Justiça / Política
Justiça Eleitoral valida atos federais em ação que envolve Delcídio
Juízo da 8ª Zona Eleitoral rejeitou pedido de nulidade, afastou discussão sobre foro privilegiado e encaminhou processo para as alegações finais.
29/07/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul manteve válidos os atos praticados pela 13ª Vara Federal de Curitiba na ação penal que envolve o ex-senador Delcídio do Amaral e outros acusados. O processo apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao suposto uso de recursos ilícitos em despesas eleitorais.
A decisão foi proferida pela 8ª Zona Eleitoral de Campo Grande e publicada no Diário da Justiça do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). A Petrobras participa do processo como assistente da acusação.
O caso tramita como Ação Penal Eleitoral nº 0600029-37.2020.6.12.0008. Não houve julgamento sobre culpa ou inocência dos réus. A decisão analisou questões processuais apresentadas antes da fase de sentença.
Os advogados de Delcídio e de outros dois réus sustentaram que a Justiça Federal não teria competência para conduzir um processo envolvendo possível crime eleitoral. Com esse argumento, solicitaram a anulação de decisões, provas e demais atos realizados pelo juízo federal de Curitiba.
O pedido foi rejeitado. Segundo o magistrado eleitoral, os atos foram praticados quando prevalecia o entendimento de que casos dessa natureza deveriam tramitar na Justiça Federal.
A competência somente foi redefinida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2019, quando a Corte estabeleceu que crimes comuns ligados a delitos eleitorais devem ser julgados pela Justiça Eleitoral.
A decisão aplicou o entendimento jurídico conhecido como teoria do juiz aparente. Essa regra permite preservar atos praticados de boa-fé por um magistrado considerado competente naquele momento, mesmo que o processo seja posteriormente transferido para outro ramo do Judiciário.
A ação foi apresentada inicialmente à 13ª Vara Federal de Curitiba sob o número 5055008-78.2017.4.04.7000. Em 2019, o processo foi encaminhado integralmente à Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul.
Em 2020, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) rejeitou recursos que pretendiam devolver o processo à Justiça Federal.
Posteriormente, o caso voltou a Curitiba, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou novo envio à 8ª Zona Eleitoral de Campo Grande. A ordem foi cumprida pela Justiça Federal em dezembro de 2023.
O Ministério Público Eleitoral questionou a ausência de uma análise específica sobre eventual foro por prerrogativa de função de Delcídio.
O magistrado rejeitou o questionamento. Conforme a decisão, o próprio STF determinou que o processo seguisse na primeira instância. Para o juízo eleitoral, se houvesse competência da Suprema Corte para julgar o ex-senador, o processo não teria sido encaminhado para Campo Grande.
Superadas as questões processuais, o juízo determinou a organização das alegações finais, última manifestação da acusação e das defesas antes da sentença.
A ordem de apresentação foi corrigida para garantir que a Petrobras, como assistente da acusação, se manifeste antes dos advogados dos réus.
A Justiça Eleitoral também aguarda pareceres do Ministério Público e da estatal sobre o pedido apresentado pela família de um réu falecido. Os familiares solicitam a liberação de bens que permanecem bloqueados.
Depois dessas manifestações, o processo deverá voltar ao magistrado para análise dos pedidos pendentes e posterior sentença.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Trump evita reconhecer declaração de Flávio Bolsonaro como presidente eleito do Brasil
Leia Mais
Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito, apaga publicação e muda discurso após chegar aos EUA
Leia Mais
Nunes Marques dá prazo de 10 dias para PGR avaliar pedido de revisão da condenação de Bolsonaro
Leia Mais
Morre aos 91 anos Roberto Maya, ator e voz marcante do programa Documento Especial
Municípios