Justiça / Eleitoral
Fachin adia julgamento sobre Nossa Senhora Aparecida e evita novo embate no plenário do STF
Presidente do Supremo chegou a avaliar análise do caso nesta quarta-feira, mas tema ficou fora da pauta em meio a divergências entre ministros às vésperas da eleição
29/09/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu não levar ao plenário nesta quarta-feira (30) a controvérsia envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O julgamento havia sido cogitado para esta semana, mas acabou fora da pauta.
A decisão ocorre em um momento de divergências entre integrantes do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a retirada de conteúdos das redes sociais durante a campanha. Ministros ouvidos pela CNN avaliaram que uma discussão presencial, transmitida ao vivo e a poucos dias do primeiro turno, poderia ampliar a tensão dentro da Corte.
O primeiro turno das eleições está marcado para domingo, 4 de outubro. A controvérsia sobre as publicações já produziu decisões diferentes de André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux.
Até esta terça-feira, Fachin havia sinalizado a possibilidade de colocar o processo em julgamento já no dia 30 de setembro. A intenção seria obter uma manifestação colegiada diante da sucessão de decisões individuais e estabelecer uma posição do Supremo sobre a controvérsia.
A avaliação mudou diante da possibilidade de um novo confronto entre os ministros.
Segundo a CNN, uma ala da Corte considerava mais prudente deixar a análise para depois do primeiro turno, evitando que um debate interno do STF ganhasse protagonismo na reta final da campanha eleitoral.
Outra corrente defendia justamente o contrário: que divergências fazem parte da atuação de um tribunal colegiado e que o plenário deveria dar uma resposta sobre um caso com repercussão eleitoral.
Com a decisão de Fachin, não há julgamento do caso previsto para esta quarta-feira.
A disputa jurídica envolve conteúdos nas redes sociais que atribuíram a Flávio Bolsonaro ou à sua família a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Na sexta-feira (25), André Mendonça, atuando no TSE, determinou a retirada de publicações que tratavam essa informação como verdadeira.
A controvérsia chegou posteriormente ao Supremo. No domingo (27), Flávio Dino cassou parte da decisão do TSE e determinou o restabelecimento das postagens, fundamentando a medida na proteção constitucional à liberdade de expressão e à liberdade religiosa. O andamento oficial do STF registra a decisão.
Dino posteriormente encaminhou sua decisão para análise do plenário, deixando para Fachin, como presidente da Corte, a definição da data do julgamento.
A disputa ganhou outro capítulo na segunda-feira (28).
O ministro Luiz Fux suspendeu os efeitos da decisão de Dino e restabeleceu as determinações da Justiça Eleitoral para retirada das publicações, com as ressalvas previstas originalmente pelo TSE.
Fux também determinou que as plataformas voltassem a cumprir a ordem e encaminhou a controvérsia para análise colegiada.
Em sua fundamentação, Fux questionou o instrumento processual utilizado para modificar a decisão relacionada ao TSE. Entre as questões institucionais levantadas pelo episódio está a possibilidade e os limites para que uma decisão individual de um ministro seja revista por outro integrante do próprio Supremo.
O episódio deixou de envolver apenas o conteúdo das publicações e passou a levantar uma discussão institucional sobre competência, liberdade de expressão, propaganda eleitoral e os limites da atuação do STF na revisão de decisões da Justiça Eleitoral.
A cinco dias da votação, ministros do Supremo e integrantes da cúpula do TSE divergem sobre até onde a Corte constitucional pode intervir em decisões tomadas durante o processo eleitoral.
A análise pelo plenário seria uma oportunidade para os 11 ministros do STF estabelecerem uma orientação colegiada.
A realização do julgamento presencial, entretanto, também poderia expor publicamente as divergências que vêm ocorrendo dentro da Corte.
O adiamento ocorre depois de semanas marcadas por decisões conflitantes entre integrantes do Supremo em diferentes processos.
Em setembro, Fachin chegou a cancelar sessão plenária após outra escalada das divergências internas, naquela ocasião relacionada a decisões envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A CNN relata que parte dos ministros considera necessário reduzir a exposição pública dessas divergências, enquanto outro grupo entende que a realização regular das sessões e o enfrentamento das diferenças pelo colegiado são essenciais para que o tribunal produza decisões institucionais.
O próprio Fachin já afirmou, durante outro julgamento realizado neste mês, que decisões relevantes pertencem ao colegiado e não exclusivamente a um ministro.
No caso de Nossa Senhora Aparecida, porém, a manifestação conjunta ficará para outro momento. O julgamento não foi incluído na pauta desta quarta-feira e uma nova data ainda não foi informada.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Solidariedade pede ao STF retirada de Nunes Marques e Mendonça de ações sobre propaganda eleitoral
Leia Mais
Advogado Willer Tomaz diz ter apostado quase R$ 5 bilhões e cobra R$ 163 milhões da Blaze na Justiça
Leia Mais
Gilmar Mendes mantém quebra de sigilos de ex-assessora de Flávio Bolsonaro em ação sobre “rachadinha”
Leia Mais
Simone Tebet chama Eduardo Bolsonaro de “covarde” e leva declarações ao Ministério Público Eleitoral
Municípios