Campo Grande (MS), Quinta-feira, 30 de Julho de 2026

Saúde / Beleza

Transplante capilar: especialista esclarece mitos e verdades sobre o procedimento

Médico explica quando a cirurgia é indicada, como funciona a recuperação e por que o transplante não impede a evolução da calvície.

28/07/2026

13:15

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A procura por tratamentos para combater a queda de cabelo tem aumentado nos últimos anos, impulsionando o interesse pelo transplante capilar. Apesar da popularidade da técnica, muitas dúvidas ainda cercam o procedimento, principalmente sobre a durabilidade dos resultados, o tempo de recuperação e quem pode se submeter à cirurgia.

De acordo com o médico especialista em transplante capilar e professor do curso de Medicina da Uniderp, Dr. Rafael de Cristo, boa parte dos pacientes chega ao consultório influenciada por informações incompletas ou equivocadas encontradas na internet e nas redes sociais.

"Embora o transplante capilar seja uma técnica consolidada e segura, ainda existem muitos mitos que geram insegurança. O primeiro passo é entender que cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando a causa da perda capilar, a área doadora disponível e as expectativas do paciente", explica o especialista.

Segundo o médico, sinais como queda excessiva dos fios, aumento das áreas de rarefação e redução progressiva da densidade capilar devem ser avaliados por um profissional o quanto antes.

"O transplante capilar é uma ferramenta importante, mas não é a única solução. Em muitos casos, tratamentos clínicos iniciados precocemente podem retardar a evolução da perda capilar e melhorar significativamente a qualidade dos fios", afirma.

Mitos e verdades sobre o transplante capilar

O cabelo transplantado pode cair novamente?

Mito e verdade.

Após a cirurgia, é comum que os fios transplantados caiam entre duas e oito semanas depois do procedimento. Essa queda faz parte do processo natural de adaptação dos folículos ao novo local.

O que cai é apenas a haste do cabelo, enquanto o folículo permanece implantado. Com isso, os fios voltam a crescer gradualmente nos meses seguintes e, na maioria dos casos, apresentam crescimento permanente.

Apenas homens podem fazer transplante capilar?

Mito.

Embora a calvície masculina seja mais frequente, mulheres também podem realizar o procedimento.

O transplante pode ser indicado para pacientes com rarefação localizada, cicatrizes no couro cabeludo ou alguns tipos específicos de alopecia.

"As mulheres representam uma parcela crescente dos pacientes. A indicação depende de uma avaliação cuidadosa para identificar a causa da perda capilar e verificar se há uma área doadora adequada", explica o Dr. Rafael.

O resultado aparece imediatamente?

Mito.

O crescimento dos novos fios exige tempo.

Os primeiros sinais costumam surgir entre três e quatro meses após a cirurgia, enquanto o resultado definitivo normalmente é observado entre 12 e 18 meses.

O transplante capilar dói?

Mito.

A cirurgia é realizada com anestesia local, reduzindo significativamente o desconforto durante o procedimento.

No período pós-operatório, é possível ocorrer leve sensibilidade, inchaço ou coceira temporária, sintomas considerados normais.

É preciso raspar toda a cabeça?

Mito.

Nem todos os pacientes precisam raspar completamente os cabelos.

Em casos selecionados, existem técnicas que permitem preservar boa parte dos fios. A escolha depende da extensão da área a ser tratada e da avaliação médica.

É possível voltar ao trabalho rapidamente?

Verdade.

Pacientes que exercem atividades administrativas geralmente conseguem retornar ao trabalho entre três e sete dias após a cirurgia.

Já profissionais que realizam esforço físico intenso ou trabalham sob exposição constante ao sol costumam precisar de um período maior de recuperação.

"O retorno varia conforme a atividade exercida pelo paciente. O mais importante é seguir corretamente as orientações médicas para garantir a melhor cicatrização possível", orienta o especialista.

O transplante impede a progressão da calvície?

Mito.

A cirurgia redistribui os fios para regiões afetadas, mas não interrompe a evolução da calvície nas áreas que ainda possuem cabelos suscetíveis à queda.

Por isso, muitos pacientes precisam associar o transplante a tratamentos clínicos para preservar os fios naturais.

Pessoas jovens podem fazer transplante?

Depende.

A idade não é o principal critério para indicação da cirurgia.

Segundo o especialista, o fator mais importante é avaliar a estabilidade da queda de cabelo e o padrão da alopecia.

Em pacientes muito jovens, a indicação deve ser feita com cautela, já que a calvície pode continuar evoluindo ao longo dos anos, comprometendo o resultado estético futuro.

Avaliação médica é fundamental

O Dr. Rafael de Cristo reforça que cada paciente apresenta características próprias e que a decisão pelo transplante capilar deve ser tomada após avaliação médica especializada.

Além de definir a indicação da cirurgia, a consulta permite identificar a causa da queda dos fios, estabelecer expectativas realistas e indicar tratamentos complementares que ajudam a preservar o cabelo natural e potencializar os resultados do procedimento.


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