Campo Grande (MS), Quarta-feira, 29 de Julho de 2026

Justiça / Política

Dino dá 10 dias para Poderes definirem responsabilidades por emendas

Decisão exige identificação dos agentes envolvidos desde a indicação até o pagamento e a execução dos recursos destinados por parlamentares.

29/07/2026

17:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 10 dias para que o Governo Federal, a Câmara dos Deputados e o Senado apresentem uma proposta de controle sobre as emendas parlamentares.

A chamada matriz de responsabilidades deverá identificar os agentes que participam de cada etapa, desde a indicação dos recursos até o pagamento, a execução e a prestação de contas.

A determinação não representa uma punição imediata aos deputados e senadores. O objetivo é estabelecer quais são as atribuições e as possíveis responsabilidades de cada participante do processo, inclusive do parlamentar que apresenta uma emenda individual.

A decisão foi proferida nesta quarta-feira (29) em uma ação apresentada pela Rede Sustentabilidade, que pede a ampliação da responsabilidade dos congressistas sobre o destino das verbas que indicam.

Parlamentar também deverá ser incluído

Dino afirmou que a proposta precisa esclarecer se o autor de uma emenda individual pode ser responsabilizado quando interfere diretamente na destinação e na aplicação dos recursos.

Segundo o ministro, o mandato parlamentar e a independência entre os Poderes não afastam a obrigação de prestar contas sobre a utilização de dinheiro público.

“Não é admissível que haja poder de fiscalização sem correspondente sujeição à fiscalização”, declarou.

Para o relator, é contraditório que deputados e senadores, responsáveis constitucionalmente pela fiscalização da administração pública, permaneçam fora dos mecanismos de controle quando participam da definição do destino das verbas.

A ordem também alcança a Presidência da República, responsável pela estrutura administrativa que libera e acompanha a aplicação de parte dos recursos.

Relatórios apontaram irregularidades

A decisão levou em consideração relatórios elaborados pela Controladoria-Geral da União (CGU), pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Polícia Federal (PF).

As fiscalizações identificaram problemas recorrentes, como falta de rastreabilidade, desvios de finalidade, obras paralisadas ou não iniciadas, compras sem justificativa técnica e contratação de serviços incompatíveis com as necessidades da população.

Dino afirmou que o uso das emendas ultrapassa o campo das decisões exclusivamente políticas e deve obedecer às regras constitucionais aplicadas ao orçamento público.

Ao citar as transferências especiais, conhecidas como emendas Pix, o ministro ressaltou que indicar dinheiro público não equivale a realizar uma transferência particular. A modalidade permite o envio direto de recursos da União para estados e municípios, sem a necessidade de convênio prévio.

Emendas cresceram 318% em 11 anos

Conforme os números citados na decisão, as despesas empenhadas por meio de emendas parlamentares passaram de R$ 11,3 bilhões em 2014 para R$ 47,1 bilhões em 2025, crescimento de aproximadamente 318%.

No Orçamento de 2026, estão previstos cerca de R$ 26,6 bilhões em emendas individuais, R$ 11,2 bilhões em emendas de bancada e R$ 12,1 bilhões em emendas de comissão.

Para Dino, o aumento dos valores torna necessária a definição precisa das responsabilidades dos envolvidos.

Depois das respostas do Executivo e do Legislativo, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também deverão se manifestar.

Caso será analisado pelo plenário

A ação tramita como ADI 7.995 e deverá ser julgada em conjunto com outros três processos que questionam as emendas parlamentares impositivas.

O plenário do STF ainda decidirá o mérito da discussão. Entre os temas em análise estão a compatibilidade das emendas obrigatórias com a separação entre os Poderes, o sistema presidencialista, a responsabilidade fiscal e os princípios democrático e republicano.

Portanto, a decisão atual estabelece a apresentação de informações e propostas. As regras definitivas e os limites da responsabilização ainda dependerão do julgamento do Supremo.


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Municípios

Rebouças Renascença Reserva Reserva do Iguaçu Ribeirão Claro Ribeirão do Pinhal Rio Azul Rio Bom Rio Bonito do Iguaçu Rio Branco do Ivaí Rio Branco do Sul Rio Negro Rolândia Roncador Rondon Rosário do Ivai Sabáudia Salgado Filho Salto do Itararé Salto do Lontra Santa Amélia Santa Cecília do Pavão Santa Cruz Monte Castelo Santa Fé Santa Helena Santa Inês Santa Isabel do Ivaí Santa Izabel do Oeste Santa Lúcia Santa Maria do Oeste Santa Mariana Santa Mônica Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santana do Itararé Santo Antônio da Platina Santo Antônio do Caiuá Santo Antônio do Paraíso Santo Antônio do Sudoeste Santo Inácio Sapopema Sarandi Saudade do Iguaçu São Carlos do Ivaí São Jerônimo da Serra São João São João do Caiuá São João do Ivaí São João do Triunfo São Jorge d'Oeste São Jorge do Ivaí São Jorge do Patrocínio São José da Boa Vista São José das Palmeiras São José dos Pinhais São Manoel do Paraná São Mateus do Sul São Miguel do Iguaçu São Pedro do Iguaçu São Pedro do Ivaí São Pedro do Paraná São Sebastião da Amoreira São Tomé Sengés Serranópolis do Iguaçu Sertanópolis Sertaneja Siqueira Campos Sulina Tamarana Tamboara Tapejara Tapira Teixeira Soares Telêmaco Borba Terra Boa Terra Rica Terra Roxa Tibagi Tijucas do Sul Toledo Tomazina Três Barras do Paraná Tunas do Paraná Tuneiras do Oeste Tupãssi Turvo Ubiratã Umuarama União da Vitória Uniflor Uraí Ventania Vera Cruz do Oeste Verê Vila Alta Virmond Vitorino Wenceslau Braz Xambrê

ParanAgora © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: