.
Em diálogo datado de 29 de abril de 2024, Roberta e Marcola teriam conversado sobre modelos de joias. A lobista posteriormente teria encaminhado fotografias de peças, entre elas um par de solitários e um colar de diamantes.
Interlocutores da defesa de Marcola afirmaram, segundo a reportagem, que as peças custaram R$ 9,2 mil e integravam um empréstimo de R$ 249 mil feito por Roberta a ele.
De acordo com essa versão, o valor teria sido posteriormente devolvido com juros e correção.
O advogado Roberto Podval, responsável pela defesa de Roberta Luchsinger, não comentou o conteúdo das investigações em razão do sigilo do inquérito.
As mensagens ampliam uma investigação que envolve relações pessoais, movimentações financeiras, atividades de lobby e contatos com integrantes ou ex-integrantes da administração federal.
O conteúdo divulgado, entretanto, precisa ser diferenciado das conclusões formais de uma investigação. As mensagens atribuídas aos envolvidos, as interpretações sobre apelidos e destinatários de recursos e as suspeitas de tráfico de influência ainda dependem da análise da Polícia Federal e das instâncias judiciais responsáveis pelo caso.
A apuração deverá buscar esclarecer principalmente a origem e o destino das movimentações financeiras, a natureza dos negócios discutidos, o objetivo das reuniões mencionadas e se houve utilização indevida de proximidade política para obtenção de vantagens.
Até que essas etapas sejam concluídas, Fábio Luís Lula da Silva, Roberta Luchsinger e os demais citados mantêm as garantias legais de defesa e presunção de inocência, e as suspeitas investigadas não devem ser tratadas como condenações.
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