Defesa Nacional / Segurança Regional
Cúpula militar vê como remota ação terrestre dos EUA contra narcotráfico no Brasil
Militares avaliam que extensão da fronteira, soberania nacional e necessidade de cooperação com instituições brasileiras tornam operação americana pouco provável
15/08/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A possibilidade de os Estados Unidos ampliarem para operações terrestres sua ofensiva contra o narcotráfico na América Latina é acompanhada pelas Forças Armadas brasileiras, mas a avaliação entre integrantes da cúpula militar é de que uma ação desse tipo em território nacional seria improvável.
Militares brasileiros que mantêm interlocução com integrantes das forças americanas entendem que uma eventual operação dos Estados Unidos dentro do Brasil não poderia ser conduzida de forma independente. Qualquer iniciativa dessa natureza dependeria da participação e da autorização das instituições brasileiras.
Nesse cenário, o Exército Brasileiro teria papel central. A avaliação leva em consideração principalmente a presença da força terrestre nas regiões de fronteira e as dimensões do território nacional.
O Brasil possui quase 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres e faz divisa com dez países da América do Sul. A extensão, somada às características geográficas de áreas como a Amazônia, torna complexa qualquer operação de grande escala voltada ao enfrentamento de organizações envolvidas no tráfico internacional de drogas.
Outro elemento considerado pelos militares é o papel brasileiro no mercado internacional de entorpecentes. O país não figura entre os principais produtores mundiais de drogas como a cocaína, mas ocupa posição estratégica como mercado consumidor e corredor utilizado por organizações criminosas para transportar entorpecentes para outros continentes.
A própria dimensão das fronteiras brasileiras é apontada como obstáculo para uma eventual ação terrestre estrangeira.
Como parâmetro, militares citam a experiência dos Estados Unidos na fronteira com o México, que possui pouco mais de 3 mil quilômetros. Mesmo sendo significativamente menor que a extensão fronteiriça brasileira, a região apresenta dificuldades permanentes para fiscalização, repressão ao tráfico e controle da circulação clandestina.
A discussão ganhou força depois de declarações do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante visita ao Panamá. Ele afirmou que Washington pretende realizar ações “em terra” contra narcotraficantes na América Latina.
A estratégia representaria uma ampliação das operações americanas contra grupos ligados ao tráfico de drogas na região. Segundo Hegseth, os Estados Unidos já desenvolvem ações em águas internacionais contra embarcações suspeitas de envolvimento no transporte de entorpecentes.
Apesar do endurecimento do discurso americano, a percepção predominante entre integrantes das Forças Armadas brasileiras é de que o anúncio não significa que operações terrestres serão realizadas indistintamente nos países latino-americanos.
No caso brasileiro, pesam a soberania nacional, as características geográficas do território e a estrutura das próprias forças de segurança e defesa do país. Na avaliação desses militares, qualquer iniciativa estrangeira dentro das fronteiras brasileiras necessariamente exigiria entendimento com o governo e participação das instituições nacionais.
Por isso, embora a nova estratégia dos Estados Unidos seja acompanhada pelas autoridades militares, não há, na avaliação da cúpula das Forças Armadas, indicação de que o Brasil esteja na rota de uma eventual operação terrestre americana contra o narcotráfico.
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