Saúde / Estética
Procedimentos nos glúteos exigem intervalo e avaliação para reduzir riscos
Especialistas alertam que repetir intervenções antes da recuperação completa pode elevar o risco de infecção, fibrose, edema e alterações no contorno
14/08/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A popularização de procedimentos para aumentar, definir ou remodelar os glúteos ganhou força nas redes sociais e entre celebridades, mas também colocou em evidência uma questão importante: quanto tempo o organismo precisa para se recuperar antes de uma nova intervenção na mesma região?
O debate ganhou repercussão após procedimentos estéticos envolvendo nomes como Virginia Fonseca, Bianca Andrade e Gkay. No caso de Virginia, uma harmonização glútea chamou atenção nas redes pelo resultado apresentado e pelas brincadeiras feitas entre a influenciadora e pessoas próximas.
Por trás da repercussão, porém, especialistas alertam que a decisão de realizar uma nova intervenção não deve considerar apenas a aparência externa. O tipo de procedimento, as condições dos tecidos, o histórico do paciente e a evolução da cicatrização precisam ser avaliados individualmente.
Segundo o cirurgião plástico Luis Fernando de Mattos, não é possível estabelecer um número máximo de procedimentos que seja válido para qualquer paciente.
“O limite é individual e depende da anatomia, da qualidade da pele e dos tecidos, do histórico de cirurgias, da presença de cicatrizes, da vascularização da região e, principalmente, da capacidade de recuperação do organismo”, explicou.
A cirurgiã plástica Alessandra Martinelli, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), reforça que cada intervenção produz modificações que vão além do aspecto visível.
“O que existe é um limite biológico e anatômico para cada paciente. A cada cirurgia, há alterações na pele, na gordura, nos músculos e nos tecidos profundos, além da formação de cicatrizes internas”, afirmou.
Isso significa que mesmo quando a superfície aparentemente está recuperada, estruturas internas ainda podem estar passando pelo processo de cicatrização.

A enfermeira Bárbara Peres, pós-graduada em estética avançada, destaca que o histórico de intervenções precisa fazer parte da avaliação antes de qualquer novo procedimento.
“Cada procedimento provoca uma resposta no organismo e, quando são feitos de forma repetida ou sem respeitar os intervalos necessários, podemos ter alterações na qualidade da pele, fibroses, edema persistente e irregularidades”, explicou.
Entre as possíveis complicações associadas a uma nova intervenção antes da recuperação adequada estão infecções, sangramentos, hematomas, seromas, fibroses, problemas de cicatrização e irregularidades no contorno corporal.
Mattos ressalta que a cicatrização ocorre também internamente e, portanto, não pode ser avaliada somente pelo desaparecimento da dor ou pela melhora da aparência.
“A cicatrização não acontece apenas na superfície: existe uma recuperação interna dos tecidos que precisa ser respeitada. Por isso, o desejo de acelerar o resultado estético nunca deve se sobrepor ao tempo biológico necessário para o organismo se recuperar”, afirmou.
Outro risco apontado pelos profissionais é tentar corrigir precocemente uma característica que ainda faz parte da recuperação.
Edema, endurecimento e alterações temporárias no contorno podem ocorrer durante a cicatrização e não significam necessariamente que o procedimento apresentou resultado insatisfatório.
“Um erro comum é interpretar uma região ainda inchada ou endurecida como um resultado definitivo e tentar corrigi-la imediatamente. O organismo precisa de tempo para responder ao procedimento, e antecipar etapas pode trazer mais problemas do que benefícios”, afirmou Bárbara Peres.
Alessandra Martinelli também alerta que uma região ainda inflamada ou com cicatrização interna em andamento pode não estar preparada para outra intervenção.
Segundo ela, uma nova agressão aos tecidos nesse período pode aumentar a possibilidade de sangramento, infecção, seroma, fibrose, alterações cicatriciais e comprometimento dos tecidos.
A ausência de dor ou a percepção de que a região já apresenta boa aparência também não são suficientes para determinar se uma pessoa está pronta para outra intervenção.
“Essa decisão não deve ser tomada apenas pela aparência externa da região ou pela ausência de dor. É necessária uma avaliação presencial detalhada com o cirurgião plástico”, orientou Luis Fernando de Mattos.
Não existe, segundo os especialistas, um prazo único aplicável a todos. O período necessário depende da técnica utilizada anteriormente, da extensão do procedimento e da resposta de cada organismo.
Antes de uma nova intervenção, sinais como vermelhidão, inchaço, sensibilidade, alterações na textura da pele e presença de fibroses precisam ser avaliados.
A recomendação não se limita às cirurgias plásticas. Procedimentos estéticos não cirúrgicos realizados nos glúteos também podem exigir períodos específicos entre uma aplicação e outra, conforme a técnica utilizada, os produtos empregados e a reação do organismo.
Por isso, repetir um tratamento simplesmente porque o resultado foi visto em uma celebridade ou influenciadora não significa que a mesma conduta seja indicada para outra pessoa.
A orientação é buscar avaliação individualizada com profissional devidamente habilitado, informar procedimentos anteriores e respeitar o período recomendado de recuperação.
No campo da estética, o resultado imediato não deve se sobrepor à segurança. Respeitar o tempo de recuperação dos tecidos pode ser determinante tanto para reduzir complicações quanto para preservar o resultado já alcançado.
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