Mundo / Justiça
Promotoria da Bolívia manda prender Evo Morales por terrorismo e bloqueios
Ex-presidente é acusado de liderar manifestações que interromperam rodovias durante 53 dias e provocaram desabastecimento no país
30/07/2026
13:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Ministério Público da Bolívia emitiu ordem de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, acusado de envolvimento nos protestos e bloqueios de rodovias que paralisaram diferentes regiões do país entre maio e junho de 2026.
A determinação foi expedida na quarta-feira, 29 de julho, pelo promotor Brayan Melgar. O documento orienta a polícia a localizar Morales e conduzi-lo à unidade especializada responsável pelas investigações.
Presidente da Bolívia durante quase 14 anos, entre 2006 e 2019, Morales é investigado por seis crimes:
Insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado;
Terrorismo;
Atentado contra a segurança dos meios de transporte;
Atentado contra a segurança dos serviços públicos;
Associação criminosa;
Instigação pública à prática de crimes.
As acusações estão relacionadas aos 53 dias de manifestações e bloqueios realizados contra o governo do presidente Rodrigo Paz. Outros dirigentes sindicais e representantes de federações camponesas também foram incluídos na investigação. El País
Após a emissão da ordem, Evo Morales afirmou que é vítima de perseguição política e acusou o governo boliviano de tentar responsabilizá-lo pelas mobilizações para desviar a atenção da crise econômica e social enfrentada pelo país.
“Buscam responsabilizar-nos pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social, fruto de um modelo que abandonou o povo e protege a corrupção”, declarou.
Morales também afirmou que continuará mobilizado ao lado de seus apoiadores.
“Não nos intimidarão. Continuaremos lutando junto ao povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente, o da dignidade, da soberania, da justiça social e da recuperação da esperança para todas e todos”, completou.
As manifestações reuniram trabalhadores rurais, organizações camponesas e integrantes da Central Operária Boliviana (COB), principal central sindical do país.
Os protestos foram convocados contra reformas propostas pelo governo e os resultados da administração de Rodrigo Paz. Durante quase dois meses, grupos interromperam rodovias estratégicas, dificultando o transporte de alimentos, combustíveis, medicamentos e oxigênio hospitalar.
O movimento provocou desabastecimento em várias cidades e ampliou a pressão sobre a economia boliviana. A promotoria sustenta que Morales participou da articulação das mobilizações, acusação negada pelo ex-presidente.
No fim de junho, o governo chegou a um acordo com a COB. Dias depois, Morales anunciou a suspensão dos pontos de bloqueio que ainda permaneciam ativos.
O governo boliviano também decretou estado de emergência, medida que ampliou os poderes das autoridades para restabelecer a circulação nas estradas e enfrentar os efeitos das manifestações.
Esta é a segunda ordem de prisão que pesa contra Evo Morales. O ex-presidente já era procurado em outro processo, relacionado à acusação de manter uma relação com uma adolescente menor de idade. Morales nega as acusações e permanece na região de Chapare, considerada seu principal reduto político.
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