Artigo / Opinião
Dia Nacional do Idoso: André Naves alerta para o combate ao etarismo e a urgência de cidades e empregos acessíveis para a população 60+
Defensor Público Federal destaca que o envelhecimento populacional exige reformas estruturais nas políticas públicas e no mercado de trabalho para garantir dignidade e autonomia.
30/09/2026
14:00
André Naves*
André Naves*
Nesta quinta-feira (01/10), o Brasil celebra o Dia Nacional do Idoso e o Dia Internacional da Pessoa Idosa, datas que convidam à reflexão sobre a rápida transição demográfica do país. Segundo dados do Censo do IBGE, a população com 60 anos ou mais ultrapassou a marca de 32 milhões de pessoas, representando cerca de 15,6% dos brasileiros. No entanto, o aumento da expectativa de vida ainda não vem acompanhado de garantias plenas de acessibilidade, inclusão produtiva e combate ao preconceito.
Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Economia Política, o envelhecimento da população precisa deixar de ser enxergado como um “fardo socioeconômico” e passar a ser estruturado como uma pauta central de desenvolvimento e cidadania.
“Vivemos em uma sociedade estruturalmente etarista, que insiste em invisibilizar a pessoa idosa ou limitar sua capacidade de contribuição. O Estatuto do Idoso representou um marco legal expressivo, mas a dignidade na velhice exige mais do que direitos no papel: exige ambientes urbanos acessíveis, sistemas de saúde preventivos e a superação das barreiras no mercado de trabalho”, pontua Naves.
Estudos apontam que grande parte da população idosa brasileira enfrenta limitações de mobilidade urbana e falta de infraestrutura adaptada em transportes e edifícios públicos. Além disso, a intersecção entre o envelhecimento e o surgimento de deficiências, adquiridas ao longo da vida, expõe a fragilidade dos sistemas de assistência e cuidado.
No mercado de trabalho, o etarismo barra o aproveitamento de profissionais experientes, empurrando muitos idosos para a informalidade ou para a dependência financeira em um momento em que a sustentabilidade dos sistemas previdenciários é amplamente debatida.
Naves ressalta que o planejamento econômico do país precisa se adaptar com urgência à nova realidade demográfica:
“Ignorar a potência da população idosa é um erro ético e econômico. Cidades acessíveis e políticas de incentivo ao trabalho para pessoas 60+ não beneficiam apenas os idosos, mas toda a sociedade. A verdadeira inclusão é intergeracional: uma comunidade que não cuida de seus idosos e não garante sua autonomia está falhando em construir seu próprio futuro.”
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