Eleições / Presidência
Pablo Marçal registra candidatura à Presidência e declara patrimônio de R$ 7,4 bilhões
PRTB alterou a chapa após decisão liminar sobre filiação; empresário segue inelegível por decisões do TRE-SP e situação ainda depende da Justiça Eleitoral
15/08/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O empresário Pablo Marçal (PRTB) registrou neste sábado (15) sua candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026, após uma mudança de última hora na chapa do partido. Além da movimentação política, chamou atenção a declaração patrimonial apresentada à Justiça Eleitoral: R$ 7,418 bilhões.
O registro ocorreu depois de uma decisão liminar da Justiça Eleitoral autorizar provisoriamente a filiação de Marçal ao PRTB, com efeito retroativo. A medida permite o avanço do processo de registro, mas não resolve a situação de inelegibilidade decorrente de decisões relacionadas à campanha municipal de 2024.
A mudança na chapa foi aprovada durante reunião da direção nacional do PRTB, realizada em Brasília (DF) poucas horas antes do encerramento do prazo para registro das candidaturas.
O presidente nacional do partido, Leonardo Avalanche, apresentou durante a reunião a renúncia da chapa anteriormente formada por ele como candidato à Presidência e Dalma Regina como vice.
Na sequência, Pablo Marçal foi indicado para ocupar a cabeça da chapa, enquanto Avalanche colocou seu nome à disposição para a candidatura a vice-presidente.
A substituição foi aprovada por unanimidade pelos integrantes da Executiva Nacional presentes à reunião.
Outro dado que acompanha o registro eleitoral é a evolução dos bens declarados por Marçal.
Em 2024, quando disputou a Prefeitura de São Paulo, o empresário informou patrimônio de aproximadamente R$ 169,5 milhões. Agora, a declaração apresentada para a eleição presidencial soma R$ 7,418 bilhões.
A diferença é de aproximadamente R$ 7,249 bilhões, equivalente a um crescimento de cerca de 4.276% em relação ao patrimônio informado dois anos antes.
A maior parcela está concentrada em uma aplicação de renda fixa no Banco Itaú, declarada em R$ 6,791 bilhões. Sozinha, a aplicação representa cerca de 91,6% do patrimônio informado.
Também aparece na declaração um terreno urbano em Santana de Parnaíba (SP) avaliado em R$ 490 milhões, além de R$ 80 milhões referentes à participação de 80% na Aviation Participações Ltda.
Marçal informou ainda R$ 19,87 milhões correspondentes a 50% da Marçal Holding Ltda., outra participação societária de R$ 9,23 milhões e 90% da Marçal Participações Ltda., avaliados em R$ 2,55 milhões.
Fundos de investimentos, aplicações financeiras, contas bancárias e outros ativos completam a relação de bens apresentada à Justiça Eleitoral.
Apesar do registro da candidatura, Marçal permanece inelegível até 2032 em razão de decisões da Justiça Eleitoral relacionadas à eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024.
Uma das condenações envolve o uso considerado irregular das redes sociais durante aquela campanha. Segundo a Justiça Eleitoral, foram promovidas ações para estimular a produção e divulgação de cortes de vídeos da candidatura.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve decisão de inelegibilidade por oito anos. Também foi mantida multa de R$ 420 mil relacionada ao descumprimento de ordem judicial.
As decisões, contudo, ainda podem ser submetidas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que mantém aberta a disputa jurídica em torno da candidatura presidencial.
A decisão liminar obtida neste sábado (15) envolve especificamente outra questão: a filiação de Marçal ao PRTB.
A legislação exige filiação partidária dentro do prazo estabelecido para que uma pessoa possa concorrer. Para as eleições deste ano, a data-limite indicada no processo foi 4 de abril.
A defesa sustenta que a direção nacional do PRTB aprovou a filiação justamente naquela data, mas que o vínculo não foi inserido no sistema da Justiça Eleitoral em razão de problemas decorrentes de disputas internas da legenda.
Com a liminar, a filiação pode ser considerada provisoriamente enquanto o mérito da questão é analisado.
Assim, o registro apresentado ao TSE não significa, por si só, que Pablo Marçal esteja definitivamente autorizado a disputar a Presidência. A validade da candidatura ainda dependerá da análise da Justiça Eleitoral, inclusive dos efeitos das decisões que atualmente o tornam inelegível.
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