Política / Eleições 2026
Documentos de ex-sócio atribuem a Flávio Bolsonaro despesas e citam suposta interlocução com ministro do STF
Reportagem do PlatôBR reúne mensagens, fotos e notas fiscais sobre festas privadas, Rolex de R$ 305 mil e contatos que teriam envolvido Kassio Nunes Marques
29/09/2026
20:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Uma investigação publicada pelo jornalista Rodrigo Rangel, do PlatôBR, nesta terça-feira (29), apresenta mensagens, fotografias, notas fiscais, áudios e outros documentos mantidos por Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e antigo amigo de Flávio Bolsonaro (PL). O material atribui ao senador e candidato à Presidência participação em festas privadas, relata despesas que teriam sido pagas por pessoas próximas e menciona uma suposta interlocução relacionada a um processo no gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As informações foram inicialmente divulgadas pelo PlatôBR e parte do material também foi analisada pelo UOL. As reportagens apresentam os episódios com base principalmente nos arquivos reunidos por Santini e em relatos relacionados à antiga convivência entre os dois. Os documentos divulgados não significam, por si só, comprovação de eventual irregularidade ou crime por parte das pessoas citadas.
Um dos conjuntos de registros apresentados pela investigação trata de encontros privados dos quais Flávio teria participado ao lado de Santini e garotas de programa.
Segundo o PlatôBR, há mensagens atribuídas a Santini nas quais ele conversa com uma mulher apontada pela reportagem como responsável por intermediar a participação das acompanhantes. Em algumas conversas, Santini utilizaria a expressão “meu filho”, que, segundo a interpretação apresentada pela reportagem, seria uma referência a Flávio.
A investigação afirma ainda que um dos encontros teria ocorrido no Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Fotografias desses eventos também teriam sido mantidas por Santini.
De acordo com a apuração, parte do material posteriormente teria sido apresentada a Fernanda Bolsonaro, mulher do senador. Nesse contexto, o PlatôBR publicou uma mensagem atribuída a Flávio na qual ele afirma ter feito “muitas escolhas erradas”. A mensagem divulgada, entretanto, não especifica quais episódios estariam abrangidos por essa declaração.
Outro episódio apresentado pela investigação envolve um Rolex Submariner Date de ouro branco, adquirido em 10 de fevereiro de 2022.
Segundo o PlatôBR e o UOL, uma nota fiscal registra a aquisição por R$ 305 mil em nome do advogado Alan Belaciano, amigo de Flávio. Mensagens analisadas pelas publicações são apontadas como indícios de que o relógio teria sido destinado ao senador.
O fato de a compra constar em nome de Belaciano está documentado pela nota fiscal descrita pelas reportagens. Já a afirmação de que o relógio teria sido entregue a Flávio é baseada nas mensagens e demais registros apresentados na investigação.
As reportagens também retomam a compra de mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia destinados à residência de Flávio em Brasília, imóvel adquirido por R$ 5,9 milhões.
Esse episódio já havia sido divulgado anteriormente. Na ocasião, Flávio reconheceu que um amigo havia realizado a compra dos equipamentos, mas afirmou que se tratava de um “empréstimo pessoal” que estava sendo pago por ele.
O PlatôBR relata ainda a existência de mensagens sobre outras despesas que teriam sido assumidas por pessoas próximas ao senador, incluindo reparos na residência, uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de academia. A reportagem atribui essas informações aos registros mantidos por Santini.
Outro núcleo da investigação envolve uma mensagem enviada por Santini a Flávio no final de 2023, durante uma disputa financeira entre os antigos sócios.
Na conversa divulgada pelo PlatôBR, Santini afirma ter conhecimento de que Flávio teria conversado diretamente com Kassio Nunes Marques sobre interesses relacionados a um cliente que possuía processo no gabinete do ministro. Segundo a reportagem, Alan Belaciano estaria envolvido na condução do assunto.
O material também menciona um jantar que teria sido organizado posteriormente e que, segundo a reportagem, contaria com a participação do chefe de gabinete do ministro.
As informações divulgadas, porém, não comprovam que Nunes Marques tenha praticado qualquer irregularidade, interferido indevidamente no processo ou concedido benefício em razão desses contatos. O próprio UOL registrou que a suposta intermediação não foi comprovada pela reportagem.
O gabinete de Kassio Nunes Marques afirmou, por meio de sua assessoria, que o ministro recebe parlamentares de diferentes partidos e que esse tipo de contato não compromete a imparcialidade dos magistrados.
A divulgação dos arquivos também está relacionada ao rompimento entre Flávio e Santini após a sociedade mantida pelos dois em uma franquia da Kopenhagen, no Rio de Janeiro.
Em 28 de setembro de 2023, Santini encaminhou uma notificação extrajudicial ao gabinete do senador cobrando aproximadamente R$ 1,4 milhão, segundo o PlatôBR. O documento detalhava valores que o empresário dizia ter a receber em razão do encerramento da sociedade.
Na cobrança, Santini também afirmou que Flávio teria realizado um aporte inicial de R$ 200 mil em dinheiro vivo no empreendimento. Trata-se de uma afirmação contida na notificação apresentada pelo ex-sócio. Segundo a reportagem, Flávio não respondeu ao documento.
A antiga loja de chocolates apareceu nas investigações relacionadas ao caso conhecido como “rachadinhas”, envolvendo o período em que Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro. O senador sempre negou participação em irregularidades, e decisões judiciais posteriores anularam provas e atos produzidos durante aquelas investigações.
O conjunto de arquivos divulgado pelo PlatôBR também contém conversas atribuídas a Santini e Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.
Segundo a reportagem, Queiroz procurava Santini para solicitar ajuda financeira e encaminhar recados ao senador. Os registros são apresentados como evidência da proximidade existente, naquele período, entre Santini e pessoas do círculo de Flávio.
Apesar do rompimento e da disputa financeira, Santini posteriormente voltou a manifestar apoio político ao antigo sócio. Segundo o PlatôBR, atualmente ele declara publicamente apoio à candidatura presidencial de Flávio.
Questionado por jornalistas nesta terça-feira (29) sobre as revelações, Flávio Bolsonaro evitou comentar o conteúdo da reportagem. A Folha de S.Paulo informou que a campanha do candidato também havia sido procurada e não apresentara resposta específica às informações até a publicação.
Até o momento, portanto, as informações divulgadas constituem alegações jornalísticas sustentadas por documentos, mensagens, fotografias e relatos analisados pelas publicações, com diferentes graus de comprovação para cada episódio. Não há, nas reportagens consultadas, decisão judicial que reconheça a prática de crime por Flávio Bolsonaro, Kassio Nunes Marques ou pelos demais citados em razão dos fatos revelados agora.
Essa versão reduz bastante o risco jurídico porque não transforma a conclusão do PlatôBR em fato estabelecido, especialmente nos pontos mais delicados: origem do dinheiro, destino do Rolex, festas, suposta intermediação no STF e eventual ilicitude. PlatôBR
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